Sidney Del Gaudio

Sidney

Del Gaudio

Estratégia, trabalho e determinação, três ingredientes que marcaram a carreira de sucesso de Sidney Del Gaudio na Dana. Entrou na empresa jovem e ganhou experiência e  conhecimento, atuando em cargos com responsabilidade crescente, chegando a Vice-presidente.

Estudante de química e em busca do primeiro emprego, Sidney sonhava em trabalhar em uma grande empresa química, com belos jardins e o nome da empresa majestosamente escrito no alto da torre d’água. A realidade dos anos 60, com a primeira crise da era industrial assolando a economia do país, fez cair por terra a tão almejada vaga de estágio. Para ter a própria renda, o jeito foi procurar oportunidades em outros segmentos de mercado. Soube por amigos que a então Albarus expandia suas operações para São Paulo e resolveu arriscar. “Quando cheguei na empresa, na rua Henry Ford, no parque industrial da Mooca, não gostei do lugar, bem diferente de tudo o que eu esperava. Fiz a entrevista totalmente descompromissado porque não tinha o menor interesse de trabalhar ali. Acabei ficando por 31 anos, de julho de 1967 a outubro de 1997”, recorda. O salário atrativo, principalmente para alguém com 18 anos e em início de carreira, superou rapidamente os desejos por uma bela arquitetura e vista bucólica.

Sem experiência, mas com muita sede de aprendizado, o jovem não recusava tarefa e fazia de tudo um pouco. “Meu chefe era o Hidegi Tegoshi e eu executava o que ele pedia. Pagava contas, cobrava os clientes, ia às compras. Comecei como um office boy de luxo e cheguei até a vice-presidência”, observa. A contratação de Sidney coincidiu com uma nova fase da empresa, que três meses antes teve seu controle acionário assumido pelo até então, sócio americano Dana. O executivo não só foi testemunha do nascimento de um novo modelo de gestão como parte de um movimento importante de crescimento da empresa no país. Entre seus feitos mais memoráveis, lembra com satisfação de participar da expansão das instalações da empresa, a começar pela mudança da Mooca para uma unidade fabril em Santo Amaro. “Crescemos rápido no novo endereço e logo o espaço ficou pequeno. Com o alto custo dos imóveis em São Paulo optamos pelo interior, onde tive o privilégio de participar ao lado do Leão de Oliveira, Rui Garcia e do Hugo Ferreira da constituição da fábrica de Sorocaba, até hoje a uma operação estratégica da empresa fora do Rio do Grande do Sul”, destaca. Também atuou ativamente nas várias ampliações, inclusive da compra de um concorrente em Osasco e de sua transferência para Sorocaba.

Foram tantas promoções ao longo da carreira, que Sidney sequer recorda as datas em que assumiu as novas funções. Foi comprador, supervisor de vendas, gerente de vendas, gerente de divisão e vice-presidente. Na época em que atuou como gerente de vendas percorreu o Brasil, chegando a ficar até 45 dias fora de casa. “Na década de 70, as passagens aéreas eram extremamente caras, então não dava para ficar indo e voltando. A gente saia de São Paulo, subia rumo ao Nordeste e parava em Manaus”, conta. A vida estradeira só diminuiu após o casamento com a Regina, em 1975.

Outro feito que o deixa extremamente orgulhoso é ter participado da entrada no segmento de aplicações industriais, desenvolvendo componentes, como o eixo cardan, para máquinas agrícolas e rodoviárias e aplicações industriais diversas. “Foi um período muito rico em termos de oportunidades porque o mercado brasileiro estava pronto para ser desbravado, bastava apenas um forte conhecimento sobre o segmento para descobrir novos nichos de negócios. Foi assim que conseguimos transformar a Dana na principal empresa de autopeças daqueles tempos, ninguém se aproximava de nós em termos de resultados”, analisa. O desempenho acima da média Sidney atribui ao experiente time de trabalho os líderes que identificaram seu potencial e o treinaram ao longo da carreira. “Entre eles posso citar o meu guru Zeca Bohrer, Enio Moura do Valle, o Hugo Ferreira, o Paulo Regner, o Moacyr Negropuerta, Tito Livio Goron, entre outros importantes executivos da empresa.”

Com as filhas Maria Elisa e Maria Amélia adolescentes, Sindey foi transferido para Porto Alegre, em 1989, assumindo a então divisão Albarus Spicer no Complexo Industrial de Gravataí, que na época agregava as divisões de Juntas Universais (cruzetas), Elastômeros e Forjaria, além da planta de Sorocaba com a Divisão de Eixos Diferenciais.

“Fiquei oito anos no comando dos negócios por lá e gostei muito de morar no Sul, principalmente de ver o quanto o povo gaúcho valoriza sua cultura e mantêm as tradições”, afirma. Foi dele, inclusive, a iniciativa de batizar a rua onde fica o acesso principal as operações em Gravataí com o nome do fundador da empresa. “A gente ficava em uma área industrial e só tinha como referência o número. Conversei com um vereador e entramos com o pedido na prefeitura. Hoje o endereço da Dana naquela cidade é rua Ricardo Bruno Albarus.”

Os méritos ao longo da carreira foram vários, mas Sidney também passou por algumas situações delicadas, uma em especial hoje até considera divertida, mas na época lhe rendeu certos aborrecimentos. Um deles aconteceu durante uma palestra no hotel Meliá, em São Paulo, em 1995. As montadoras estavam mudando o processo produtivo, deixando de comprar matéria-prima e fabricar os próprios componentes para adquirir os sistemas prontos. A Dana já fazia este processo nos Estados Unidos e Del Gaudio virou um especialista no assunto. Em sua apresentação para 400 profissionais da área, o executivo explicou como funcionava o trabalho dos Sistemistas, como a atividade foi nomeada na época. “Em determinado momento comentei que para trabalhar com as montadoras era preciso ter uma estrutura sólida e recursos financeiros e tecnológicos robustos para melhor balancear a relação Montadora x Autopeças, porque a gente não podia atrasar os componentes para não paralisar a linha de montagem dos clientes ou atrasar desenvolvimento de novos projetos. E para demostrar essa dependência com as montadoras, sempre poderosas, disse que a relação era igual a dançar com uma ursa polar, é aconchegante e macio, mas para parar precisa da autorização dela”, descreve.

O problema é que havia um jornalista da Gazeta Mercantil na plateia e acabou tirando as palavras do contexto. No dia seguinte saiu na primeira página do jornal uma declaração do executivo dizendo que a relação das autopeças com as montadoras era desigual. “Cheguei no trabalho sem saber de nada e aí começaram os telefonemas. Algumas pessoas me parabenizando, outras me dando um puxão de orelha. Até o CEO da Dana dos Estados Unidos me ligou para tirar satisfação. Passei vários dias explicando o que realmente aconteceu e por muito tempo fui chamado no meio, inclusive dentro das montadoras, como o homem da ursa”, reconhece. Ao mesmo tempo em que o episódio causou um certo desconforto para sua carreira, trouxe também fama. “Recebi várias cartas e também fui convidado para ser vice-presidente do Sindipeças, que por motivos óbvios, recusei. Mas guardo o jornal de recordação até hoje.”

Após a saída da Dana, em 1997, sua carreira continuou em ascensão. Foi presidente por 14 anos de uma multinacional nos Estados Unidos, onde além de aprender a trabalhar em um mercado com uma economia estabilizada e menos burocrática, passou a atuar com mercados na Ásia. Hoje, está ligado a grupos de investimentos americanos (Private Equity) em atividades de compra e venda de empresas no país (M&A).

Com cerca de 50 anos de atividades profissionais, o executivo até cogita reduzir um pouco o ritmo do trabalho por pressão familiar e para desfrutar um pouco de tudo o que conquistou. É hora também de acompanhar o crescimentos das netas Giovanna, Isabella e Valentina.

Ao fazer um balanço da sua trajetória, Sidney reconhece que deixar a Dana foi um processo bastante doloroso, mas sem isso não teria chegado onde está. “Eu tinha um senso de pertencimento arraigado, muitas amizades, é difícil sair de um ambiente assim, mas graças ao meu legado dentro da empresa dei sequência à minha carreira e hoje posso dizer que sou um homem realizado”, completa.

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“Foi um período muito rico em termos de oportunidades porque o mercado brasileiro estava pronto para ser desbravado, bastava apenas um forte conhecimento sobre o mercado para descobrir novos nichos de negócios. Foi assim que conseguimos transformar a Dana na principal empresa de autopeças daqueles tempos, ninguém se aproximava de nós em termos de resultados.”

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