Tito Lívio

Goron

Uma trajetória de 35 anos de dedicação à mesma empresa, cheia de desafios e muita luta. Tito Lívio Goron sorri ao lembrar de tudo o que viveu na Albarus e na Dana, e considera-se, acima de tudo, um homem realizado. “Sinto-me satisfeito ao olhar para trás com a sensação de dever cumprido, ao ver que o crescimento da empresa foi o resultado prático de negócios bem-sucedidos e trabalho de pessoas dedicadas. Foi uma caminhada de sucesso empenhada por uma equipe séria e dedicada, que trabalhou muito em conjunto”, resume.

E sempre foi assim, desde os primórdios de seus tempos de Albarus, quando entrou na empresa como estagiário de Manutenção, em 13 de agosto de 1963, na fábrica de Porto Alegre, convidado pelo então Gerente, Carlos Arnt, que era seu professor de metalurgia na faculdade de Engenharia. Depois seria promovido a Supervisor de Manutenção, um dos tantos passos desta trajetória na empresa: “Tive o privilégio de viver neste período uma fase muito rica da evolução de uma empresa que se mostrou excepcional”, acrescenta.

Logo, surgiria um grande desafio para Goron. Ele relembra que, depois de uma crise em 1965, o novo time de jovens engenheiros assumiu cargos de chefia para garantir que não acontecessem problemas maiores para a continuidade dos negócios. “O Johann Limbacher assumiu a Área de Qualidade, o Hugo Ferreira atuou na Engenharia e Produção, eu assumi a Chefia de Produção… E esse grupo respondeu bem aos desafios, que eram extraordinários: nós anualmente dobrávamos, até triplicávamos a produção neste período de grande crescimento da indústria automobilística brasileira”.

Goron acredita que o sucesso desta empreitada deve-se ao pioneirismo da Albarus ao recrutar pessoas nas faculdades, os chamados ‘engenheirandos’, para que crescessem aprendendo e trabalhando dentro da empresa. “Isso se encaixou muito bem na filosofia de Recursos Humanos da Dana, que acreditava em promoção interna (promote from within) – as pessoas deviam ser incentivadas a crescer dentro da empresa – o que já era uma realidade dentro da Albarus”, esclarece.

Outra experiência marcante desta época foi a sua ida para estagiar em fábricas da Dana nos Estados Unidos e Canadá, para aprender sobre os processos usados na empresa e trazê-los para o Brasil, especialmente no caso do forjamento.

Em 1970, Goron seria promovido à Gerente de Manufatura. Lembra-se da equipe madura e participativa que começava a se delinear naquela época, resultando na construção coletiva de muitas realizações num período de muita expansão da empresa. A nacionalização de veículos aumentou muito a demanda de produção, e claro que a Albarus aproveitou este momento para crescer.

Também nesta época havia uma grande busca por pessoas com potencial para trabalhar na empresa – todavia, o mercado gaúcho apresentava carência de mão de obra qualificada. A solução, segundo lembra Goron, foi trazer gente de Santa Catarina para atuar no chão de fábrica. “Houve épocas em que metade dos funcionários da então Albarus eram catarinenses, descendentes de imigrantes europeus que acabavam atraídos por oportunidades de trabalho aqui”, explica.

A empresa passava a ser conhecida como um ótimo lugar para se trabalhar, já que aproveitava esta mão de obra, capacitava-os e incentivava-os a crescer. Tanto que acabou virando um modelo disso no Rio Grande do Sul – e Goron acredita que por conta dessa experiência, foi convidado para assumir a presidência do CIEE, o Centro de Integração Empresa Escola,  “Além disso, investíamos fortemente na nossa gente, promovíamos cursos e ações de treinamento. Aproveitávamos muita gente oriunda de cursos técnicos, que depois incentivávamos a cursar faculdade e crescer profissinalmente mais ainda”, diz. O resultado: a criação de um forte vínculo entre as pessoas e a empresa.

Outro momento destacado por Goron foi o grande incentivo ao trabalho em equipe, que começou com a implementação do Círculo de Controle da Qualidade (CCQ), e foi sendo aprimorado ao longo dos anos. “São coisas que os japoneses provaram ao mundo que são mais importantes do que capital e tecnologia pura – é a tecnologia humana, dita comportamental, fundamental para qualquer companhia de sucesso. É impressionante que pessoas que disponham do mesmo capital, mas pertençam a grupos diferentes, de distintas características humanas, comportamentais, de liderança e obtenham resultados diferentes, isso é fantástico”, explica. O resultado destes esforços? A Dana tornou-se uma das empresas pioneiras do Rio Grande do Sul em implantar e incentivar estes trabalhos em grupo, assim como a Gerdau. É desta época a sua participação na criação do CENEX, o Centro de Excelência Empresarial, para formar executivos de topo para as empresas gaúchas, com forte ação na parte comportamental dos profissionais.

Em 1973, Goron ressalta outra mudança na empresa: a organização da empresa por Divisões de produto. Ele assumiria, então, a gerência da Divisão de Juntas Universais, Victor Vieira assumiria as Juntas Homocinéticas e Hugo Ferreira, o Eixo Diferencial em São Paulo. “Depois, viriam ainda as de Embreagem, Elastômeros, e todas trouxeram este desafio de gestão, em que a responsabilidade de administração era dividida. No final, foi um sucesso, uma forma de administrar uma companhia tão grande, que precisava de uma administração descentralizada – uma ideia adaptada da Dana nos Estados Unidos”, recorda.
Goron ficaria neste cargo por três anos, assumindo depois a posição de Controller Geral da empresa, trabalhando com Enio Moura Valle. “Aprendi muito com ele, sobre finanças e recursos humanos e este foi um passo importante para a minha carreira”, relata. A mudança na carreira o atraiu para uma nova área de atuação, depois de 11 anos de chão de fábrica, para atuar no administrativo. “Eu sempre fui muito curioso, metido, adorava aprender coisas novas, e sempre tive gosto por novos conhecimentos em várias áreas – não hesitei quando o Moura Valle me chamou para ser Controller”, afirma.

No final da década de 70, Enio Moura Valle sairia para assumir a Pellegrino, distribuidora de autopeças da Dana, e Goron assumiu como Diretor Financeiro da Albarus e, em 1982, foi promovido a Diretor/Vice-Presidente de Finanças. Foram 24 anos atuando na área administrativa, ocupando cargos de chefia em finanças, recursos humanos e relações corporativas. Ele também capitaneou a Engenharia Avançada, criada por Paulo Regner.

Paralelamente, Goron estudava e se formou em Direito em 1994, sendo responsável por essa área na empresa que, na época, era uma companhia de capital aberto, e se envolveu em diversos processos de aquisição de novos negócios. “Ao longo destes 35 anos, trabalhei muito e fui de estagiário para Diretor Vice-presidente da empresa. Sou um homem realizado, porque participei de muita coisa, enfrentei muitos desafios interessantes na minha vida e na minha carreira, com a graça de Deus, com sucesso”, afirma.

Essa disposição, depois, o levaria para outro desafio: administrar uma fazenda que era da Albarus (junto com outras duas empresas, a Santa Cruz de Seguros e a Renner Herrmann (Tintas Renner). “Por cerca de 10 anos, tivemos a ARS Agropecuária, na década de 80. Os negócios estagnaram e tínhamos que proteger o patrimônio da Albarus e, na época, aquela pareceu ser uma boa chance de manter nosso capital bem aplicado. Acabamos vendendo a fazenda, porque o Governo na época não tinha propostas sérias para incentivar a agricultura, mas foi uma experiência profissional de gestão interessantíssima”, relata. Também administrou a Divisão de Eletrônica Embarcada mais tarde, outra prova da sua versatilidade profissional.

Em setembro de 98, ele deixaria a empresa, como Vice-Presidente de Administração, Finanças e Recursos Humanos. Mas claro que não parou de trabalhar – ao lado de Paulo Regner, até hoje, atua em uma Consultoria de Gestão e Manufatura. Hoje, além de continuar trabalhando, gosta de jogar golfe nos momentos de lazer. Continua atuante na Ciergs/Fiergs, como membro de vários Conselhos Técnicos e como Presidente do Banco de Resíduos – ele já havia sido diretor durante 25 anos representando a Dana. Casado com Helena, ele tem dois filhos: Luciana e Lívio, e uma neta, Luiza, de 1 ano e 3 meses.

Sobre seus 35 anos de Dana, é categórico ao afirmar sua satisfação. “Me sinto feliz pelo realizado, por ter deixado pra trás um resultado prático de sucesso, não só de negócios mas também de desenvolvimento pessoal. Nosso grupo de jubilados, que se reúne na Dana, tem uma união ímpar, prova dessa caminhada que fizemos juntos. Éramos sérios, dedicados, dávamos oportunidade uns aos outros, a amizade se estendeu até as famílias. Não era fácil na época fazer as coisas, mas conseguimos alcançar resultados admiráveis juntos”, finaliza.

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“Me sinto feliz pelo dever cumprido, por ter deixado pra trás um resultado prático de sucesso, não só de negócios mas também de desenvolvimento pessoal. Nosso grupo de jubilados, que se reúne na Dana, tem uma união ímpar, prova dessa caminhada que fizemos juntos. Éramos sérios, dedicados, dávamos oportunidade uns aos outros, a amizade se estendeu até as famílias. Não era fácil fazer as coisas, mas conseguimos fazer coisas admiráveis juntos”

Tito Livio Goron