Milton

Olson Pinto

8 de outubro de 1962. Essa é a data do início da carreira de 29 anos de Albarus de Milton Olson Pinto, que começou sua história na empresa trabalhando na construção civil.

Milton conta com orgulho que iniciou sua trajetória profissional trabalhando como pedreiro na construção civil, em 1956. Vindo da pequena cidade de Santiago, a pouco mais de 470 km de Porto Alegre, ele buscava uma chance de melhorar de vida. “Cheguei aqui com quase 21 anos e, em 1956, comecei a trabalhar na construção da fábrica da Albarus com o Alexandre Tegel, pai do também jubilado da Dana Nelson Tegel, que era mestre de obras – até 58 trabalhei ali”, relata.

Depois destes anos trabalhando na construção da Albarus, em 1961, Milton foi admitido como colaborador da empresa. “A Albarus estava crescendo muito nesta época e sempre tinha novas vagas na empresa, era tudo manual e a empresa precisava de mão de obra sempre. Tanto que me candidatei num dia, e entrei no outro”, lembra.

Milton começou no Terceiro Turno no dia 8 de outubro daquele mesmo ano, para trabalhar no Tratamento Térmico. “Ninguém queria trabalhar ali porque era um calor imenso, eram fornos enormes, mas eu abracei o desafio como operador de máquina, função que exerci até janeiro do ano seguinte”, diz. Ele, então, assumiu como Encarregado de Produção. “Quem tinha Ensino Médio, tinha mais chances de ser promovido na empresa, já que era difícil pessoal de fábrica ter mais estudo naqueles tempos”, explica.

Milton lembra que o turno de trabalho, nestes tempos, não era fixo: a cada duas semanas, ele trocava. “Eram três turnos: das 22h às 6h, depois das 6h às 14h e das 14h às 22h, então a gente vivia tentando se adaptar”, lembra. Seu chefe era Cláudio Ribeiro Kümmel, e Milton ficou trabalhando como Contramestre do Tratamento Térmico até 1970.

Em 1970, ele foi promovido a Chefe da Expedição. “Cuidava do Recebimento e Saída das mercadorias da empresa, numa época de muito crescimento da Albarus. Fiquei na Expedição até ela ser transferida para Gravataí, em 1982”, relata.

Milton não foi trabalhar na recém-inaugurada fábrica de Gravataí, preferiu ficar em Porto Alegre e foi, então, realocado para o setor de Construção de Máquinas, onde trabalhou até 1990, quando saiu da empresa. “De 82 até 90, trabalhei com o engenheiro Miotti e o engenheiro Limbacher, duas pessoas muito boas de se lidar. O engenheiro Regner era o Diretor da Divisão de Juntas Homocinéticas e era um profissional muito exigente, mas uma pessoa fantástica também”, relata.

Duas histórias marcaram muito a trajetória de Milton na Albarus. A primeira, quando ainda trabalhava no Tratamento Térmico. “Naquele tempo, recebíamos um adiantamento quinzenal do salário em dinheiro vivo, e coloquei meu envelope no bolso e voltei ao trabalho. Para minha imensa tristeza, perdi o envelope. Nunca me esqueço que o Helmuth Baumgarten e outros colegas fizeram uma ‘vaquinha’ e conseguiram levantar todo o dinheiro que havia ali – se não me engano, 25% do meu salário. Essas coisas a gente não esquece”, conta, emocionado. A outra história também envolve a amizade de Helmuth Baumgarten. “Quando nasceu minha segunda filha, a Débora, em 1970, eu estava trabalhando na Albarus e não tinha carro. Ele, então, se prontificou em buscar ela e minha esposa no hospital, e foi ele quem primeiro segurou a Débora no colo, além da mãe. Esse era o tipo e amizade que nós tínhamos”, conclui. Milton conta, aos risos, que os dois chegaram tão apressados da Albarus para buscar a esposa e o bebê que entraram de capacete de segurança no Hospital Conceição, onde ela estava internada, para grande espanto de todos que estavam lá.

Das suas memórias, Milton ressalta que a empresa sempre esteve muito presente na vida da família. “Eu me aposentei logo depois de sair da empresa. Trabalhei muito lá e, quando saí, foi com a sensação de dever cumprido”, conclui.

Casado há 49 anos com Luisa, com quem tem 4 filhos: Gisele, Débora, Marcelo e Miguel. Os dois tem 8 netinhos: Matheus, Augusto, Mathias, Otávio, Caterine, Antônio, Pedro e Gabriel.

Milton Olson Pinto

“Eu me aposentei logo depois de sair da empresa. Trabalhei muito lá e, quando saí, foi com a sensação de dever cumprido.”