Rubens

Chiodi

43 anos de Dana passados, em sua maioria, como Plant Manager, fizeram que o nome de Rubens Chiodi fosse conhecido pela fábrica como excelência em gestão de processos e pessoas.

Sua carreira iniciou na Timken, uma fábrica de rolamentos, onde ele atuava como Ferramenteiro. Um colega seu tinha interesse em trabalhar na Albarus e convenceu Rubens a ajudá-lo no processo de seleção. “Eu tinha curso técnico avançado, e calculava as especificações dos tornos para ele, então ele sugeriu que fôssemos juntos até a Albarus”, lembra. Lá, foram entrevistados por Otto Eichler para duas vagas de Contramestre de Produção. Chiodi tinha acabado de se casar e não pensava em sair da Timken, mas a proposta da Albarus foi boa e ele aceitou o desafio em 1974, sem saber que passaria 43 anos trabalhando lá.

Como a maioria dos inícios, não foi fácil. “A fábrica ainda era desorganizada, e comecei como Contramestre da Linha de Montagem de um produto que eu não conhecia, o Eixo Diferencial, e ele tinha muitos detalhes”, conta. Chiodi mergulhou em leituras técnicas em inglês e aprendeu bastante sobre o produto em questão, e diz que seus primeiros 6 meses na empresa foram bastante difíceis – ele ainda estava acostumado com a turma de amigos de outra empresa e demorou a se habitar à nova realidade. “Mas com colegas como Cleto Coimbra, Balsemino Esteves, Otto Eichler e Hugo Ferreira, difícil é não se integrar”, diz, aos risos.

Durante 7 meses, ele permaneceu neste cargo, até a Montagem ficar organizada e “rodando direitinho” – então, Chiodi foi transferido para a Usinagem, onde deveria começar a mapear o processo produtivo, e ocupou o cargo de Supervisor do Semi-Eixo, Tubo, Pinhão e Coroa. “Foi fácil assimilar informações sobre estes produtos, e ali permaneci por 1 ano e meio, botando a casa em ordem”, sorri.

Em 1977, ele enfrentou um novo desafio: trabalhar na Engenharia de Processo. “Eu sempre atuei dentro da fábrica mas, desta feita, fui chamado pra desenvolver dispositivos para o Modelo 80, coordenando sua produção paralelamente”, conta. Dois anos depois, em 1979, Chiodi foi transferido para o Departamento de Qualidade, para atuar como Supervisor Geral de Qualidade da fábrica. “O Hugo Ferreira era Vice-Presidente da Dana na época, e o Engenheiro Pedroza passou a Plant Manager da nossa fábrica no começo da década de 80, e acabei voltando para o Processo depois deste tempo breve na Qualidade”, lembra.

Em seguida, um novo desafio: a fábrica de Eixos da Ford foi comprada pela Dana, que queria começar a produzir estes eixos na fábrica do bairro do Socorro, em São Paulo, onde Chiodi atuou todo este tempo. “Transferimos, então, toda a fábrica para a Unidade do Socorro, reorganizamos o layout da fábrica, vimos o que podíamos aproveitar de máquinas e que ajustes teriam que ser feitos e também o trabalho de manutenção. Foi uma loucura de tanto trabalho”, recorda. Mas deu tudo certo e, logo, a Dana começou a atender os pedidos da Ford.

Em 1981, Paulo Regner era o Diretor de Manufatura da Dana Brasil, e promoveu José Domingos Miotti a Plant Manager do Eixo. Chiodi foi designado para trabalhar com Miotti ajudando no que precisasse e cuidando da Usinagem, Compras e Importação (um grande desafio nos anos 80, quando o governo impunha uma série de restrições às empresas).

Chiodi ocupou esta posição por 3 anos, até ser promovido a Plant Manager, com a volta de Miotti à fábrica de Gravataí. “No meu primeiro mês neste cargo, fui enviado para a fábrica da Dana em Fort Wayne para fazer um curso da Dana University, onde fiquei durante um mês”, diz. E, nos próximos oito anos, este foi o cargo de Chiodi, que respondia diretamente ao então Vice-Presidente da empresa, Sidney Del Gaudio. “Foi uma época de muitas mudanças, novos produtos e clientes e muito crescimento, tenho boas lembranças”.

Em 1989, porém, ele não esperava ter que se mudar para o Rio Grande do Sul, para trabalhar na fábrica de Cardans de Gravataí. “O Ferreira me convenceu, dizendo que eu era o primeiro Plant Manager promovido por ele, então não tive como dizer que não”, ri Chiodi, “falei com minha esposa e os filhos e nos mudamos”, relata.

Ele assumiu a fábrica de Cardans de Gravataí com Sidney Del Gaudio, e eles também ficariam responsáveis pela Forjaria. “Houve alguma rejeição no nosso início lá, era uma época muito ruim para o país – a então ministra Zélia Cardoso havia congelado as poupanças e tínhamos que nos preparar para uma enorme crise que se avizinhava. Os negócios caíram bastante e, com muita tristeza, tivemos que demitir pessoas. Até hoje, penso naquelas pessoas… Doeu demais fazer aquilo”, conta, emocionado.

Chiodi conta que, nesta época, também trabalhou bastante com Francisco D’Ávila na conquista do cliente Mercedes. “Foi um namoro longo, e fomos aplicados no cortejo”, ri. Depois desta época de crise, a Dana ainda conquistaria a exportação de cardans e também a produção de cardans para a Scania. “Fui para a Suécia com o Clovis Krás e o Erni Koppe aprender sobre o processo produtivo e comprar equipamentos pra este fornecimento”, afirma. Mais ou menos nesta época, a Dana começou também a fornecer o cardan do Ômega.

Ele lembra de uma conquista desta época com bastante orgulho: a reforma dos 3 restaurantes da Dana de Gravataí para oferecer mais conforto aos colaboradores. “Nesta época, eu estava tão ambientado que cheguei a construir uma casa em São Leopoldo, onde achei que ia morar até o fim da carreira, mal sabia eu…”, conta, bem-humorado. Alguns meses depois, ele seria realocado para Sorocaba – ele ficaria por 4 meses no vai-e-volta de Porto Alegre, até decidir voltar para São Paulo de vez. “A Dana havia comprado a fábrica Braseixos Rockwell, e eu fui um dos colaboradores destinados a transferir a fábrica”.

Por volta de 1999, a Dana comprou a Stevaux, e o então Plant Manager da Divisão de Elastômeros Vicente Motta precisava de um homem de confiança para transferir a fábrica. “Ele me chamou e recrutei gente de minha confiança, como Balsemino Esteves, para este processo, que durou mais de ano”, conta.

Em agosto de 2004, a última mudança em sua carreira: Chiodi foi promovido a Plant Manager da Nakata, em Diadema, cargo que ocupou durante 5 anos. Ele, então, teve um problema de saúde e perdeu a visão, se afastando da empresa por razões médicas. “Tudo valeu a pena na Dana, tenho muitas saudades da empresa e aprendi muito lá dentro. Fiz alguns amigos para a vida toda, e tenho a convicção de que fiz o que podia para ajudar o crescimento da empresa”, finaliza.

Ele é casado com Marlei há 43 anos e pai de Ricardo, Roberta e Renato. Chiodi acabou de ser avô de Lucca, filho de Roberta, que tem apenas três meses de idade e mora com o vô coruja.

Rubens Chiodi

“Tudo valeu a pena na Dana, tenho muitas saudades da empresa e aprendi muito lá dentro. Fiz alguns amigos para a vida toda, e tenho a convicção de que fiz o que podia para ajudar o crescimento da empresa”.

Rubens Chiodi