Reneu

Osório Tedesco

Quando fala sobre o tempo em que trabalhou na Dana, Reneu Osório Tedesco tem a resposta exata: 31 anos e 5 dias. Nascido no interior do Rio Grande do Sul, ele trabalhou durante toda a sua carreira onde mais gostava: dentro da fábrica e cercado de bons amigos.

Reneu é natural de Santo Antônio da Patrulha, mas mudou-se para Gravataí ainda jovem para trabalhar em outra empresa, que depois saiu da cidade. Seu cunhado Hélio trabalhava na Albarus em Porto Alegre e ele, então, lhe avisou que a empresa iria contratar gente para a novíssima fábrica de Gravataí. “Deu tão certo que fui fazer a entrevista e fui o primeiro funcionário contratado para trabalhar na Albarus de Gravataí – pode conferir nos documentos. Fiz a entrevista em fevereiro e comecei a trabalhar no mesmo mês – em abril, já estava em Gravataí, na fábrica de cruzetas”, conta.

Ele diz que o começo foi difícil porque ele demorou a se adaptar ao esquema de rodízio dos 3 turnos da fábrica que estava em vigor na época – e também porque vinha do interior e estranhava a rotina de uma fábrica de autopeças. “Claro que, com o tempo, fui me acostumando e o pessoal era muito bacana, o que também ajuda bastante”, diz. Reneu lembra também de ter ajudado na mudança da fábrica de Porto Alegre à Gravataí e recorda que a primeira operação que instalou-se na nova unidade foi a Usinagem. “Parece mentira, mas só havia um Pavilhão, um pequeno refeitório e o Departamento de Recursos Humanos”.

Reneu trabalhou durante todos esses 31 anos na Dana como Operador de Máquina – salvo um curto período de uma semana como Ajudante, ainda na Albarus de Porto Alegre – e diz que sonha até hoje que está trabalhando dentro da empresa. “Sempre estive dentro da Divisão de Cardans e éramos uma verdadeira família lá dentro. Todo mundo se ajudava, isso me marcou muito. E nossa convivência era além dos limites da empresa, fazíamos viagens de lazer juntos, era tudo muito bom”, relata.

E nem tudo foram flores – Reneu lembra de períodos de crise econômica no país que deixavam todos apreensivos. “No começo da década de 80, tivemos uma crise muito séria e a produção parou em diversos momentos – trabalhávamos em melhorias na fábrica, então, desde as mais simples às mais complexas. Quem chefiava a fábrica nesta época era Gilberto Ceratti, um cara extraordinário e muito humano, e ele fez questão de nos tranquilizar sempre”, diz. Reneu orgulha-se, inclusive, de sempre ter se dado bem com seus chefes. “Sempre respeitei e sempre fui respeitado”, resume. Trabalhou com Nadir Krás, também veterano Dana, durante anos. “Ele era meu Supervisor ainda em Porto Alegre e era muito gente boa – o que a gente precisasse, ele nos ajudava sempre”, conta.

Reneu tem saudades também dos Open House, que eram eventos anuais em que os familiares dos colaboradores da Dana eram recebidos na empresa com uma festa para crianças e adultos e também tinham a oportunidade de conhecer a fábrica e o local onde trabalhavam. “Eu lembro de conhecer a máquina onde ele trabalhava”, intervém a alegre esposa de Reneu, dona Maria.

Em 2001, Reneu se aposentou por tempo de serviço – havia sido contratado pela Dana em 1979 e, com as experiências anteriores, somava o tempo para aposentar-se. Mas gostava tanto de seu trabalho e da empresa que seguiu trabalhando durante mais 10 anos lá dentro – para grande alegria dos jovens, que adoravam aconselhar-se e aprender com ele. “Eu me preparei pra aposentadoria – quando entrei na empresa, pensei que um dia eu ia ter que sair e torci para que fosse aposentado para ficar descansado”, explica. “Aquela empresa era uma família e eu tinha que me preparar porque trabalhei a vida toda lá dentro e sabia que ia sentir falta. Por isso, eu senti muita alegria ao entrar no grupo dos Veteranos Dana porque fui lembrado depois de tantos anos de trabalho e dedicação. É uma satisfação muito grande este reconhecimento. Era meu ganha-pão mas eu sempre fiz tudo com alegria”, conclui.

Casado com Maria há 44 anos, Reneu tem 3 filhos, Maria Jaqueline, Joice Regina e Paulo Cesar, que lhe deram 3 netinhos que são sua alegria – Diego, Henrique e Eduardo. Hoje, ele gosta de viajar, curtir a família e ficar na praia.

“Aquela empresa era uma família e eu tinha que me preparar porque trabalhei a vida toda lá dentro e sabia que ia sentir falta. Por isso, eu senti muita alegria ao entrar no grupo dos Veteranos Dana porque fui lembrado depois de tantos anos de trabalho e dedicação. É uma satisfação muito grande este reconhecimento. Era meu ganha-pão mas eu sempre fiz tudo com alegria”.

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