Nadir

Meyer Krás

Com seu jeito brincalhão – mas sério no trabalho – Nadir Meyer Krás diz que não sentiu os 27 anos de trabalho na Dana passarem. Casado com Iolanda Schmidt há 60 anos, tem muito orgulho ao falar do filho Clóvis Krás, que também já é um veterano da Dana e, hoje, mora nos Estados Unidos.

O casal mora em Arroio Teixeira, perto de Capão da Canoa, e Nadir, orgulhoso, mostra a grande horta e o pátio cheio de cachorros com que costuma passar seu tempo. O legítimo bonachão, faz piada com tudo e, claro, nos contou uma série de anedotas tão divertidas quanto impublicáveis sobre sua longa carreira na empresa e a relação ótima que tinha com seus colegas e chefes.

Sua carreira iniciou em 6 de setembro de 1960, quando entrou na antiga Albarus como Ajudante da fábrica. “Pra te ser bem sincero, era ‘boca braba’ aquela época, a fábrica era rústica. Comecei trabalhando na Cruzeta, dentro do setor de Usinagem e Retífica. E seu eu te contar que sonho com cruzetas até hoje?”, diz, rindo com o bom humor costumeiro, sob o olhar cúmplice da esposa.

Com seu jeito simples e sucinto, ele relembrou sua trajetória na Albarus com poucos detalhes – afinal, ele é de uma geração de albarianos mais antiga, que chegou a trabalhar com Ricardo Bruno Albarus, Haroldo Dreux, Wolff Zwick. Nadir conta que foi uma época de trabalho intenso, em que a indústria estava em pleno desenvolvimento e a Albarus precisava acompanhar. “A mão de obra não era qualificada, como hoje – a gente aprendia fazendo. Todos juntos, aprendemos muita coisa, e fomos crescendo juntos”, diz.

Nadir diz que sempre teve um excelente relacionamento com seus chefes e cita um a um, em ordem: José Domingos Miotti, Marcelino Perlott, Eduardo Pichseinmeister e Paulo Matzenbacher – todos integrantes do grupo de veteranos, como ele. “Aprendi muito com as pessoas que já estavam na fábrica antes de eu chegar: Wolff Zwick, por exemplo, era um mestre. O Johann Wolfgang Limbacher foi outro – era bastante crítico, o que nos fazia crescer imensamente. Mas ele não pegava no meu pé – eu é que pegava no dele”, diz, aos risos.

Nadir tinha um apelido dentro da fábrica pelo qual, até hoje, é conhecido pelos colegas daquele tempo: “Professor Pardal”. O motivo? Nadir gostava de inventar novos processos e soluções. Tanta dedicação não passaria despercebida na empresa: logo, ele foi promovido a Encarregado de Produção, ficando responsável pelo trabalho de mais de 100 pessoas dentro da fábrica. “Aprendi, ali, a conduzir. Nunca mandei, sempre pedi as coisas. Acho que, por isso, acabei me acertando com as funções de chefia na fábrica. Via todos como iguais”, conta.

Depois de atuar nesta função, Nadir ainda foi promovido a Mestre e, mais tarde, Supervisor de Produção. “Eu sempre fui bastante trabalhador – fazia e acontecia dentro daquela fábrica, quase não ficava parado, e a diretoria queria e precisava de gente assim lá dentro”, pondera. Nadir acredita que esta vontade de trabalhar sempre esteve com ele, que nasceu em família humilde e é filho de pais agricultores. Nadir nasceu em Tramandaí e mudou-se para a capital do Rio Grande do Sul com 17 anos, para servir o Exército no serviço militar obrigatório – o que fez até os 22 anos. Depois disso, estudou na escola técnica Parobé, como muitos outros albarianos. “Eu tinha tanta vontade de trabalhar quando comecei que faria isso até sem receber nada, de graça!”, ri.

Nadir lembra também da forte amizade que desenvolveu com alguns colegas, como Édison Serres, que ele chama pelo apelido de fábrica, “Xirú”. “Ele era muito festeiro, muito alegre, convivemos muito dentro e fora da empresa”, diz.

Entre suas lembranças, também cita a trabalhosa mudança da fábrica de Porto Alegre para Gravataí. “Desmontamos aquela fábrica tão rapidamente que, até hoje, me pergunto como foi possível”, relata.

A década de 80, já em Gravataí, representaria uma mudança grande para Nadir: passou a rabalhar na operação de Elastômeros. “Fui muito bem recebido pelo Paulo Rocha, Carmen Piccini, pelo Arlindo e todo o pessoal da fábrica – e comecei direto na Estamparia. Logo, peguei o jeito de trabalhar com isso e me tornei um bom profissional lá”.

Em 1987, chegava a hora de se aposentar e Nadir não hesitou, após uma vida de muito trabalho e dedicação à empresa. “Decidi que, a partir das 8h da manhã do dia 11 de junho de 1987, não ia mais trabalhar, já tinha feito isso demais, agora queria descansar”, conta, com o bom humor costumeiro. E assim foi.

De tudo isso, o que ficou? “Fiz ótimas amizades, adoro reencontrar os colegas no encontro de veteranos da Dana e contar nossos causos e histórias. Somos uma família até hoje, e faço questão de ir em todos os jantares – apesar de morar no litoral gaúcho, não me importo em nada de viajar para rever os amigos”, diz. Hoje, ele mora com a esposa em Arroio Teixeira, e adora quando os netos visitam – ele é avô de Hellen, Vitória, Raquel e Gabriel.

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Fiz ótimas amizades, adoro reencontrar os colegas no encontro de veteranos da Dana e contar nossos causos e histórias. Somos uma família até hoje, e faço questão de ir em todos os jantares – apesar de morar no litoral gaúcho, não me importo em nada de viajar para rever os amigos.