Sérgio Luiz

Lessa de Gusmão

Ele iniciou sua carreira na empresa como office-boy e diz que a Albarus foi uma grande escola profissional onde aprendeu muita coisa que, mais tarde, aplicaria na sua carreira.

Sérgio entrou na empresa quando tinha apenas 16 anos – ele tinha um tio, Ataídes Lessa, que trabalhava na Divisão de Cardans e ele soube que havia uma vaga para trabalhar na Engenharia como office-boy – mais especificamente no Departamento de Métodos e Processos, como era conhecido na época. “Esse tio, então, me enviou um bilhete em casa dizendo para comparecer na empresa – isso em agosto de 1971, para fazer entrevista no RH da Albarus”, conta.

No dia seguinte, Sérgio apareceu na Albarus para se candidatar à vaga – com uma única recomendação do tio Ataídes: “se te perguntarem se tu jogas futebol, diz que sim, eles estão precisando de um goleiro pro time de futebol da engenharia”. Sérgio diz, aos risos, que não sabe se foi contratado pra ser office boy ou goleiro. “Fui entrevistado pelo Erni Koppe e pelo Edgar Albarus que, depois de perguntar sobre meus estudos, perguntaram se eu jogava bola. Fui admitido e acho que devo ter trazido algumas boas contribuições para a empresa, mas não muitas para o time da engenharia”, ri.

Sua trajetória na Albarus iniciou em 25 de agosto de 1971 como office-boy e, durante seu primeiro ano de empresa, não tinha muito contato com a produção. “Eu cuidava da chamada Mapoteca, que era o arquivo dos desenhos; e operar a máquina heliográfica, a máquina de cópias dos desenhos feitos em papel vegetal”, relata. Em 1972, Sérgio foi promovido a Cronometrista da Produção, estudando tempos e movimentos. “Eu tive uma aula de 30 minutos com o João Carlos Araújo e logo comecei nessa função – o que não imaginava é que eu trabalharia com isso nos 30 anos seguintes da minha vida”, afirma.

Em 1972, Sérgio já tinha entrado na Escola Parobé, o colégio técnico que formava muitos albarianos que estudavam metal-mecânica. “Ficava o dia inteiro na fábrica, cronometrando pessoas, processos e fazendo muitos cálculos – naquela época, usávamos apenas as réguas de cálculo e a primeira calculadora eletrônica que chegou na fábrica, uma Sharp com 4 operações”, lembra. Em 1978, quando já havia terminado seus estudos no Parobé, matriculou-se em Administração na faculdade São Judas, que ficava perto da sua casa, mas acabou estudando somente 2 semestres (mais tarde, se arrependeria muito dessa decisão).

Depois disso, Sérgio começou a trabalhar com Métodos, assumindo as demandas de espaço na fábrica quando chegava uma nova máquina ou algum operador precisava ser contratado. “Isso foi evoluindo até eu cuidar da reorganização da fábrica como um todo, que nós chamávamos de layout da fábrica – acabei responsável por fazer isso na Albarus porque gostava bastante desta função”, afirma.

Em 1982, com o apoio da equipe de Manutenção, Sérgio capitaneou uma grande mudança no layout da fábrica da Albarus em Porto Alegre, o que lhe deu bastante experiência e trouxe muito aprendizado também. “Depois de aprovado o projeto, cabia a mim cumprir o cronograma e trabalhar muito com reformas elétricas e estruturais na fábrica, que sempre deviam acontecer aos domingos – era um trabalho gigantesco e a fábrica não podia parar nunca”, ressalta. Resultado? Até hoje, ele lembra que, em 1982, o ano teve 52 domingos em todo o ano e ele se deu conta de que trabalhou em 40 deles. “Fazia meu trabalho com muita dedicação, carinho, orgulho e sem qualquer sombra de reclamação ou desculpa – a gente apenas fazia e não precisava ninguém mandar a gente fazer, apenas fazíamos”, afirma.

Sérgio diz que vivenciou muitos momentos importantes dentro da Albarus, e destaca o perfil das lideranças da empresa. “Eram todos apaixonados pela companhia – eles discutiam muito, mas por paixão à camiseta, queriam melhores resultados, mais produtividade e os colaboradores sentiam isso e colaboravam também – isso era muito bacana”, afirma. Ele conta que alguns líderes como Wolff Zwick, Gastão Bangel e José Domingos Miotti eram considerados os ‘decanos’ da empresa – pessoas a serem consultadas e cujo trabalho tinha um retorno enorme para a Albarus.

Em 1982, Sérgio saiu da Albarus num momento de grande crise econômica no país, e decidiu retomar os estudos: matriculou-se no curso noturno de Administração na PUC/RS. Hoje, atua como Vice-Presidente Administrativo da PUC e já concluiu seu Doutorado em Administração pela mesma universidade. Ele também é Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da PUC e conta que a Albarus o ensinou muita coisa e também deixou saudades. “Mantive vínculo com alguns colegas de Albarus, como o Sérgio Corrêa, o Marco Antônio Lanes e alguns outros que tinham mais ou menos a mesma idade que eu mas, sempre que eu encontro os demais colegas, ficamos conversando muito sobre os tempos de empresa. Tenho saudades da empresa, que foi uma grande escola pra mim”, diz.

Sérgio é casado com Vilma desde 1978 e tem dois filhos, Felipe e Mariana.

Sérgio Luiz Lessa de Gusmão

“Eram todos apaixonados pela companhia – eles discutiam muito, mas por paixão à camiseta, queriam melhores resultados, mais produtividade e os colaboradores sentiam isso e colaboravam também – isso era muito bacana”.