Vanderlei

Baldi

Atuando na área de manutenção por 33 anos, Vanderlei Baldi só traz boas recordações de sua trajetória profissional e mostra que o sucesso da empresa está ligado mais aos homens do que às máquinas.

Se tem algo que Vanderlei Baldi sabe muito bem é colocar as coisas nos eixos. Em 2017, o mecânico encerrou sua carreira na unidade da Dana, em Jundiaí, após 33 anos atuando na manutenção de máquinas e equipamentos de todos os setores da empresa. O trabalho aprendeu um pouco na prática, com os líderes ensinando a forma correta de fazer os reparos, e um pouco na teoria, nos inúmeros treinamentos técnicos realizados dentro da companhia.

Vanderlei começou a trabalhar na empresa no dia 22 de julho de 1984, aos 22 anos. Apesar de jovem, já trazia na bagagem oito anos de experiência em fábricas de cerâmica, mais especificamente na produção de blocos, telhas e tijolos. “Mesmo sendo um ambiente industrial, eram locais completamente diferentes e à princípio estranhei um pouco o excesso de ruído e de calor, mas tudo isso melhorou ao longo dos anos com a chegada equipamentos mais modernos e legislação mais rigorosa. Foi muito bacana acompanhar essa evolução”, diz.

O profissional lembra de mudanças importantes como a chegada dos fornos a gás, que além de serem mais limpos, não poluíam, assim como os escapes de martelo que ganharam canaletas subterrâneas reduzindo o nível de ruído no interior da fábrica. Também foram incorporados vários aperfeiçoamentos ergonômicos e de segurança com o objetivo de reduzir o esforço físico dos colaboradores e evitar acidentes. “Depois da implantação da ISO/TS, tivemos o Programa de Prevenção de Riscos em Prensas e Similares, que trouxe avanços tecnológicos como a cortina de luz que parava a máquina imediatamente caso o funcionário ultrapassasse um espaço predeterminado”, conta Vanderlei. O lado bom de vivenciar tanta mudança é que o trabalho do dia a dia sempre tinha ares de novidade. “Não era nada monótono. Uma hora você estava ajustando uma determinada máquina, outra regulando um equipamento completamente diferente do outro lado da fábrica. A gente andava muito”, recorda.

Outro ponto destacado por Vanderlei era o trabalho em equipe. Como os equipamentos eram pesados, as atividades de manutenção eram realizadas sempre em grupo. “A boa comunicação era fundamental para fazer o serviço correto. O trabalho começava com uma reunião prévia para acertar o que ia ser feito e só depois dos procedimentos devidamente definidos podia mexer na máquina, caso contrário a gente corria o risco de se machucar ou até machucar um colega.” A sintonia com a equipe e com os outros profissionais da casa ultrapassou os muros da empresa e até hoje Vanderlei mantém contato com muitos deles. “Nesses 33 anos nunca criei inimizade, sempre fui aberto ao diálogo. Aliás essa é uma característica essencial em qualquer momento da vida e em qualquer ambiente porque não adianta você estar em um lugar e não sentir-se bem, seja profissionalmente ou até com a própria família”, ensina.

Aliás, o lado humano e o acolhimento interno fizeram com que Vanderlei jamais pensasse em sair da empresa, contrariando seu plano inicial de ficar no emprego por apenas dois anos. O mecânico comenta que a lógica do mercado tradicional é ter uma empresa e pessoas trabalhando nela, mas ali ocorria uma inversão desses valores com as pessoas construindo a empresa e cita casos importantes que confirmam sua crença. O primeiro deles foi no nascimento de sua filha. “A Fernanda foi um bebê prematuro e precisou ficar 30 dias internada. Nesse período, tive todo o respaldo da assistência social que acompanhou o caso até a alta. Atitudes como essa incentivam a gente a continuar na empresa.”

Depois aponta o comportamento da chefia de compreender que às vezes a vida pessoal não cabe dentro do horário de trabalho. “A gente fazia muita hora extra, toda vez que a empresa chamava estávamos lá. Mas tinha a contrapartida, quando a gente precisava eles também nos davam horas livre. Hoje por conta das leis trabalhistas essa flexibilidade não é possível, mas antigamente era algo recorrente e muito valioso para nós, visto como um reconhecimento à nossa dedicação.”

Outro momento importante destacado por Vanderlei foi a chegada da Dana, que trouxe fôlego novo para o negócio. Um alívio para quem não enxergava futuro promissor para a forjaria. “Foi uma transição tranquila, tivemos mudanças, mas todas necessárias para o bom andamento da empresa. Fomos muito bem acolhidos e desde o início eles diziam que o objetivo era formar uma grande família. Acredito que o projeto primordial da Dana é a união e o maior exemplo disso é o grupo de veteranos”, reforça. O que mais gosta ao encontrar os antigos colegas é ver as pessoas que batalharam com ele bem, alegres e com saúde. “A gente estava sempre junto. Nascia um filho, ia visitar. Tinha as confraternizações na ADC, no sindicato ou nós mesmos alugávamos uma chácara para fazer churrasco. São como pessoas da nossa família.”

O único sonho que ficou para trás foi o de cursar uma faculdade. “O trabalho e a vida pessoal acabam absorvendo o nosso tempo, principalmente depois do casamento e dos filhos. Aí temos que escolher o que é mais importante”, comenta. Mas não há nada de lamento no comentário. Vanderlei é um homem realizado e extremamente feliz, justamente por ter feito a opção pela carreira e pela família. Trocou o curso superior pelo aprendizado nos treinamentos recebidos na fábrica e pelo orgulho de ver os três filhos formados. Fernanda, a filha mais velha, é administradora de empresas; Daniele, fez engenharia de produção; e o caçula Renan estuda midiologia, na Unicamp. “É muito bom olhar para trás e ver que sua vida deu certo. Não sou rico, mas tenho tudo o que preciso para viver bem e o mais importante é que saber que tudo foi conquistado com o meu empenho, sem prejudicar ninguém e sem ter recebido nada de mão beijada. Isso preenche o ego da gente.”

Depois de 40 anos na ativa, Vanderlei não pensa em voltar a trabalhar. Quer curtir a neta Julia e dar atenção total à esposa Pascoalina, que tanto o ajudou a exercer a profissão com tranquilidade. Também participa das atividades da igreja, ajudando nos bazares promovidos pela comunidade, está sempre na ativa cuidando da mãe e da sogra e para relaxar dedica-se à boa e velha pescaria. Ou seja, uma vida completamente azeitada e com a manutenção em dia.

Vanderlei Baldi 1

“É muito bom olhar para trás e ver que sua vida deu certo. Não sou rico, mas tenho tudo o que preciso para viver bem e o mais importante é que saber que tudo foi conquistado com o meu empenho, sem prejudicar ninguém e sem ter recebido nada de mão beijada. Isso preenche o ego da gente.”