Silvia Maria

Rodrigues

Silvia Maria Rodrigues é conhecida dentro da Dana pela sua elegância impecável e dedicação à empresa. Meticulosa, aprendeu muito nos seus 37 anos de serviços prestados dentro da companhia, lidando com diferentes pessoas e desafios enormes.

Ela iniciou sua carreira na Dana aos 18 anos, no dia 15 de março de 1968 – foi o seu primeiro emprego, ela havia acabado de se formar em Secretariado. Lembra como se fosse hoje de como soube sobre a vaga: num veraneio em São Lourenço, o último como estudante, encontrou o primo Breno Fröming em pleno Carnaval, que a convidou para entrar na empresa. Ela respondeu como qualquer garota em férias: “Logo agora, você vem com essa conversa – nas minhas últimas férias e em pleno Carnaval?”, recorda, aos risos. Seria a última atitude de adolescente descompromissada – de volta a Porto Alegre, procurou Breno e iniciou um longo processo de seleção para entrar na empresa. Até prova de matemática a jovem secretária fez! Para que tivesse certeza de que não seria simples o começo de carreira…

Mas ela foi aprovada e iniciou trabalhando como secretária do Controle de Qualidade, na época, chefiado pelo engenheiro Johann Wolfgang Limbacher. Foram mais de oito anos de convivência e aprendizado contínuo, dentro da fábrica e inteirando-se dos processos de qualidade, essenciais para uma empresa tão reconhecida nisso como a Albarus.

Sílvia casou com Renato em 1974, e teve o seu filho, Alexandre – hoje, já também casado. Se hoje é difícil para uma mulher conciliar casamento e maternidade, imagine na década de 70… A Albarus era muito exigente, mas ela guarda apenas boas recordações desta época. Em 1976, a empresa guardava um novo desafio para ela: trabalhar como secretária da Diretoria. “Eu sabia que ia ser completamente diferente, mas nunca tive medo de desafios. O inglês estava meio enferrujado, então eu ficava muito tímida ao atender ligações do exterior – tudo isso, foi melhorando com o tempo”. Ela relembra que a pressão era tamanha que, toda noite, ela sonhava em inglês. Até 1981, ela trabalharia neste mesmo cargo, secretariando Levi de Araújo Brum e também o Dr. Luiz Manoel Rodrigues, que se agregou à sala da Diretoria durante este período. Nesta época, também atendia Jorge Schertel. Ela lembra que, uma vez, Zeca Bohrer a pegou chorando no corredor e, como esse não era um comportamento típico dela, ficou assustado e perguntou o que tinha acontecido. Ela disse: “estou me sentindo o próprio carrasco – fui designada a chamar as pessoas que seriam demitidas naquele dia à Diretoria”, recorda.

Mas, logo, ela teria uma nova experiência na empresa – seria convidada a secretariar o Departamento Financeiro, na época chefiado por Flávio Bressiani. Nessa época, aprendeu muita coisa a respeito de finanças, e ali ficou até 1986, quando foi convidada a voltar a secretariar o Dr. Luiz Manoel Rodrigues. Isso porque a secretária dele, Marli Gonzatti, tinha concluído o curso de comunicação e foi realocada para o núcleo de comunicação da empresa. Voltou – e, logo, o advogado da empresa, Dr. Arthur Villagrande, também tornou-se seu chefe. Era a hora de aprender sobre Direito e leis trabalhistas. Mais tarde, Marcelino Perlott, também trabalharia com ela.

Dessa época, data outro desafio: a troca da máquina de escrever para o computador. “Eu havia datilografado a vida toda, usei taquigrafia também, mas o computador, em seus primórdios, exigia comandos muito mais complicados do que os de hoje. Por mim, a tecnologia teria ficado na máquina de escrever elétrica, que era uma maravilha”, ri.

Em 1991, Silvia passa a secretária de Tito Livio Goron, e também era responsável pela folha de pagamento da Diretoria. “Lembro que me fechava numa sala para fazer isso e, mais tarde, precisava ir ao RH passar a ficha para o sistema”. Era uma responsabilidade enorme, mas ela adorava cuidar disso – tanto que, em 1994, ela pediu para trabalhar no RH. “Recursos Humanos é uma área muito gratificante, é quem dá assistência ao ser humano. Recebia muitos agradecimentos, mas tinha a noção de que estava apenas fazendo o meu trabalho”, diz.

Depois de 34 anos em Porto Alegre, chegava a hora dela trabalhar na Unidade de Gravataí da Dana. Ela, literalmente, apagou a luz da antiga Albarus em Porto Alegre. “Foi marcante na minha vida – em Porto Alegre, eu conhecia todas as pessoas. Lembro que, uma semana antes da mudança definitiva, almocei na Dana em Gravataí, e estava tão nervosa que não conseguia engolir a comida. Foi um susto! Confesso que, na primeira segunda-feira em que peguei o ônibus para Gravataí, chorei quando ele passou em frente a fábrica de Porto Alegre. Era como se eu não pudesse entrar mais na casa da minha mãe”.

Claro que, com o tempo, ela acostumou à nova realidade – afinal, ficou até 2004 trabalhando em Gravataí, onde viveu mais uma série de ótimas histórias profissionais. De fato, sua despedida mostrou a ela como era querida pelos colegas – tanto que ainda voltaria para preencher férias de algumas colegas do secretariado. “Dos quase quarenta anos de carreira na Albarus e na Dana, ficaram muitas histórias incríveis, um aprendizado sem tamanho e muitos – mas muitos! – bons amigos. A empresa me deu todo o conforto que desfruto hoje e me sinto muito grata por isso, não consigo ter palavras pra agradecer”, conclui. Hoje, ela segue morando em Porto Alegre com o marido e a mãe, com quem ama passear pela cidade. Uma história marcante? “Nos anos 70, as mulheres tinham que trabalhar de saia, mesmo no frio gaúcho! Eu e uma série de mulheres, inclusive algumas da fábrica, fomos pedir ao diretor para usarmos calças compridas nestes dias mais frios. Acredita? Lembro muito das Hell Weeks, também, o clima de preocupação geral porque os chefes americanos estariam na empresa, as apresentações montadas à mão, em xerox… Tudo valia à pena!”, diz.

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Dos quase quarenta anos de carreira na Albarus e na Dana, ficaram muitas histórias incríveis, um aprendizado sem tamanho e muitos – mas muitos! – bons amigos.

A empresa me deu todo o conforto que desfruto hoje e me sinto muito grata por isso, não consigo ter palavras pra agradecer

Silvia Maria Rodrigues