Moacyr

Negropuerta

Moacyr Negropuerta completou 45 anos de empresa como uma unanimidade em gentileza e carisma. “Moca”, como era carinhosamente conhecido, foi um dos primeiros profissionais da empresa a ter destaque em nossa área de Vendas, setor no qual investiu toda a carreira, ocupando alguns dos mais importantes cargos, dentro e fora do Brasil sempre adorado pelos colegas com quem trabalhou.

Sua trajetória na Dana começou em fevereiro de 1961, quando a Albarus tinha acabado de montar uma fábrica em São Paulo, no bairro Ipiranga, próximo à Ford. “A Albarus começou a vender cardans para a Ford – as peças eram feitas em Porto Alegre, trazidas para São Paulo e montadas aqui – era uma entrega just in time antes deste conceito ser aplicado na empresa”, afirma. Moacyr entrou na Albarus como Auxiliar de Compras, posição que ocupou por apenas 6 meses. “Logo surgiu uma vaga que me interessou e me candidatei a ser vendedor – eu gostava de falar e sempre fui outspoken. Depois disso, nunca mais saí do departamento de Vendas, só fui trocando de posição”, ri, com o bom humor costumeiro. Sua grande inspiração dentro da empresa? “O Dr. Leão Gonçalves de Oliveira, o homem que estabeleceu a planta da Albarus aqui em São Paulo – ele sempre me incentivou muito em todos os aspectos e até me ensinou a usar a régua de cálculo pra que eu falasse a mesma língua que os engenheiros”, conclui.

Em 1969, começou a cursar Economia na Universidade Mackenzie, em São Paulo, conciliando os estudos com a rotina da Albarus. Moacyr diz que sempre gostou de trabalhar com vendas pelo fato de isso representar um desafio novo todos os dias. “Gostar de desafios, combinado a uma personalidade mais extrovertida, é o que sempre me atraiu neste setor”, afirma. E, assim, foi subindo dentro da empresa: foi Gerente Local de Vendas, depois Gerente Regional, Nacional e, finalmente, Gerente de Vendas para a América do Sul.

Em 1973, a empresa enviou Moacyr aos Estados Unidos para fazer um estágio na área de vendas da Dana em Toledo (Ohio). Seria sua primeira viagem internacional e o também veterano Enio Moura Valle sempre contava que, neste voo, Moca foi chorando do aeroporto de Congonhas ao de Miami, pois não queria ficar muito tempo separado da mãe e da irmã – isso mostra que ele sempre foi uma pessoa emotiva.

Moacyr já falava inglês, mas acabou fazendo mais um curso na Universidade de Oklahoma para se aperfeiçoar na língua, pois teria que ficar 1 ano e meio nos Estados Unidos trabalhando. “O departamento de Vendas de lá já era mais desenvolvido, tínhamos muito a aprender com eles e foi uma boa experiência – mas confesso que fiquei feliz de voltar ao Brasil”, relata.

A Albarus crescia rapidamente na década de 70 – uma média de 20% ao ano – e Moacyr começou também a atuar na área de Exportação. “Tínhamos uma cadeia de vendas com umas 50 pessoas como representantes e era uma loucura o volume de trabalho. A Albarus não sabia o que era crise, nunca parou de crescer. E o nosso Departamento de Vendas tinha uma imagem positiva no mercado pois o que prometíamos, a gente cumpria”, explica. Moacyr credita a essa seriedade de todos os setores da Albarus o grande crescimento da empresa nessa época. “Era uma turma comprometida, séria e disposta a buscar os melhores resultados – isso fez com que a empresa pequena de Porto Alegre crescesse até o que é hoje”, afirma.

Moacyr lembra de outro aspecto marcante daqueles tempos: a dificuldade de comunicação. “A gente ficava um tempão esperando linha no telefone pra falar com o pessoal de Porto Alegre, usávamos o Telex e era só. E eu, sempre viajando, encontrava mais dificuldade ainda”, diz. O Departamento de Vendas sempre funcionou em São Paulo, e Moacyr reportava diretamente ao presidente José Carlos Bohrer, que ficava em Porto Alegre. “A comunicação era um problema sério nessa época, mas na década de 80 já melhorou”.

Em 1978, Moacyr também começou a se envolver com o Departamento de Marketing, mais ou menos na época em que Luciano Pires foi contratado pela Albarus. “Eu conhecia produto, conhecia cliente e tive a felicidade de ter o Luciano perto de mim – sempre apoiei o trabalho dele, até que ele montou sua equipe e começou a fazer aquelas invenções maravilhosas dele”, afirma. Juntos, os dois lançaram algumas iniciativas que marcaram história na Albarus: a eleição da Garota Albarus (um sucesso retumbante na época), os primeiros livros de fotografias que a empresa lançou… “Lembro que levamos 62 clientes para visitar nossas fábricas nos Estados Unidos num programa de muito sucesso, chamado ‘Baila Comigo’, que estabeleceu um relacionamento muito bom e também resultou num estouro de vendas na empresa”, lembra.

Moacyr conta que dois fatos marcaram bastante sua carreira nestas primeiras duas décadas de Albarus. “Em 1969, eu e o Leão, meu chefe, fomos até a FNM, no Rio de Janeiro, e conquistamos a venda do nosso cardan pesado para eles que, até então, importavam essa peça – foi um marco pra nós essa conquista. O outro marco foi o início do Opala no Brasil”, diz. Moacyr diz que já visitava as montadoras e foi até Porto Alegre, onde passou 3 dias tentando vender o projeto do cardan para o Opala. “E a junta homocinética do Corcel, claro, que também representou um grande marco e um salto de vendas, qualidade e importância dentro da Albarus, não tem como esquecer destes três milestones da minha carreira”.

Moacyr lembra que a preocupação com a Qualidade na empresa era tão fundamental na Albarus que o gerente, Johann Wolfgang Limbacher, reportava diretamente ao presidente José Carlos Bohrer. “O Limbacher era um excelente engenheiro metalúrgico e, em dobradinha com o engenheiro Renato Pedroza, nos garantia muita qualidade nos produtos, e com certeza foi um dos fatores do sucesso da companhia”, afirma.

Ele conta que viajou muito durante todos este tempo de empresa. “Eu era solteiro nessa época, então começava minhas viagens por Salvador e só ia voltar pra casa mais de um mês depois, visitando cidades do interior”, relembra. Os talões com os pedidos eram enviados pelo correio e feitos à mão – definitivamente, eram outros tempos. “Não havia rede nacional de televisão, de rádio, então em muitas regiões mais afastadas do Brasil, eu levava as novidades para contar às pessoas: desde futebol até economia e política”, ri ele.

E Moca também morou em diversos lugares trabalhando pela empresa: ainda no início da carreira, em 66, ele morou em Fortaleza; depois, foi para Curitiba e, depois, voltou para São Paulo, já como Gerente Geral de Vendas tanto de equipamento original como para a reposição. Quando se casou em 1984 com Ângela, já estava morando em São Paulo.

Em 1994, Moacyr foi transferido para os Estados Unidos, foi nomeado Vice-Presidente de Distribuição da Dana América do Sul – quando se aposentou, ainda ocupava este cargo. Ele morou durante 11 anos em Forth Lauderdale e trabalhava no escritório da Dana South America por lá. “Foi uma época esplendorosa, éramos uma família – o Paulo Born depois foi pra lá – e eu também viajava muito para a África e América do Sul para estudar algumas aquisições para a empresa. Pra você ter uma ideia, teve um ano em que passei exatos 182 dias viajando”, conta.

No início dos anos 2000, Moacyr voltou ao Brasil, onde trabalhava num escritório em São Paulo junto com Hugo Ferreira e Paulo Born, que também retornaram à operação brasileira da empresa. Em 2003, Moca se aposentou pela empresa e fez incontáveis amigos em sua carreira na empresa. “Em todos estes anos, vivi tantos momentos memoráveis que seria impossível citar apenas um. Fico feliz por ter vivido aqui os anos de glória da indústria automobilística brasileira. Sou muito grato, valeu muito a pena estar na Dana todos estes anos. O grupo de pessoas que tínhamos lá era composto por gente especial, todo mundo estava no mesmo nível de dedicação e comprometimento”. Hoje, ele é proprietário de uma fábrica de móveis, que é administrada por ele em parceria com sua esposa, e os dois tem muito orgulho da filha, Camila, que tem 26 anos.

Moacyr Negropuerta

“Em todos estes anos, vivi tantos momentos memoráveis que seria impossível citar apenas um. Fico feliz por ter vivido aqui os anos de glória da indústria automobilística brasileira. Sou muito grato, valeu muito a pena estar na Dana todos estes anos. O grupo de pessoas que tínhamos lá era composto por gente especial, todo mundo estava no mesmo nível de dedicação e comprometimento”.

Moacyr Negropuerta