Mário

Blume

Depois de 30 anos de dedicação à empresa, Mário Blume adora contar todas as histórias que viveu nos tempos de Albarus e de Dana e também dos amigos que fez na sua trajetória profissional.

Quando ainda era apenas um jovem, Mário fez seu curso de Torneiro Mecânico pelo SENAI. Era o final da década de 50 e a indústria metalúrgica estava em plena ascensão naquele Brasil em desenvolvimento, e o jovem viu ali uma excelente oportunidade profissional. Mário teve alguns empregos antes de entrar na Albarus, mas queria mesmo era trabalhar na indústria. “Eu estava sempre no Sindicato dos Metalúrgicos, que era pertinho da primeira fábrica da Albarus, quando era ainda um simples galpão que fabricava embreagens, então tinha vontade de trabalhar lá”, lembra.

Antes disso, Mário trabalhou em empresas menores, como a antiga Manufi, que produzia pistões. “Quando cheguei lá, em 1962, era tudo muito precário e começamos a propor uma série de melhorias para os patrões… Parecia que eu estava lá pra dar um jeito na casa – até time de futebol acabamos montando com os colegas para jogar nos campeonatos do SESI. “Num destes jogos, disputamos um jogo com o time da Albarus Spicer, que jogava muito bem, e aquilo já me despertou a vontade de trabalhar lá – eu estava querendo crescer, trabalhar em outro lugar…”, conta.

O ano era 1965 e Mário conversou, então, com sua esposa Maria, que disse que conhecia alguém que trabalhava na Albarus, seu concunhado Eloir Machado Pereira. “Ele me disse, então, que eu fosse até a Matrizaria para fazer teste pra trabalhar como fresador – mas eu nunca tinha operado fresa na minha vida”, ri, com o bom humor costumeiro.

Mas a ousadia deu certo: ele foi aprovado no teste e contratado logo em seguida, “no dia 1 de outubro de 1965”, como ele faz questão de lembrar. Mário começou sua longa carreira na Dana como Fresador, fazendo cópias das cruzetas que eram produzidas na empresa. Mário diz que sempre foi observador e interessado e, por isso, aprendeu rápido. “Comecei a acompanhar o trabalho de quem traçava as matrizes, a forma como tirava as medidas do desenho para colocar no bloco que seria usado nos martelos… O Encarregado me perguntou se eu gostaria de trabalhar com isso. Agarrei a oportunidade com todas as forças”, afirma. Assim, 1 ano e meio depois de entrar na Albarus, Mário tornou-se Tratador de Matrizes – e não parou mais de crescer na empresa.

Em 1983, a Matrizaria mudou-se para Gravataí e Mário, que já era Mestre, ajudou a capitanear toda a mudança. “E pra tirar aquele maquinário, que era todo chumbado no chão? Fomos que nem formiguinha, um dia de cada vez, seguindo os planos do engenheiro Slavko Rozman, que queria que a fábrica permanecesse imaculadamente limpa”, lembra. Foi uma grande mudança de cultura dentro da Matrizaria – que encontrou alguma resistência no início. “Um dos meus grandes orgulhos foi saber conquistar a confiança dos colaboradores que trabalhavam comigo, o que facilitava muito o meu trabalho e ajudava nestes momentos de mudança e também nos de superação, como as quebras de recordes de produção”, explica. Ele lembra de campeonatos de futebol, de pesca, viagens ao litoral gaúcho… Tudo para motivar as pessoas que trabalhavam diretamente com ele.

Nos seus últimos 10 anos na empresa, Mário trabalhou no Terceiro Turno, o turno da madrugada que é pouco apreciado pelos colaboradores que trabalham em fábrica. “Eu acho o pessoal do Terceiro Turno ainda mais especial, porque a convivência é ainda mais intensa entre quem trabalha nesse horário. Motivados pela necessidade, são pessoas que trocam o dia pela noite para ter seu sustento e tornam-se muito unidos”, explica.

Em 1991, ele já havia se aposentado, mas só deixaria a Dana algum tempo depois. Mario ficou feliz pelo convite de participar do grupo de Veteranos Dana, e diz ter muitas memórias boas dentro da empresa. “Eu fiquei feliz por ser lembrado, mesmo depois de ter saído há algum tempo da Dana. A Albarus e a Dana são empresas que ficam marcadas na vida de qualquer pessoa que trabalhou lá e tenho ótimo relacionamento com as pessoas que eram meus colegas na época”, diz.

Agora, ele aproveita para curtir a melhor idade com a esposa Maria, com quem é casado há 55 anos e tem dois filhos, Simone e Fábio. Ele são avós de 4 netos: Mariana, Rodrigo, Gabriel e Marceli, que enchem a vida deles de alegria. Quando não estão com os netos, o casal gosta de viajar e curtir sua casa na praia.

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“Eu fiquei feliz por ser lembrado, mesmo depois de ter saído há algum tempo da Dana. A Albarus e a Dana são empresas que ficam marcadas na vida de qualquer pessoa que trabalhou lá e tenho ótimo relacionamento com as pessoas que eram meus colegas na época”.

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