{"id":18782,"date":"2014-09-09T16:23:00","date_gmt":"2014-09-09T16:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.dana.com.br\/?p=18782"},"modified":"2023-10-26T19:31:45","modified_gmt":"2023-10-26T22:31:45","slug":"hugo-ferreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/hugo-ferreira\/","title":{"rendered":"Hugo Ferreira"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb_column vc_column_container vc_col-sm-6\">\n<div class=\"vc_column-inner\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column wpb_content_element \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>Engenheiro formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, iniciou sua trajet\u00f3ria na Samesul, uma subsidi\u00e1ria formada pela Albarus e Micheletto para a produ\u00e7\u00e3o de embreagens Spicer. Seria o in\u00edcio de uma rela\u00e7\u00e3o duradoura e repleta de desafios, que ele encarou com a energia costumeira. \u201cO melhor le\u00e3o para matar num dia \u00e9 sempre o \u00faltimo\u201d, afirma, ensinando, sem querer, a f\u00f3rmula para manter-se motivado no trabalho.<\/p>\n<p>O que pouca gente sabe \u00e9 que ele conheceu Haroldo Dreux ainda na Universidade. Na disciplina de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Engenharia, um palestrante era convidado para falar sobre uma determinada \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, para inspirar os jovens alunos e orient\u00e1-los em suas escolhas. \u201cImagine isso no primeiro semestre de faculdade \u2013 claro que era a gente n\u00e3o tinha paci\u00eancia de assistir, e fizemos uma escala: cada vez um dos meus colegas assistia e relatava aos outros. Ent\u00e3o, vieram me contar que o Haroldo Dreux esteve na universidade para falar da \u201cnovel\u201d ind\u00fastria automobil\u00edstica brasileira, a ind\u00fastria do futuro. Pensei imediatamente: \u00e9 nessa que eu vou\u201d, conta. Ao fim do sexto semestre de faculdade, Hugo conseguiu um est\u00e1gio na Volkswagen, que durou o tempo das suas f\u00e9rias de ver\u00e3o, tr\u00eas meses, em que trabalhou em diversas \u00e1reas. \u201cVoltei pra Porto Alegre com o v\u00edrus da ind\u00fastria no sangue\u201d, ri ele. Decidido a conseguir um est\u00e1gio na Albarus, pediu uma ajuda ao colega J\u00falio Coutinho, que trabalhava na Mensa, empresa que era do Paulo Cirne Lima que conhecia Haroldo Dreux. Estava feita a conex\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia 16 de dezembro de 1962, Ferreira iniciava, como estagi\u00e1rio, sua carreira. Depois de tr\u00eas meses, foi efetivado. No segundo ano, a Samesul associou-se com a empresa Rigo, que fabricava o mesmo produto, e formou a Companhia WBS Industrial. Ferreira foi promovido a supervisor da f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Em 1967, quando a Dana assumiu o controle acion\u00e1rio da Albarus, optaram por encerrar a WBS. \u201cNessa \u00e9poca, Zeca Bohrer j\u00e1 tinha voltado para Porto Alegre como Diretor da empresa, e decidiu que eu seria aproveitado na Albarus, como assistente dele\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Logo, estaria dentro da Engenharia e Planejamento de Produ\u00e7\u00e3o, trabalhando com Slavko Rozmann e com Riograndino.<br \/>\nHugo viajou em 1968 para os Estados Unidos acompanhando Bohrer, por conta do Projeto de Moderniza\u00e7\u00e3o da Albarus \u2013 um grande investimento de compra de m\u00e1quinas, parte do processo da aquisi\u00e7\u00e3o do controle da Albarus por parte da Dana. \u201cFomos visitar a f\u00e1brica e a engenharia de Pottstown, nossa mentora no projeto\u201d, recorda, \u201cum ano depois de nossa volta apareceu a oportunidade de um treinamento de dois anos nos Estados Unidos, para fazer um est\u00e1gio nas f\u00e1bricas de eixos cardans e de diferenciais, como parte de um projeto de implanta\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica da Dana na Venezuela\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Hugo ficaria, com sua fam\u00edlia, durante um ano em Pottstown na Pensilv\u00e2nia e, como na Venezuela a f\u00e1brica seria al\u00e9m de cardans de eixos diferenciais, foi enviado para a f\u00e1brica deste produto, em Fort Wayne, Indiana. Terminados os dois anos de est\u00e1gio nos EUA, o projeto de abrir a f\u00e1brica na Venezuela foi adiado. \u201cA verdade \u00e9 que teria sido muito dif\u00edcil morar na Venezuela \u2013 eu iria, com certeza, mas o projeto foi cancelado, para minha sorte\u201d, recorda. Sobre a disposi\u00e7\u00e3o para mudar-se tanto \u2013 uma constante na sua carreira \u2013 Hugo \u00e9 categ\u00f3rico. \u201cEu gostava muito do que fazia e era um soldado da empresa \u2013 ia para onde meus superiores me mandassem. Cada novo desafio que encarava era melhor do que o anterior \u2013 eu via todos eles como impulsos profissionais\u201d, diz.<\/p>\n<p>Com o cancelamento do projeto da Venezuela, decidiram que Ferreira voltaria para o Brasil para ajudar a transferir a linha de montagem de cardans da Henry Ford para o bairro do Socorro, em S\u00e3o Paulo. O ano era 1970 e um novo projeto, para uma f\u00e1brica de eixos diferenciais, s\u00f3 seria realidade em 1974. \u201cO projeto era complicado \u2013 uma parte do produto seria fabricada em Porto Alegre, e a montagem, usinagem de fundidos e de engrenagens seria feita em S\u00e3o Paulo. N\u00e3o funcionou muito bem, por isso, seria tudo consolidado em S\u00e3o Paulo\u201d, relata.<\/p>\n<p>Ferreira voltaria para Porto Alegre em 1977, como Controller. \u201cO Enio Moura do Valle era o Diretor Financeiro e Administrativo da empresa e foi promovido a presidente da Pellegrino. Ele indicou duas pessoas para substitu\u00ed-lo: o Tito Livio Goron ficaria com Finan\u00e7as\/Tesouraria e eu com a Controladoria\u201d, explica.<\/p>\n<p>Ao saber que tinha sido indicado para assumir como Controller, Hugo foi buscar uma especializa\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o Financeira na Faculdade Get\u00falio Vargas \u2013 porque, enfim, era engenheiro e n\u00e3o um expert em finan\u00e7as. \u201cA versatilidade \u00e9 um orgulho que temos da nossa profiss\u00e3o: engenheiro faz de tudo. Foi um aprendizado fant\u00e1stico, fiz previs\u00f5es para a Dana que n\u00e3o se concretizavam, levei muitas \u2018carraspanas\u2019 do Diretor Financeiro em Toledo para quem as enviava\u2026 Mas, claro, isso me deu uma bagagem fant\u00e1stica\u201d.<\/p>\n<p>Um ano depois, Hugo foi promovido a Diretor de Opera\u00e7\u00f5es de Juntas Universais e Eixos Diferenciais, uma em Porto Alegre e a outra em S\u00e3o Paulo. Foi uma \u00e9poca de muito crescimento para a empresa \u2013 marcada pela aquisi\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o de Elast\u00f4meros e tamb\u00e9m pela consolida\u00e7\u00e3o das novas opera\u00e7\u00f5es \u2013 a de juntas homocin\u00e9ticas e dos eixos diferenciais. \u201cCom os diferenciais entramos em concorr\u00eancia com a Braseixos, que dominava o mercado. Mas a de juntas homocin\u00e9ticas representou um grande sucesso operacional, era um produto inovador\u201d, explica.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_column vc_column_container vc_col-sm-6\">\n<div class=\"vc_column-inner\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column wpb_content_element \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>Outra coisa que marcou essa \u00e9poca para Ferreira era a dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o. \u201cQuando come\u00e7amos a fabricar eixo diferencial em S\u00e3o Paulo, eu tinha que passar a programa\u00e7\u00e3o de componentes que import\u00e1vamos da f\u00e1brica de Fort Wayne atrav\u00e9s do Telex\u201d, diz. Ferreira ficava horas trocando mensagens com o colega nos Estados Unidos, muito antes da inven\u00e7\u00e3o das mensagens de texto instant\u00e2neas, t\u00e3o populares hoje. \u201cA gente ficava horas com a m\u00e1quina ligada, acertando a programa\u00e7\u00e3o e os envios. A comunica\u00e7\u00e3o era uma grande dificuldade, naquela \u00e9poca\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Em 1979, Hugo seria promovido mais uma vez \u2013 agora, a Vice-Presidente de Opera\u00e7\u00f5es de toda a empresa e tamb\u00e9m cuidaria da parte de Recursos Humanos. Era o come\u00e7o, ent\u00e3o, da chamada \u201cd\u00e9cada perdida\u201d, os anos 80. \u201cA d\u00e9cada \u00e9 considerada perdida porque, no fim dos anos 70, as montadoras chamaram os fornecedores, dizendo que queriam fabricar dois milh\u00f5es de ve\u00edculos. O que aconteceu foi um mercado desaquecendo, com excessiva capacidade\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A atitude da Dana? Cautela. \u201cNosso presidente Bohrer montou um plano de expans\u00e3o com todo o cuidado \u2013 s\u00f3 aumentar\u00edamos o investimento se estiv\u00e9ssemos com um contrato na m\u00e3o. Por isso, muitos consideram essa a \u2018d\u00e9cada perdida\u2019: houve uma perspectiva de produ\u00e7\u00e3o elevada que n\u00e3o se realizou\u201d, explica Ferreira, \u201cmas obtivemos bons resultados gra\u00e7as a essa cautela e tamb\u00e9m aos nossos esfor\u00e7os \u2013 foram \u00e9pocas de grandes realiza\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Ferreira, nesta \u00e9poca, tamb\u00e9m capitaneou o lan\u00e7amento do Befiex, Plano de Expans\u00e3o com incentivos \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, em que a empresa importava as m\u00e1quinas sem imposto ao se comprometer a exportar. Em 1982, iniciaram um projeto de exporta\u00e7\u00e3o de cardans para a \u00c1frica do Sul. Por isso, apesar de ser um per\u00edodo dif\u00edcil para muitas empresas, combinando a cautela da alta administra\u00e7\u00e3o e a ousadia de novos projetos, alcan\u00e7aram crescimento e a entrada em novos mercados.<\/p>\n<p>No come\u00e7o da d\u00e9cada de 90, a busca pela qualidade ganhava grande destaque. \u201cQuando t\u00ednhamos um problema o corrig\u00edamos, mas muitas vezes v\u00edamos o mesmo erro acontecer de novo. T\u00ednhamos s\u00e9rios problemas de qualidade, fal\u00e1vamos em PPM, mas os indicadores n\u00e3o eram bons. A Qualidade come\u00e7ou a ser levada a s\u00e9rio somente em meados de d\u00e9cada de 90\u201d, afirma. Criou-se, ent\u00e3o, o Programa de Qualidade Total, que reconhecia boas iniciativas.<\/p>\n<p>Em 1992 Jos\u00e9 Carlos Bohrer aposentou-se. \u201cTive que substituir um gigante. Procurei cercar-me da ajuda de quem faria a diferen\u00e7a: Paulo Regner, Tito L\u00edvio Goron, Moacyr Negro Puerta e Sidney Del Gaudio. Procurei deixar claro que eu n\u00e3o era o substituto do Bohrer \u2013 n\u00f3s cinco o \u00e9ramos. Isso representaria uma maior mudan\u00e7a\u201d, diz.<\/p>\n<p>Em 1994, Ferreira foi nomeado Vice-Presidente da Dana Mercosul, Presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o de Albarus e Presidente da Dana Brasil. Em 1995, foi transferido para os Estados Unidos como Vice-Presidente do Grupo de Produtos de Motor, participando de uma das maiores aquisi\u00e7\u00f5es da Dana, que elevou a participa\u00e7\u00e3o e import\u00e2ncia do grupo na empresa. Em 1997, foi feito membro do Comit\u00ea Operativo e diretor da Corpora\u00e7\u00e3o. Outro momento decisivo em sua carreira aconteceu em 1998 quando, ap\u00f3s a Dana mudar a estrutura da organiza\u00e7\u00e3o fortalecendo as Unidades Estrat\u00e9gicas de Neg\u00f3cios, o Presidente Regional passou a ser um facilitador de neg\u00f3cios e tamb\u00e9m de comunica\u00e7\u00e3o na corpora\u00e7\u00e3o. \u201cEu aceitei essa mudan\u00e7a. Vi que ainda tinha espa\u00e7o para atuar na Am\u00e9rica do Sul e achei que tamb\u00e9m seria uma oportunidade de voltar para o Brasil\u201d, explica.<\/p>\n<p>Dito e feito: em fins de 1998 Ferreira foi promovido a Presidente da Dana South America e, de volta ao Brasil, permaneceu nessa fun\u00e7\u00e3o e no Comit\u00ea Operacional Mundial at\u00e9 Dezembro de 2004, quando se aposentou. \u201cFoi uma carreira boa\u201d, diz, com a simplicidade e objetividade que lhe \u00e9 peculiar, \u201cfoi sensacional a oportunidade que tive, de galgar todos estes desafios e venc\u00ea-los um a um\u201d.<\/p>\n<p>Duas marcas desta \u00e9poca? A implanta\u00e7\u00e3o de uma cultura de Qualidade dentro da Albarus, que culminou em v\u00e1rios pr\u00eamios para a Dana \u2013 incluindo o Pr\u00eamio Nacional de Qualidade, em 2003 \u2013 quando a empresa foi a primeira fabricante de autope\u00e7as brasileira a receber o reconhecimento \u2013 e tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o do primeiro Centro de Servi\u00e7os Compartilhados, na Dana, que consolidava os servi\u00e7os, otimizava os recursos e eliminava redund\u00e2ncias, ajudando a reduzir o \u201ccusto Brasil\u201d na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, Ferreira \u00e9 membro do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Randon, Presidente da C\u00e2mara Automotiva da FIESC e Diretor Regional do Sindipe\u00e7as em Santa Catarina, al\u00e9m de apaixonado por tecnologia. Adora acompanhar o futebol \u2013 \u201cainda sofrendo como gremista\u201d \u2013 e curte Virg\u00ednia, \u201cquase 6 anos de travessuras e fofurices\u201d, a primeira neta, filha de Luis Pedro Ferreira, que trabalha na Dana.<\/p>\n<p>Sobre seus 42 anos de empresa, diz, categ\u00f3rico: \u201cRealmente n\u00e3o me arrependo de nada \u2013 certamente cometi erros no caminho, mas aprendi com eles, procurando ser justo ao reconhec\u00ea-los \u2013 foi uma verdadeira escola de vida\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao todo, foram exatos 42 anos na Dana, iniciados quando tinha 23 anos de idade e conclu\u00eddos como Presidente da Dana South America \u2014 n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que Hugo Ferreira orgulha-se por ter tido toda sua trajet\u00f3ria profissional dentro da mesma empresa.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":51300,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"class_list":["post-18782","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-veteranos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18782"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18782\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54671,"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18782\/revisions\/54671"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51300"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}