Paulo Nelson

Regner

36 anos de dedicação e muito trabalho à mesma empresa, onde começou como estagiário. A trajetória de Paulo Nelson Regner na Dana foi de muita luta, desafios e, principalmente, busca por soluções. Sua marca registrada é a seriedade e comprometimento com os bons resultados.

Regner iniciou sua carreira na então Albarus em 1959, um ano antes de se formar em Engenharia Metalúrgica e de Minas pela UFRGS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Naquela época, a fábrica era totalmente diferente: “Tínhamos problemas de Qualidade, ineficiência, sucata… ”, resume. Os tempos eram outros e, antes do grande período de expansão da indústria automobilística brasileira, havia muito o que aprender.

Logo, estaria formado e começava sua trajetória no setor de tratamento térmico, subordinado ao gerente de qualidade. Apesar de jovem, mostrava potencial e postura de gestor, e logo foi promovido a Supervisor da área.

Depois desta fase, Regner atuaria a gerente do setor de compras da empresa – na época, o setor não existia, pois todos os setores compravam o que precisavam: “Era preciso organizar e centralizar as atividades.”

O conhecimento de engenharia e a retidão de caráter lhe garantiam a eficiência essencial para a função, já que, como todos os setores compravam, havia uma desorganização grande na hora de prestar contas – e as notas fiscais acabavam não chegando à contabilidade. Regner organizou e estabeleceu regras para o processo, e também criou rotinas para ele.

E, como organizar a casa era sua especialidade, achou que era a hora também de organizar o almoxarifado central, depois o controle de produção. Em 1963, criou um Plano de Redução de Custos e, em seguida, passou a gerente de planejamento e controle até que foi solicitado a administrar a operação de uma subsidiária da WBS que havia comprado uma concorrente fabricante de embreagens. Faria toda a integração da empresa, e assim ia assimilando conceitos de gestão na prática.

Em 1965, aconteceria uma mudança significativa no rumo desta história: Regner saiu da Albarus – apostou que era hora de empreender e criar sua própria empresa juntamente a seu irmão, fabricando bobinas de ignição automotiva. O movimento corajoso foi barrado por um problema de patente, que acabou fazendo-os a encerrar o negócio. Foi o começo de uma época de grande aprendizado e experiência na área de siderurgia, em que trabalhou durante três anos anos com laminação de aço e no Projeto da Usina Siderúrgica AçoNorte, do grupo Gerdau.

Em 1971, José Carlos Bohrer, já no comando da Albarus, procurou Regner, propondo uma volta à empresa para compor um novo grupo gerencial: “Neste período em que fiquei fora, os colegas que estavam lá na minha primeira fase já não eram mais estagiários – e a empresa vivia outro momento, passada a crise de 1965, tudo havia mudado”, recorda.

A empresa tinha adquirido novas máquinas, mais eficientes, e as coisas começaram a andar de um jeito diferente – foi uma fase de grande desenvolvimento da Albarus. “Trouxeram a fábrica de Eixos Diferenciais de São Paulo, as Juntas Homocinéticas em 74, a fábrica de Embreagens em 76, e fomos aumentando nossa participação em Cardans e Cruzetas. me envolvi com a produção e fui sendo promovido – passei a ser gerente de planejamento e começamos, nesta época, a projetar o que seriam dos próximos 30 anos da empresa, a começar pela nova fábrica, em Gravataí”, conta.

Ele recorda que o layout da nova fábrica era muito mais funcional, levando em conta ventilação, conforto, ergonomia, conceitos avançados para a época. “À medida que íamos levando a fábrica para Gravataí, expandíamos a empresa em Porto Alegre, também, não deixando a fábrica parar nunca”, ressalta.

Em 1979 foi iniciada em Gravataí a produção de cruzetas. A transferência da forjaria foi feita em seguida, e, na mudança, decidiram por alterar o aquecimento de forja de óleo para indução. Em 1980, seria a vez da mudança da fábrica de elastômeros para Gravataí. Nesta época, Regner era Diretor de Manufatura da operação de Juntas Homocinéticas, do setor de Engenharia Avançada e da Divisão de Mecânica. “Em 1982, a Albarus juntou todas as áreas de produção em uma diretoria só, quando fui o Vice-Presidente de Manufatura. Tínhamos que centralizar os esforços e buscar mercados – a exportação era nosso foco”, recorda. “Para buscar know how de forjamento, criamos o Simpósio de Forjamento (o Senafor) e a ideia deu tão certo que, hoje, estamos no 34ª edição ”, conta. Na época, buscaram com as fabricantes de máquinas Komatsu e Nichidai a tecnologia de forjado a morno, o que representou uma grande redução dos custos.

No início da década de 80 houve uma restrição severa às importações imposta pelas autoridades brasileiras. A partir daí, foi necessário refazer forjados e processos de usinagem de acordo com as especificações da Dana – completamente diferentes das usadas na empresa até então. “Isso representou um volume de serviço incomensurável. Tinhamos que liberar uma peça nova por dia”, recorda. Criou-se, então, a Divisão de Mecânica (DEMEC), para que as máquinas fossem construídas novamente dentro da fábrica. “Era uma época muito difícil para as empresas que queriam comprar máquinas no exterior, era preciso pagar quase duas vezes por elas, já que o governo brasileiro não tinha crédito lá fora – fazer as máquinas internamente nos ajudou a crescer mesmo com a crise”, afirma.

Desta época, também veio a Divisão de Engenharia Avançada e instalação de CAD/CAM que nasceu para discutir, analisar e implementar métodos de trabalho. Ele cita outro fator para o crescimento da empresa, mesmo em época de crise: Regner era professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal desde 1967, posição que manteve por 25 anos, até o ano de 1993. Isso lhe ajudava a “farejar” os talentos para a empresa, que eram “pinçados” dentro da universidade. Alguns dos nomes que vieram nesta época? Alceu Albuquerque, Fábio Zanon, Giberto Gustavo Ceratti, Jader Hilzendeger e Geraldo Encke, dentre outros.

Em 82, esteve no Japão e na Coréia, para buscar melhores práticas. “No Japão, notamos que existia uma premiação para quem participasse dos CCQs e percebi que poderiamos aumentar a participação dos colaboradores. Criamos o Promecon – Programa de Melhoria Contínua – nele, existia um padrinho para orientar as pessoas, salas especiais para discutir as ideias, e tempo para isso, além de prêmios em dinheiro”, conta.

Em 85, ele ficaria com a chefia da Divisão de Cardans, e Sidney del Gaudio passou a ser Gerente de Manufatura. “Fomos evoluindo em técnicas de gestão e manufatura, como o TPM – Total Productive Maintenance, conhecida ferramenta da Manufatura Enxuta – e assim iniciava uma fase marcada pela automatização, redução de tempo de manufatura, de sucata e aumento de produção”, relata. Outra fase destacada por ele foi a construção da Forjaria em Charqueadas, em 1995.

Ele se aposentou em 1996, como Presidente da ATH e Vice-Presidente da Dana Brasil, quando Hugo Ferreira já era o presidente. Sobre todos estes anos de empresa, ele é categórico: “Tivemos que tomar decisões difíceis, com muito pioneirismo. Orgulho-me muito de ter formado a equipe unida, empreendedora. O processo de seleção dos estagiários ajudava a formar pessoas com este espírito de equipe – e tínhamos habilidades para identificar estes destaques entre nossa gente”, relata. De setembro 1996 até abril de 1998, Regner foi Diretor Superintendente de Motores Maxion para o Brasil e Argentina.

Em 2001, ele montou sua própria empresa, a COMPETE – Produtividade e Qualidade Ltda, que atua na área de consultoria. Em 2010, lançou o livro “Manual de Boas Práticas de Gestão”, onde resume os  conceitos e dá inúmeras dicas.

Na vida pessoal, ele reabastece as energias no campo: Regner criou cavalos de hipismo e búfalos, além de ovelhas, em uma fazenda em Taquara. “Gosto muito dessa vida do campo, eu vim de família pobre que trabalhava com plantação, por isso é uma característica marcante da minha personalidade”, conta. Também atuou por 10 anos diretamente na Casa dos Sonhos, uma operação social de apoio à comunidade em Gravataí, onde hoje está como conselheiro.

Casado com Maria Lucia, ele tem duas filhas, Cristina e Roberta, e um neto, Paulo, que é engenheiro de produção e uma neta de 12 anos, Francesca. E, sempre que possível, ele frequenta os encontros dos jubilados da empresa, para rever os amigos e relembrar histórias.

ATIVIDADES EXTRA-PROFISSIONAIS

Ex-Presidente da SAE/RS – Society of Automotive Engineering – Sociedade de Engenharia Automotiva e atual Membro do Conselho Consultivo Sênior
Ex-Diretor da CIERGS
Ex-Coordenador da COMPET – Conselho de Produtividade da FIERGS
Ex-Presidente do Conselho Superior da FUNDATEC
Ex-Professor titular da Disciplina Metalúrgica Física II da Escola de Engenharia da PUC/RS (1972 – 1976)
Ex-Professor titular das disciplinas de Projetos Metalúrgicos I e II da Escola de Engenharia da UFRGS (1967 – 1993)
IGEA – Instituto Gaúcho de Estudos Automotivos – Coordenador do Comitê Técnico
Ex-Lean Institute – representante para Região Sul
Ex-Diretor da Sobracon
Ex-Diretor da Associação Brasileira de Metais e Materiais
Presidente do Instituto de Inovação
Presidente do Conselho da Fundação Casa dos Sonhos
Ex-Sócio Fundador da Fitovet
Ex-Sócio Fundador da Produtec
Ex-Sócio Fundador da Citron
Ex-Sócio Fundador da Viere Restaurante

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“Tivemos que tomar decisões difíceis, com muito pioneirismo. Orgulho-me muito de ter formado a equipe unida, empreendedora. O processo de seleção dos estagiários ajudava a formar pessoas com este espírito de equipe – e tínhamos habilidades para identificar estes destaques entre nossa gente.”

Paulo Nelson Regner