Oscar

Monteiro Carlos

“Já falei pro Cara Lá de Cima: só aceito ir pro céu se lá em cima tiver cardans para eu trabalhar”. É com esse jeito brincalhão que Oscar Monteiro Carlos começou nossa entrevista, já confessando sua paixão por um dos produtos da Dana – mais especificamente, o produto ao qual ele dedicou toda sua carreira, desde o início da sua trajetória na Albarus, em 1974.

Naquele mês de abril de 1974, o jovem Oscar já havia completado cem horas de estágio na Albarus e estava preparado para iniciar uma nova fase. “Éramos quinze pivetes recém-saídos do SENAI, e fomos treinados pelo Cláudio Vasconcellos, mais conhecido como Coxinha, hoje infelizmente já falecido, uma baita pessoa!”, relata. Quando iniciou sua carreira como funcionário, após passar pelos testes para a vaga, seu chefe foi Antônio Plentz. “Ele colocou a mão no meu ombro e disse: ‘Filho, você é um guri novo, vou te colocar numa máquina nova: o torno TCA. Quem me treinou foi o Valmir Nunes, que fez isso durante uma hora e, depois, foi pra casa – era o final do turno dele e eu havia sido contratado para o segundo turno”, lembra. O problema é que Oscar não viu que Valmir havia saído da fábrica, conforme ele lembra, aos risos. “Na primeira dúvida que tive, percorri a fábrica buscando ele porque a medida dos flanges que eu estava fazendo para o Chevette havia se desregulado. E não achei o homem em lugar algum! Tive que me virar, ainda bem que eu era curioso e acabei aprendendo na marra”, sorri ele.

Oscar ficou com trabalhando com Antônio Plentz na Linha de Flanges até 1982 – mas, como sempre foi curioso, acabou dominando o maquinário de vários locais desta linha, mesmo que não fosse sua função primária. Depois disso, o gerente geral da Divisão de Juntas Universais, Jorge Haro, falou com Oscar e pediu que fosse para a Linha Pesada para trabalhar com uma máquina reformada Heller n°812, pelos Clóvis Kras e Antônio Plentz que acabava de ser reformada, para trabalhar com a luva 03-399xl, original da MBB, com uma tolerância de 0,016mm. “Eu, mais que depressa, peguei minha caixa de ferramentas e fui pra essa linha – meu chefe na época, Osvaldo, não ficou muito feliz com essa decisão, mas fui mesmo assim”, diz.

Ao chegar na Linha Pesada, encontrou dois velhos conhecidos que trabalhavam como analistas: Clóvis Kras e Antônio Plentz. O desenvolvimento era para a Mercedes, um dos clientes mais desejados pela Dana. Oscar atuou durante um ano nesta linha, como Operador da Mandrilhadora. “Minha esposa Vera disse, nessa época, que eu podia pegar a minha cama e ir dormir na Dana – eu entrava às sete da manhã e não tinha hora pra sair. Só eu operava esta máquina, e ela não podia parar, saía da empresa dez horas da noite”, explica. Ele já tinha um filho nessa época, Aldo.

Sobre os filhos, aliás, ele recorda de uma história muito emocionante envolvendo a empresa. “o Aldo teve que fazer duas cirurgias em 1978. em 1990 foi o mais novo o Giovanni, que também fez um cirurgia, Eu e a Vera nunca vamos esquecer que a Albarus nos deu todo o suporte – este tipo de ajuda e carinho fornecido pela empresa para os funcionários jamais vamos esquecer. Hoje, meus dois trabalham na mesma empresa são concursados, emociona-se. não posso deixar de relatar o Aldo trabalhou na DEL com cotista, mais dois anos e um mês de estagiário na SCB no processo junto com o Hnrique Plentz, e o Clovis Kras.

Depois de ficar este período na mandrilhadora, Oscar foi designado para trabalhar como Preparador de Máquina também na Linha Pesada, sob a supervisão de Marciano Skieresji, e do gerente geral Luiz carlos “Eu não conhecia nada sobre essas máquinas, mas o Marciano me encorajou e disse que eu aprenderia a mexer nas máquinas novas que eram as vedetes da empresa, como a CNC”, diz. Na terceira semana no setor, Marciano promoveu-o a Encarregado do segundo turno da Linha Pesada. “Que conflito foi! O pessoal ficou com ciúmes”, relata. Oscar ficou durante um ano como Preparador, e depois ficaria atuando como Encarregado da Linha Pesada até 1991. Para ele, o segredo de liderar pessoas é entendê-las e ter um bom relacionamento com todos. “Nunca tive conflito com nenhum dos meus funcionários – pra mim, chefe não é pra discutir com funcionário – pra mim, aquele setor era como uma família”, relata.

Oscar diz que os colaboradores, naquela época, tinham outra relação com o trabalho. “A gente não se importava de fazer coisas que não estivessem descritas na carteira de trabalho como nossas funções: lembro que o Flávio Bischoff às vezes pedia para toda a fábrica ajudar a embalar peças no Cardan, e todos fazíamos, juntos, felizes”, recorda.

Em 1991, Oscar foi convidado para trabalhar na linha de cardan, que estava vindo de Sorocaba – mais especificamente, na usinagem e coluna de direção. “Te confesso que fiquei apavorado, uma semana inteira sem dormir”, brinca ele, “nunca tinha trabalhado com montagem e a perspectiva era assustadora”, relata. A saída que encontrou? Estudar os desenhos, para aprender como os componentes eram montados passo a passo.

No final de 91, Oscar ficou 15 dias em Sorocaba para aprender mais sobre o processo de montagem de cardan. “Ninguém me explicavam nada lá, o pessoal ficou resistente, este gaúcho querendo aprender sobre montagem de cardans para levar para o sul. Fiz um amigo lá, o Horácio, e ele notou que eu estava com dificuldade de aprender na balanceadora”, conta. “No último dia lá, ele me levou para uma sala onde havia um painel enorme, mostrando como funciona uma balanceadora. Peguei um papel, rabisquei o desenho e isso, mais tarde, acabou virando nosso procedimento da ISO”, relata.

Em 1992, a primeira linha de cardan veio ao Sul – Oscar, com o suporte do engenheiro de processo Airton Oliveira fizeram a transferência e a linha começou a funcionar. Em 93, a segunda chegou e, em 1995, veio todo o resto das linhas do cardan. “Foi uma época de muito trabalho, e também de muita satisfação pessoal. Chegava em casa super estressado à noite – trabalhava e coordenava a gurizada do primeiro turno, deixava a programação do segundo e do terceiro e assim ia levando”, conta.

É desta época uma história engraçada que ele conta: em 94, num evento de Seis Sigma realizado no Plaza São Rafael, em Porto Alegre, recebeu um reconhecimento, entregue por Hugo Ferreira, que ocupava cargo de destaque na Dana. “Subi ao palco, o Ferreira apertou a minha mão e disse: ‘Oscar, muito obrigada pelo teu trabalho e dedicação’. Fiquei intrigado. Como é que ele sabia meu nome? Fiquei todo feliz, me achando”, lembra ele. Quando desceu do palco, todavia, se deu conta de que usava um enorme crachá com seu nome. “Hoje, acho essa história hilária”, fala, às gargalhadas.

Em 99, Oscar cuidava da pintura do cardan e da usinagem e montagem da coluna de direção, e Jader Hilzendeger pediu que ele fosse cuidar da usinagem e montagem do cardan agrícola. “Me deu um aperto, eu ia sair do paraíso que era a fábrica de cardans, e ia ir pro patinho feio da empresa, o agrícola. Fui lá trabalhar novamente, meio a contragosto, mas fui”, relata.

O início, como era de se esperar, foi difícil. “Eu queria colocar a casa em ordem, mas tudo era custoso, difícil. No final, conseguimos atingir nossos objetivos depois de muita luta: quando comecei lá, fabricávamos mil cardans por mês e, três meses depois, a produção ficou em 14.000”, conta, orgulhoso. mais feliz ficou o Marcelo baghin por atender nossos clientes melhor.

Seu próximo desafio profissional, em 2001, foi atuar com Francisco D’Ávila na Engenharia da fábrica de cardans. “Ele me chamou porque queria montar postos autorizados Dana por todo o Brasil, e queria que eu viajasse para visitar os chamados ‘cardanzeiros’, que faziam consertos de cardans. Isso ampliou muito minha visão de mundo – tive a liberdade de viajar por varios lugar do Brasil e foi maravilhoso, para quem passou a vida toda dentro da fábrica”,nestas minhas viagem, afirma.

Em novembro, o setor que ele trabalhava fechou, quando a empresa passava por uma crise. Depois de quase trinta anos de empresa, não foi fácil sair. “Mas, em abril de 2002, voltei como prestador de serviços na Dana, também comecei a trabalhar na Cardan e sistema em Caxias, aonde estou ate hoje, pela OMC, minha empresa, e nossa história continuou”, relata.

Oscar é casado há 40 anos com Vera e é pai de Aldo e Giovani, que são muito unidos e inclusive trabalham juntos. Hoje, segue trabalhando ainda como prestador de serviços para cardans, mas consegue tempo para viajar com a esposa e curtir a vida. Quando pensa na Dana, o sentimento é um só: saudade. “Conheci gente fantástica na empresa e, se tivesse que começar tudo do zero, faria tudo de novo. Mentira: talvez fizesse ainda mais!”, diz, com empolgação juvenil. “A empresa era como se fosse uma grande família, fiz inúmeros amigos nestes trinta anos de trajetória!”, comemora.

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“Conheci gente fantástica na empresa e, se tivesse que começar tudo do zero, faria tudo de novo. Mentira: talvez fizesse ainda mais!”, diz, com empolgação juvenil. “A empresa era como se fosse uma grande família, fiz inúmeros amigos nestes trinta anos de trajetória!”