Rosa

Eli Araújo Lichman

Durante quase 36 anos, Rosa trabalhou como secretária e em diferentes setores administrativos, sempre com uma missão: dar seu melhor pela empresa e construir uma história de muito trabalho e honestidade acima de qualquer coisa.

Rosa estudou Técnico em Contabilidade na Escola Técnica José Feijó, em Porto Alegre, e se formou em 1978. Seu primeiro emprego foi na fábrica de tecidos Astrakan e, depois, foi trabalhar na Dentária Guaíba – nas duas empresas, atuando na área de Compras. Foram duas experiências profissionais curtas e, quando ela decidiu sair da Dentária Guaíba, seu irmão Gerci, que já trabalhava na Albarus, sugeriu que ela fizesse ficha para a empresa. “Meu irmão trabalhou lá por 25 anos e, nesta época, era do Departamento de Qualidade e gostava bastante da Albarus”, diz. Rosa candidatou-se, fez uma série de testes no recrutamento e lembra de uma história curiosa: “eles marcavam os testes, eu ia até a empresa e nunca dava certo da psicóloga me atender, por um motivo ou outro. Ao final desta etapa, eles me chamaram na Albarus e disseram que meus resultados tinham sido medianos nos testes mas que, pela minha persistência, a vaga seria minha”, conta, aos risos.

Ela iniciou sua carreira na Albarus em 25 de maio de 1980, quando foi contratada como auxiliar de escritório atendendo o Engenheiro Valdocir e o Engenheiro Nogueira, na Engenharia de Métodos e Processos e na Ferramentaria.

Em 1982, a empresa passou por uma crise e Rosa foi realocada dentro da empresa. “Lembro que éramos em 10 secretárias e ficaram somente 2 – eu fui trabalhar no departamento de compras, junto com o Jorge Wallau, como auxiliar de compras da Divisão de Juntas Universais. “Eu gostei dessa etapa da minha carreira – tanto que fiquei trabalhando nesta área todo o resto da minha carreira na empresa”, afirma. Rosa ainda conta que, logo depois, o departamento de Compras uniu-se com o pessoal do Compras da Divisão de Juntas Homocinéticas cujo chefe era Mário Brescher.

Em 1984, Rosa casou-se com João, seu companheiro de vida até os dias de hoje e, logo em seguida, em janeiro de 1985, começaria a trabalhar em Gravataí, com a mudança da fábrica de Juntas Universais para a nova unidade da Albarus no Estado. “Ainda atuava no departamento de Compras, como secretária do sr. Wallau e assim foi até 1992, quando assumiram outras gerências com divisão de poderes – o Gerente de material produtivo era César Ungaretti e de materiais não produtivos, Paulo Ely. A gerência da importação foi substituída por Alex Pipkin que já gerenciava a Exportação.

Rosa diz que começou a aprender sobre Importação ainda na Albarus em Porto Alegre, observando Antônio Lehn e sua equipe atuando nos processos e ajudando-os no arquivamento. “Antes do Alex assumir me interessei em aprender com colegas que trabalhavam na importação como era o processo de importar peças – tive uma grande professora, a Patrícia Marconato, que me ensinava muita coisa por telefone – ela sabia muito de importação e exportação também”, lembra ela. Até que, em 1992, chegou sua vez de atuar na Importação, e seu chefe era Alex Pipkin. “Ele chegou pra mim e me perguntou o que eu conhecia dos processos. Disse a ele, apontando para um enorme armário de cerejeira que tínhamos: ‘o que sei é que, na gaveta de cima, estão processos com DI (Declaração de Importação) obrigatória na época para embarque de cargas e que, na gaveta de baixo, não tem DI’, ri ela, “ele disse que era disso mesmo que precisavam e seguimos adiante”.

Brincadeiras à parte, Rosa diz que aprendeu a trabalhar nesta área no dia-a-dia corrido da empresa. “Naquele tempo, as guias de importação eram datilografadas em uma corretora terceirizada e tinham 6 vias que deviam ser meticulosamente conferidas. As guias iam pro Banco Central depois, então, não podia ter nenhum erro”, conta. Rosa lembra que, na época da abertura da Fábrica de Motores, as guias de importação chegavam a ter mais de 150 itens. “Foi uma época de trabalho árduo e detalhista”, diz.

Rosa ficou trabalhando até o início de 1994 trabalhando nesta função, até pedir transferência de volta para Porto Alegre. “Tenho um filho especial que se chama Felipe, que nasceu em 1988 e precisava de atenção especial. Inicialmente, eu marcava as consultas dele para as sextas-feiras, quando eu conseguia carona solidária para chegar em Porto Alegre mais cedo, mas pedi a transferência para facilitar a minha vida nessa questão”, afirma. Rosa já era auxiliar de importação em Gravataí e, em Porto Alegre, começou a trabalhar como Auxiliar de Compras na Albarus Transmissões Homocinéticas.

Ela lembra deste período como algo bastante desafiador. “Comecei a ajudar o pessoal da Importação e Exportação, mas encontrei alguma resistência dos colegas do Compras que estavam aqui – mas as colegas da Importação me acolheram muito bem e me chamavam para aprender com elas”, diz. Um tempo depois, foi trabalhar com Ricardo Goyer, que assumiu a Importação e Exportação a partir de 1996. “Eu me sentia uma estranha no ninho porque eu parei minha faculdade para dar mais atenção ao meu filho Felipe, por isso, fiquei surpresa de ter essa oportunidade de trabalhar como Auxiliar de Importação”, relata.

Rosa trabalhou até 2008 nesse setor, com Suprimentos, Importação e Exportação e diz ter sido muito bem recebida pelos colegas. “Nesta época fiquei definitivamente trabalhando na importação e, como analista de importação, eu comprava partes e peças de máquinas e alguns itens em pequena quantidade para fábrica”, conta.

Em 2008, o setor foi de carona na terceirização da GKN Freight Services e ela seguiu trabalhando até 2015 neste setor, coordenando embarques de cargas não produtivas, máquinas e spare parts.

Em 2011, Rosa se aposentou por tempo de serviço, mas ainda seguiu trabalhando até 2016. “Eu já estava cansada e também achei que tinha feito minha parte para contribuir para a empresa. Valeu a pena, éramos muito comprometidos. Eu tinha uma noção de que estava lá pra trabalhar e acabava nem indo quando o pessoal se encontrava depois do trabalho… Era outra mentalidade, muito comprometimento e seriedade”, conclui.

Rosa Eli Araújo Lichman

“Valeu a pena, éramos muito comprometidos. Eu tinha uma noção de que estava lá pra trabalhar e acabava nem indo quando o pessoal se encontrava depois do trabalho… Era outra mentalidade, muito comprometimento e seriedade.”