Volnei

Dalmas

Ele trabalhou durante mais de 25 anos na empresa e diz que foi sua melhor escola. Volnei Dalmas iniciou sua trajetória na Dana como estagiário e ocupou diversos cargos dentro da Manutenção e Manufatura, numa trajetória de muita dedicação e trabalho.

Volnei estudava Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul quando soube, através de um colega de aula, que havia uma oportunidade para trabalhar na Albarus. “O Fernando Alano, que trabalhava no departamento de Suprimentos na Albarus, sabia que eu estava estagiando em outra empresa mas me avisou que tinha aberto uma vaga na área dele dentro da Albarus, que tinha fama de ser uma ótima empresa e, na mesma hora, já me interessei”, lembra. Volnei participou pelo processo seletivo e foi contratado pela empresa em maio de 1982.

Durante 7 meses, atuou como estagiário do departamento de Compras cuidando da parte de catálogos, cadastro de materiais e suprimentos através do que viria a ser um sistema de tecnologia de informação. “Isso durou até janeiro de 1983, quando minha vontade de trabalhar no chão de fábrica e com engenharia falou mais alto e perguntei se não haveria uma vaga para trabalhar nesta área”, conta. E havia – na Manutenção da Divisão de Juntas Universais e da Divisão de Juntas Homocinéticas, que haviam sido unificadas em abril daquele ano. Volnei ainda era estagiário mas, agora, atuava exatamente onde queria: com mecânica e lidando diretamente com o chão de fábrica e suas rotinas.

Volnei se formou em julho de 1983 e foi efetivado como funcionário da Albarus no primeiro dia de agosto, para sua grande alegria. “Nesta época, guardo lembranças de muitas pessoas que me ajudaram, como o Luis Carlos Oliveira, que era Chefe da Produção da Divisão de Juntas Universais e tinha muita experiência nessa função, e também o Alceu Albuquerque, o Nívio José Fialho e o Edgar Bertschinger”, diz.

Ele iniciou como Mecânico e, depois, foi fazendo carreira dentro da fábrica nos cargos de Contramestre, Mestre e Supervisor, como era comum de acontecer. “A gente carrega a tecnologia que aprende na faculdade, mas fui aprender a ser chefe dentro da Albarus – fazendo cursos e no dia-a-dia da fábrica”, afirma. E não era só a função de supervisor que exigia atualização constante. “Não sei como é hoje mas, naquele tempo, o foco do curso da UFRGS era refrigeração. Eu não sabia nada de hidráulica e tive que me virar lendo os manuais da Racine. A parte de elétrica foi a mesma coisa pra mim – aprendi no cotidiano da empresa”, diz.

Volnei lembra com carinho da convivência que teve com albarianos veteranos como Antonio Plentz, Cláudio “Coxinha” Vasconcellos, Harry Muller, Diogo Haro e Wolf Zwick. “Era uma turma fantástica, eu convivia muito com eles e tivemos um contato muito grande”, diz, “eles adoravam me contar as histórias deles durante este 1 ano que trabalhamos juntos”.

Depois disso, a fábrica foi transferida para a nova unidade de Gravataí e, com a ida da Divisão de Juntas Universais, era natural que Volnei pensasse naturalmente em ir também. “Mas não foi bem assim – o gerente de manutenção Níveo José Fialho me convenceu a ficar em Porto Alegre. Eu fiquei durante um tempo fazendo um trabalho de Manutenção Programada, Manutenção Preventiva e Lubrificação com meus colegas, também engenheiros”, conta.

Volnei conta que, em 1986, assumiu a Supervisão de Manutenção da Divisão de Juntas Homocinéticas, que antes era do também jubilado Luis Carlos Lauer. “Foi uma baita responsabilidade – um engenheiro assumir o que antes era feito por um dos caras que trouxe a tecnologia da Junta Homocinética da Alemanha, em 1973 junto do grupo composto pelo Byron Matissek, Johann Limbacher, entre outros”, explica.

Em 1988, começava o processo de separação da tecnologia da Junta Homocinética entre a GKN Driveline e a Dana – a primeira já detinha 40% e a Dana ficou com 60%. “Foi quando foi formada a Albarus Transmissões Homocinéticas – ATH – e quem assumiu a direção foi Paulo Regner, que teve um trabalho tão bem-sucedido que a divisão virou a ‘menina dos olhos’ da empresa”, afirma. Nessa época, Regner era o diretor da fábrica, Alceu Albuquerque era o gerente e o gerente de manutenção era Edgar Bertinger e a divisão cresceu tanto que ‘tomou conta’ da fábrica de Porto Alegre. “Foi um tempo de crescimento e expansão. Criamos a ‘Operação Papai Noel’, que aproveitou o recesso de final de ano para fazer manutenção, limpeza nas máquinas e um novo layout”, conta.

Outra novidade que marcou Volnei foi o começo da aplicação do conceito de 5S na Divisão de Juntas Homocinéticas – iniciativa de Paulo Regner, que capitaneou a fábrica de 1988 até 1995. “Começou uma nova fase na fábrica de muito mais limpeza, organização… A ATH se tornou referência dentro da empresa: todos usávamos jalecos brancos e começou também uma grande fase de qualificação técnica e treinamento em 5S, além da solução de alguns problemas antigos, o que nos deixou muito mais produtivos”, diz.

Volnei seguiu como Chefe da Manutenção durante 4 anos, ainda em Porto Alegre. “A Divisão de Juntas Homocinéticas ainda não tinha um setor de Reforma de Máquinas e nem de Ferramentaria. Então, o Juarez Costa assumiu a Manutenção em Porto Alegre para que eu pudesse criar estes dois departamentos na DJH”, conta. Volnei ficou durante mais 4 anos formando estas equipes.

Em 1994, Volnei tinha tanto conhecimento técnico que foi convidado para trabalhar na área de Compras de Equipamentos, dentro da área de Investimentos. “A minha maior preocupação era o meu inglês, que acabou melhorando bastante de tantos fax e tantas visitas aos nossos fornecedores na Espanha, Itália, nos Estados Unidos… Foi uma época de muito crescimento profissional. Trabalhei durante 2 anos com Edgar Albarus, aprendi muito com ele”, diz.

Em março de 1996, Volnei foi convidado por Paulo Regner para trabalhar na Unidade de Gravataí. “Eu estava com um pé lá, mas o pessoal de Porto Alegre me promoveu a Gerente de Produção na última hora e fiquei cuidando de uma Unidade de Manufatura. Ocupei este cargo até 2003 – em 2000, a empresa foi comprada pela GKN, onde trabalhei por mais 10 anos de minha carreira”, afirma. Ao todo, ele completou 28 anos nas duas empresas. “Se eu tivesse que dizer a fase que mais me marcou foi os anos 90, quando trabalhei com o Regner. Foi uma época de muito trabalho e também muito recompensadora. A maioria dos albarianos eram proprietários da empresa, um sentimento muito forte. Viviam lá dentro, tinham orgulho do que faziam e ‘vestiam a camisa’. A Albarus sempre foi referência de qualidade e era um grande orgulho trabalhar lá – muitas empresas tentaram copiar, mas é difícil encontrar o perfil de administração que é encontrado na Dana”, resume.

Casado com Júlia há 34 anos, é pai de Bruna, de 28 anos, que trabalha como psicóloga. Para descansar, o casal adora viajar, ler muito e assistir documentários históricos.

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“Se eu tivesse que dizer a fase que mais me marcou foi os anos 90, quando trabalhei com o Regner. Foi uma época de muito trabalho e também muito recompensadora. A maioria dos albarianos eram proprietários da empresa, um sentimento muito forte. Viviam lá dentro, tinham orgulho do que faziam e ‘vestiam a camisa’. A Albarus sempre foi referência de qualidade e era um grande orgulho trabalhar lá – muitas empresas tentaram copiar, mas é difícil encontrar o perfil de administração que é encontrado na Dana”.