Nelson

Tegel

Com sua simplicidade e alegria, Nelson Tegel relembrou os 37 anos e meio de trabalho na Dana entre muitas fotografias antigas e histórias de amizade e brincadeiras. Um homem de fábrica, se orgulha por ter tido uma trajetória de muita honestidade e trabalho duro. Ao lado da esposa Inês, com quem é casado há 51 anos, vive em frente á oficina mecânica do filho, André, e fala dos anos de Albarus como se houvessem acontecido ontem.

Nelson iniciou sua carreira como Ajudante na Manutenção, em 1956. Porém, sua relação com a empresa começou antes disso – a empresa do pai de Nelson, Alexandre Tegel, foi a que trabalhou na construção do prédio da Albarus que ficava na rua Joaquim Silveira, onde hoje é a GKN Driveline. “Eu era um guri quando trabalhei ajudando meu pai na Stefan Ketter, onde fiquei durante oito meses. Durante a construção da nova fábrica da Albarus, já fiquei de olho para pleitear um emprego ali”, diz. Em outubro de 56, o jovem conseguiu a vaga que tanto desejava. Paralelamente, fazia curso técnico no SENAI.

Ele conta que a fábrica ainda era muito rudimentar, e que todos se sentiam prestigiados pelo Diretor da época, Ricardo Bruno Albarus. “Meu trabalho era preparar o ferramental para quem atuava na Manutenção, e fui pegando gosto pela coisa. Sentia muita satisfação ali dentro”, relata, “acho que os diretores gostavam do meu pai, que era ‘deutsch’ também e tinha um estilo parecido com o deles, então sempre fui muito bem tratado”.

Nelson começou a fazer vários cursos técnicos e, logo, começaria sua segunda fase na empresa. Em 1969, foi promovido a Inspetor de Qualidade II e, em 1976, a Inspetor de Qualidade I. Destes anos, formou uma amizade fortíssima com Johann Wolfgang Limbacher, já falecido. “Nós éramos tão grudados que, pra mim, é difícil até de falar sobre ele”, diz, visivelmente emocionado, “onde nós estávamos, ele estava sempre conosco. Era um irmão – tanto que, quando saí da Qualidade, foi ele que conseguiu a vaga para minha próxima etapa dentro da Albarus”, relata.

Nelson recorda seu período na Qualidade como uma época de trabalho árduo, e recompensas na mesma medida. “Primeiro, a Albarus conquistou o mercado gaúcho e depois, com o apoio da Dana, começou a deslanchar com uma série de máquinas novas que chegaram. Daí para a conquista do mercado nacional – e parte do europeu também – foi um pulo”, diz.

Durante a década de 70, fez uma série de cursos pela Albarus, de olho no crescimento profissional que isso podia lhe trazer. Metrologia Dimensional, Cálculo, Usinagem, Torneiro Mecânico, Controle de Qualidade, Metrologia, Desenho Mecânico são apenas alguns deles. “Eu tinha sede de conhecimento, e sabia que queria seguir adiante na minha trajetória dentro da empresa. Sempre fui motivado trabalhar, amava o que fazia”, afirma.

Em 1980, começaria a trabalhar no Laboratório de Testes. Na época, ele não sonhava com isso, mas continuaria neste mesmo setor por mais de 23 anos. “Nesta época, estavam ali o João Ramires, o Francisco de Paula Costa, o Osni e o Fausto… Pessoas fantásticas, que me ensinaram demais!”, diz. O trabalho da turma do Laboratório de Testes consistia em pegar as peças forjadas que já haviam passado pela usinagem e tratamento térmico, e verificar as inspeções de qualidade delas. Uma série de testes eram aplicados. Nelson criou vários dispositivos de aplicação de testes em peças automotivas que estavam em desenvolvimento para novas linhas de carros leves e pesados. “Nesse tempo, começou a haver uma maior preocupação com a qualidade, era uma época nova da empresa”, recorda.

Tanta dedicação se refletiu na conquista do prêmio “Operário Padrão” (um reconhecimento promovido pelo Governo de então) de Porto Alegre em 1984, algo que o enche de orgulho e alegria. “Recebi 550 votos, dentre os 800 funcionários da empresa, o que me marcou demais. Em todos os lugares que passo, busco fazer amigos, e esse reconhecimento foi uma demonstração disso”, diz.

Nelson é conhecido por sua alegria e por promover a convivência entre os colegas de empresa, sendo eleito inclusive Presidente da Associação de Funcionários da empresa. Organizava viagens para a praia e para a Serra, participava do Centro de Tradições Gaúchas ativamente, gostava de criar torneios de futebol, vôlei, futebol de salão e basquete entre os funcionários e, assim, deixou sua marca na companhia. “Pessoas satisfeitas trabalham muito melhor – e muita gente ali não tinha condições de fazer estas coisas, viajar com a família, por exemplo… Isso refletia em satisfação e alegria dos funcionários, e a empresa ganhava muito”.

Nelson diz que, se pudesse, faria tudo de novo. “Eu me sentia muito acolhido dentro da empresa. Nunca tive restrições, desde o chão de fábrica até a diretoria, para entrar em qualquer lugar que coisa. Não ganhei outra coisa além de respeito na Albarus”, diz. Ele se aposentou porque “sabia que era a hora de dar lugar a alguém mais jovem – aliás, eu aprendo muito com os jovens, sempre”, diz. Ele se preparou psicologicamente para isso e, em 1993, deixou a Dana sem grandes problemas. Viajou bastante com a família depois disso.

Aliás, Nelson é muito ligado à família, e diz que o casamento com Inês e o nascimento dos filhos e netos foram as melhores coisas de sua vida. Ele é pai de André e Rosane, que lhe deram os netos Luan e Vinícius. Para ele, a alegria é ter a casa cheia e estar perto daqueles que ama. “Eu não paro quieto. Faço fisioterapia, gosto de passear com minha esposa”, diz.

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“Eu tinha sede de conhecimento, e sabia que queria seguir adiante na minha trajetória dentro da empresa. Sempre fui motivado trabalhar, amava o que fazia.”

Nelson Tegel