Paulo Armando

Born

Foram 32 anos de Dana, que iniciaram na Racine Hidráulica S.A. e lhe renderam muitas ótimas histórias, vivências e, principalmente, amigos. Paulo Armando Born é uma pessoa tão positiva que fez questão de citar a frase de Antoine Saint-Exupery que aprendeu com um office boy da Diehl Biedermann e Price Waterhouse: “não existem situações desesperadoras, existem homens que se desesperam em certas situações”. Desde então este tem sido seu lema de vida.

Paulo iniciou sua trajetória profissional na Transportes Trevo, que era de seu tio, Elmo Born, um autodidata com senso de humor incomum que o fez aprender a importância do “senso de pertencimento” em uma empresa. Depois disso, Paulo atuaria por nove anos na Diehl Biedermann e Price Waterhouse Peat & Co, hoje PRICEWATERHOUSECOOPERS.

No período de agosto de 79 a julho de 1983, Paulo atuaria como Controller na Racine Hidráulica (que pertenceu ao Grupo Rexnord até 1982 quando adquirido pela Dana), quando viveu o que define como “uma riquíssima experiência com outro autodidata, o Jorge Galvani da Silveira”. A Dana, todavia, havia comprado a Racine em 1982 e estudava silenciosamente quem iria aproveitar da Racine para integrar o quadro da empresa.
Paulo lembra que, quando assumiu como Controller na Racine, viveu quatro anos difíceis economicamente. A Dana, por sua vez, designou o americano Bill Oliver para trabalhar com Paulo – Bill já atuava como Controller na Dana, e a decisão fora meramente política, para que não houvesse qualquer tipo de melindre na integração das duas empresas. Quando a Racine foi reestruturada, era a hora de rever quem ficaria na Dana. “Consideraram que eu era uma boa aquisição para a empresa, porque fui bem referendado pelo Bill Oliver. Eu já estava buscando recolocação no mercado, mas o Hugo Ferreira e o Tito Lívio Goron logo formalizaram o convite para passar à Albarus, que aceitei de bom grado”, lembra Paulo.

Em agosto de 83, Paulo assumia a posição de Controller Geral da Albarus. “Foi um início bom, em que fui muito encorajado pelo Ennio Moura do Valle, meu guru, e também por outros colegas como Paulo Cirne Lima, Marco Aurélio Caleffi, Paulo Nunes e Wilson Andrade”, diz. Mas não foi só a empresa que lhe trouxe grandes recordações: “em agosto presenciei uma nevada em Porto Alegre, depois de quase oitenta anos sem nevar, e em dezembro, assisti pela tevê o meu Tricolor Grêmio conquistar o título mundial em Tóquio. Que ano este 1983!”, sorri ele.

Uma passagem inesquecível estava prestes a acontecer: a primeira apresentação de Mid-Year em abril de 1984, em que a cúpula mundial da Dana estaria presente. Paulo conta que Hugo Ferreira perguntou-lhe, antes da reunião, como se sentia. Disse, honestamente, que estava apavorado, ao que Hugo disse: “Ótimo, isso é sinal de que és responsável. Também me sinto nervoso por ser quase sempre o primeiro a apresentar”, disse o veterano da Albarus. Para Paulo, “foi como se o Ferreira tivesse me dado um calmante. A apresentação foi um sucesso”, recorda, sorrindo.

Depois, Paulo ocuparia diversos cargos na Dana em Porto Alegre, indo de Controller até Diretor de Controladoria e Finanças. “O importante era mantermos a austeridade financeira da empresa, seguindo as orientações de Zeca Bohrer e do Moura Valle”, relata. E, durante o difícil período do congelamento financeiro, em 1990, suas atitudes ressoariam até a cúpula da Dana nos Estados Unidos. “O Jim Daley, que era CFO da Dana nesta época, enviou uma carta ao Ennio Moura Valle elogiando nossa performance financeira durante o congelamento de recursos decretado pelo Governo Collor. Ennio, mais do que depressa, falou que os méritos eram meus, que atuava como Diretor Financeiro do Brasil à época. Que caráter!”, emociona-se. “Usei muitas vezes este exemplo do Ennio para evitar, sempre, a apropriação indevida dos méritos de outras pessoas”.

A amizade entre os colegas, a união e o “amor à camisa” estão entre os atributos positivos que Paulo confere à Albarus/Dana – além dos treinamentos, capacitações e reconhecimento. No final de 1991, ele lembra que a empresa não promoveu festa de final de ano e uma de suas filhas, Ana Paula, casou-se em dezembro. “Com a ajuda do Sidney Del Gaudio, fizemos a festa na Hípica em Belém Novo. A festa foi muito animada, e lembro dos colegas de empresa, entre eles o Hugo Ferreira, me agradecendo pelo evento como se fosse da Dana. E, de qualquer forma, não deixava de ser, éramos como família”, diz.

Em agosto de 1995, outra mudança grande na trajetória profissional: Paulo iria com a esposa Elena para os Estados Unidos – mais precisamente, o escritório da Dana South America, que ficava em Fort Lauderdale. A filha Graciela estava prestes a se casar, a esposa Elena se formaria no final daquele ano, foi uma época de finalizações e novos recomeços. “Quase na véspera do Natal, viajamos para a mudança dos sonhos de qualquer mulher: apenas levando objetos pessoais e deixando a casa montada para a filha”, ri ele. “O positivo foi a mudança em nossas vidas que não nos deu aquela sensação de perda com a saída da filha mais nova de casa”, diz.
Durante os próximos três anos, trabalharia como Vice-Presidente de Finanças para a América do Sul. “Durante este período, tive uma fraterna vivência com o amigo e colega Moacyr Negro Puerta. Mas uma passagem marcante foi quando Elena convidou o Zeca Bohrer e a Isabel para irem jantar em nossa casa e fez carreteiro. Fiquei com medo que eles achassem a comida muito simples – e nunca haviam ido à nossa casa jantar, imagine! Claro que eles adoraram aquela comida gaúcha!”, ri Paulo, sob o olhar carinhoso da esposa Elena.

Em 1999, era chegada a hora de mais uma mudança: o retorno ao Brasil. No escritório da Dana South America em São Paulo, atuaria como Vice Presidente de Finanças para a América do Sul, até dezembro de 2000. Foram dois anos que ficariam na memória como um período de convivência estreita com Hugo Ferreira e Calixto Armas. “Sofri uma cirurgia cardíaca neste período, e os dois não saíam do hospital onde estava internado. O Calixto pegava qualquer leitura para ficar conosco por lá, a família do Hugo também. A Suzana, esposa do Hugo, me deu um rosário que guardo até hoje como relíquia – e sou luterano! Jamais esquecerei deste carinho todo”, emociona-se.

Em dezembro de 2000, Paulo e Elena voltariam para o Sul – era a hora de acompanhar a implementação do Centro de Serviços Compartilhados na Dana em Gravataí. Neste período, Paulo atuou como Presidente das empresas Dana no Brasil e Vice Presidente de Finanças para a América do Sul, cargo que ocupou até dezembro de 2008. Mas, antes disso, muitas coisas ainda estavam por acontecer.

Logo, seria a hora do colega e amigo de toda uma vida Hugo Ferreira aposentar-se. “Em novembro de 2004 aconteceu o jantar de despedida dele e fui impedido por um problema de saúde de estar lá. Hoje, digo pra mim que foi melhor não presenciar esse evento”, afirma. Em 2005, uma nova grande conquista profissional: o projeto antigo de fechar o capital da Albarus finalmente estaria concluído. “Fizemos uma oferta pública aos acionistas minoritários – pelo consenso de outros agentes econômicos, esse processo de fechamento até hoje é citado como modelo de como se devem tratar estes acionistas”, diz.

Em março de 2006, a Dana anunciou seu pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, o Chapter 11. “No Brasil, reunimos nosso corpo gerencial e divulgamos regionalmente o fato. Entre comentários sérios e emocionados, também divulgamos a situação ímpar que vivíamos em termos de saúde financeira”, afirma Paulo. As operações locais não sofreriam maiores baques.

De janeiro de 2009 a outubro de 2011, Paulo atuou como Vice-Presidente de Finanças para a Dana América do Sul, cargo que ocupou até a sua aposentadoria. Em 2010, um ano antes de completar 65 anos de idade, começariam o que Ennio Moura do Valle chamava de “missas de corpo presente”: as despedidas pré-aposentadoria dos jubilados como ele. A primeira de suas despedidas foi numa reunião do grupo gerencial financeiro da Dana em Gravataí, com a presença do então principal executivo de finanças – o CFO – Jim Yost, em 2010. Um ano depois, em uma reunião no aeroporto de Detroit, a plateia aumentou. “Jim Yost fez um discurso verdadeiramente comovente naquela ocasião, todo meu pessoal estava lá”, disse. E, em setembro de 2011, foi feito um almoço de despedida para Paulo, repleto de amigos e recordações. “Tenho cerca de 180 fotos deste dia e, quando olho para elas hoje em dia, revivo aqueles momentos com meus colegas, sem os quais nada daquilo teria sido possível”, diz. “Foi uma grande honra, para mim, ter participado deste time Albarus/Dana e ter tantas boas memórias de todos estes anos”, relata.Não quero citar nomes para evitar algum esquecimento e parecer injusto mas meus colegas sabem que foram muito especiais para mim, sempre.

Hoje, Paulo aproveita a vida ao lado da companheira de tantas jornadas, Elena, com quem é casado há 46 anos, e aproveita a companhia das filhas, Ana Paula e Graciela, dos genros e dos seis netos –Mariana, Laura e Rebeca e Bibiana, filhas de Ana Paula, e Lucas (“minha alma gêmea, meu xodó”, admite Paulo) e Maria Laura, filhos de Graciela. Paulo também adora jogar golfe e torcer pelo seu time do coração, o Grêmio.

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“Foi uma grande honra, para mim, ter participado deste time Albarus/Dana e ter tantas boas memórias de todos estes anos. Parece que aqueles anos até não passaram, de tanta coisa boa que aconteceu”

Paulo Armando Born