Victor

Pinto Vieira Filho

26 anos de muito trabalho e dedicação que passaram em um instante, repletos de muitas negociações e, também, companheirismo e amizade, frutos do trabalho em equipe. Victor Pinto Vieira  iniciou sua carreira na Albarus em 1966 e aposentou-se no início da década de 90, como Vice-Presidente – uma trajetória marcada pelo pioneirismo e pela incansável determinação deste homem de negócios.

Victor iniciaria sua carreira na empresa a convite de José Carlos Bohrer, em 1966, para atuar como Gerente de Suprimentos. Antes disso, ele já havia trabalhado em duas empresas, uma delas a HTheo Müllerr (uma importadora de ferragens, tintas…), onde conheceria o futuro gerente de compras da Albarus, Jorge Alberto Wallau. Ele recorda deste início de jornada profissional com precisão, dizendo que a Albarus era uma empresa em grande evolução, até se tornar a empresa mais conhecida de autopeças do Brasil – e que tudo foi feito com um dinamismo impressionante para a época. “Quando comecei, o Compras fazia contato com fornecedores, eu fazia muitos contatos em São Paulo, viajava muito, e comprávamos muito aço e ferramentas em geral para a fábrica – lembro que entrei na empresa em uma época que antecedeu o seu crescimento acelerado, era preciso dinamismo para acompanhar o ritmo da Albarus”, relata.

Ele credita este e outros momentos de crescimento da empresa a uma pessoa: Bohrer. “Eu sempre classifiquei a Albarus como ‘antes’ e ‘depois’ de Zeca Bohrer – ele era uma pessoa que fazia grandes projeções para o presente e futuro, um empreendedor brilhante e um trabalhador também”, explica. Victor diz que, apesar da fábrica ser, neste início, muito menor do que é hoje, tinha muita gente boa trabalhando por lá, dedicada e comprometida – uma equipe preparada para a grande ascenção de produção que viria a seguir.

O que mais marcou nesta sua primeira fase de Albarus? As constantes viagens, dentro e fora do Brasil. “Eu conheci praticamente todo o mundo trabalhando – fui muito ao Japão, no escritório da empresa que ficava em Kamioka, também na Itália, Inglaterra, Alemanha, Austrália, Canadá, também viajei pela América do Sul”, relata. Victor também viajaria muito para São Paulo, onde a empresa também começava a ter fábricas. O objetivo de tantas viagens era estreitar os laços de relacionamento, e buscar conquistar exportações para a Albarus. Eram outros tempos, onde, comparado aos dias de hoje, a conectividade era muito limitada.

Victor também teria, em 1972, participação fundamental no começo da fabricação de juntas homocinéticas pela Albarus, nomeado como Gerente do Projeto-piloto da Divisão de Juntas Homocinéticas. Um momento marcante desta época foi sua viagem ao Japão, também em 72, para adquirir máquinas para a recém-fundada divisão – mais conhecida como DJH. “Houveram tratativas desde o início com uma fábrica alemã de Offenbach, que ficava próxima de Frankfurt, para que eles nos fornecessem toda a tecnologia de fabricação para esta fábrica”, recorda. Logo, ele seria promovido a Gerente-Geral da Divisão e construiria as bases para a expansão da companhia nos anos 80. E passaria a viajar muito para a Alemanha em busca de expertise e tecnologia – e para outros países, a fim de conquistar exportações. Victor foi o primeiro brasileiro a visitar a fábrica da Fiat em Turim, na Itália, para oferecer o produto – e, logo, a Albarus estaria fornecendo 100% das juntas homocinéticas usadas naquela fábrica. “No Brasil, foi um passo muito pioneiro a fabricação de juntas homocinéticas, já que ainda não fabricavamos veículos com tração dianteira na época – e quando surgiu esta modalidade de veículos, passamos a fornecer 100% para as montadoras brasileiras”, esclarece.

Durante 10 anos atuou como Gerente da Divisão de Juntas Homocinéticas, e viveu muitos momentos marcantes por lá nesta época. “Lembro que, em 1977, compramos umas máquinas do Japão e, quando elas chegaram no porto, elas caíram durante o transporte. E quebraram em algumas partes – o suficiente para nos apavorar, já que tínhamos que iniciar a produção muito em breve. Foi um problema muito sério, tivemos que ir para a Alemanha procurar ajuda para repôr e consertar estas máquinas – foi muito difícil”, recorda.

A equipe da Divisão também era um diferencial: Johann Wolfgang Limbacher, Edgar Albarus, Luiz Tessaro, além de uma grande turma de engenheiros, liderada por Erni Koppe. Victor ficava à frente da divisão, construindo relacionamentos e conquistando clientes e negócios. “Nesta época, para fazer negócios, era muito importante construir relacionamentos, ter contato pessoal para endossar o prestígio da empresa, era a maneira de fazer negócios naquela época: pessoalmente”, diz.

Na primeira metade da década de 80, ele foi designado para ser responsável pela instalação da Divisão de Exportação da empresa. Outra época de muitas viagens para que a empresa obtivesse as licenças de importações no Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. “Era preciso viajar, pedir as autorizações para importar matéria-prima, uma nova realidade se delineava e era preciso agir para contorná-la da melhor forma possível”, relata.

Em 1982, assumiu o Complexo Industrial de Gravataí, tendo comandado a implantação da Forjaria e também da fábrica de Anéis de Pistão, chegando a dirigir a área de reposição no Brasil. Era uma época desafiadora, em que o governo brasileiro começou a restringir uma série de negócios, dificultando a vida dos empresários da época. “Logo, iniciou-se uma onda de demissões em massa em grandes empresas – eu lembro que reuni o pessoal da fábrica nesta época e falei que viajaria ao Exterior para conquistar negócios para que prosperássemos e não precisasse haver isso – e conseguimos!”, comemora.

Foi um período de muito trabalho, em que ele seria Diretor e responsável pela produção da fábrica de Gravataí – acumulando também a função de Vice-Presidente. “Quando chegamos ao Distrito Industrial de Gravataí, desbravamos a área, era só mato, não tinha nada. Foi um marco para a cidade, sem dúvida alguma. E Gravataí se expandiria ainda mais – foi uma grande ousadia da Albarus instalar a fábrica ali, mérito do Zeca”, diz.

Após 26 anos, aposentou-se, já como Vice-Presidente da empresa, em 1992. “Todos estes fatos foram importantes – a equipe da Albarus tinha um entusiasmo enorme, um fator decisivo para o crescimento era esta dedicação de todos os funcionários ao trabalho na empresa. Todo mundo tinha paixão pela empresa, que respondia de um modo favorável a todos, cuidava dos funcionários, era uma empresa muito boa de se trabalhar”, relata.

Hoje, ele adora ir aos encontros de jubilados que acontecem de três em três meses para rever os amigos, colocar a conversa em dia e relembrar os tempos de empresa. Ele tem um escritório até hoje, que abriu quando saiu da empresa, Victor Pinto Vieira e Companhia Ltda. Victor é casado com Wanda Carvalho Pinto Vieira e tem três filhos: Ana Lúcia, Victor Neto e Gilberto, que lhe deram sete netas – Luciana, Carolina, Mariana, Manuela, Júlia, Cláudia e Gabriela. E Victor já é bisavô de Isadora e Beatriz. Adora ficar com a família e, para manter a saúde, gosta de caminhar. Além disso, lê três jornais por dia para se manter informado e adora ler biografias e livros de história.

O que ficou de tudo isso? “Quando penso na Albarus, tenho um sentimento de satisfação, de uma fase de vida realizada, fico muito contente por ter participado da sua evolução, foi uma empresa que me satisfez demais. Sempre houve uma cordialidade muito grande entre a equipe que trabalhou lá,  sabíamos lidar com as diferenças com respeito, e sou grato por ter convivido com gente de primeira linha nos meus anos de Albarus – alguns, infelizmente, já partiram, infelizmente… Mas assim é a vida”, conclui.

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“A equipe da Albarus tinha um entusiasmo enorme, um fator decisivo para o crescimento era esta dedicação de todos os funcionários ao trabalho na empresa. Todo mundo tinha paixão pela empresa, que respondia de um modo favorável a todos, cuidava dos funcionários, era uma empresa muito boa de se trabalhar.”

Victor Pinto Vieira