Marciano

Skieresji

Dos anos trabalhando como agricultor numa pequena propriedade em Camaquã, Marciano Skierejsi traz a garra e a força com que trilhou seus trinta anos de trajetória na Albarus. De origem humilde, fala sobre todos os seus anos de Dana com simplicidade e, até mesmo, exagerada modéstia. Hoje, seu filho Ronaldo, que trabalha na empresa há quase trinta anos, é seu orgulho e lhe dá a sensação de continuidade de seu trabalho honesto e sério.

Marciano nasceu no interior de Camaquã (cidade que fica a 107km de Porto Alegre) e, de família humilde, começou a trabalhar na roça ainda pequeno. Um de seus irmãos mais velhos já morava em Porto Alegre na década de 1960, e foi buscar Marciano para que viesse trabalhar na antiga Carrocerias Eliziário, que ficava no bairro Cristo Redentor e fabricava os ônibus que circulavam naquela Porto Alegre que começava a crescer. “Eu vim trabalhar com ele mas fiquei apenas três meses nas Carrocerias Eliziário – o serviço era mais pesado até que a colônia. Depois entendi porque meu irmão contou que ninguém queria trabalhar ali, por isso havia ido me buscar no interior”, diz. Seu passo seguinte foi trabalhar na Companhia Geral de Indústrias por mais três meses. “Como eu ainda não tinha direito a férias, eles me mandaram pra casa e disseram que me chamariam de volta no retorno do recesso. No mesmo dia, passei na frente da Albarus, que ficava na Joaquim Silveira, e estava mudado todo o meu destino, sem que eu sequer sonhasse com isso”, ri ele.

Mas como um simples “passar na frente da empresa” virou um emprego que durou trinta anos? “Naquele tempo, era tudo muito mais simples. Passei na Albarus e quem ficava na portaria era o já falecido Josef Massinger, polaco como eu. Perguntei pra ele se tinha trabalho ali e, quando ele viu meu sobrenome, me mandou direto pra dentro da empresa”, ri Marciano, “não fiz testes, entrevista, nada. A minha carteira de trabalho ainda estava na Companhia Geral de Indústrias e tive que ir buscá-la às pressas”, conta.

Deste jeito, até impensável para os dias de hoje, Marciano começaria trabalhando como ajudante de operador de máquina na linha das Ponteiras. “Naquele tempo, a fábrica era muito pequena, eram só dois pequenos pavilhões, e não devia ter mais do que sessenta funcionários. Parece impensável para quem olha pra potência que é hoje, mas era nossa realidade nos anos 60”, diz. Para Marciano, o que mostrou a política de investimento nos colaboradores que sempre existiu foi que, já de início, foi enviado para fazer um curso de torneiro mecânico na escola SENAI Navegantes. “A partir daí, minha vida de operador de máquina foi de oito anos, apenas… Comecei a crescer na fábrica”, recorda.

Desta sua época de fábrica, ele recorda de um fato curioso que acontecia com Haroldo Dreux, que era genro de Ricardo Bruno Albarus e era um dos chefes da engenharia naqueles primórdios da empresa. “Eu gostava muito dele. Ainda tenho as minhas carteiras de trabalho aqui pra te comprovar esse fato: às vezes, ele parava atrás das máquinas com a mão no bolso e sabíamos que ele estava com um cronômetro ali. Naquela época, recebíamos por semana. E por três semanas consecutivas, recebi aumento. Era uma figura, eu gostava daquele cara”, recorda.

Logo, formaria uma grande parceria com o engenheiro José Domingos Miotti, que o levaria a galgar várias posições na fábrica: preparados de máquinas, encarregado, Contramestre… E, logo, viria um grande desafio profissional: ser encarregado de produção da fábrica do Cardan para o terceiro turno.

“Nessa época, o supervisor geral de produção era o Byron Matissek, e a Albarus tinha comprado praticamente a Joaquim Silveira inteira… Tinha uma casa que estavam oferecendo aos funcionários, e eu tinha um terreno no Sarandi mas não tinha casa. Eu praticamente paguei aquela casa fazendo turnos de 12 horas na Albarus, e ela está de pé até hoje, firme e forte. Só viemos pro apartamento há pouco tempo, por questões de segurança”, recorda, sob o olhar cúmplice da esposa e companheira de uma vida, Corina.

Marciano ficaria por dois anos trabalhando no terceiro turno – depois disso, fazia revezamento com o colega Chico Garcez, que também era encarregado. O passo seguinte de Marciano foi ser promovido a Supervisor de Garfos e Flanges da Linha Leve da fábrica de Cardans, enquanto o colega Ardeli Lessa ficaria com a Linha Pesada. “Depois, o Jorge Haro fez o inverso: o Ardeli na Linha Leve, e eu, na Pesada. Foi uma época bastante complicada pra mim, que trabalhava com os terminais P40 e P50, que produziam somente para a exportação e, com a entrada da linha para a Mercedes, foi um verdadeiro Deus-nos-acuda”, diz Marciano.

Nessa época, seu parceiro da engenharia era Erni Carlos Koppe, que atuou em várias frentes na conquista da conta da Mercedes-Benz. “O Clovis Kras também estava junto conosco sempre, porque cuidava dos dispositivos – também o Harry Miller, que era analista de ferramentaria… Que época inesquecível!”, afirma. Marciano também comenta que era um período de muita integração na empresa, quando os albarianos aqui do Sul iam para São Paulo fazer integração com o pessoal de lá, com as esposas junto, e tudo era diversão. “Nunca me esqueço que era o responsável pelo O Pinhão, nosso informativo, que fazia estes roteiros e organizava a viagem e paradas… Bons tempos”, diz.

Marciano destaca que outro período marcante foi quando, antes da mudança da fábrica de Porto Alegre para Gravataí, quando a Dana tinha comprado a fábrica de Eixos Diferenciais da Ford, o engenheiro Miotti foi para São Paulo, levando Marciano, Balsemino Esteves, Carlos Krieger e Cleto Coimbra. “Fomos fazer os try-outs nas máquinas e acabamos ficando em São Paulo durante três meses. O Miotti participava de reuniões tão árduas com o pessoal da Ford que chegávamos a ter pena dele. Era pressão pra tudo que era lado, foi um período marcante”, relata. O engenheiro Miotti acabaria ficando em São Paulo, e fez uma proposta para que Marciano o acompanhasse. “Mas aí o Geraldo Encke, que estava na fábrica de Porto Alegre, não quis abrir mão e acabei voltando”, ri ele.

Marciano é casado com Corina desde 1964, e tem dois filhos e três netos: Lucas, 16 anos, Rafael, 9 e o Matheus, 4 anos. Perguntado sobre como se sente ao pensar em todos estes anos de Albarus e Dana, responde, taxativo: “Eu faria tudo de novo, se pudesse voltar no tempo. E gostaria muito de voltar e viver tudo de novo, desde o começo. Aquela empresa era minha segunda casa. Ás vezes, a gente não tinha final de semana tranquilo, e só me lembro de ter tirado 30 dias de férias uma vez. Mas tudo era feito com tanto amor que valia à pena”, relata.

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“Eu faria tudo de novo, se pudesse voltar no tempo. E gostaria muito de voltar e viver tudo de novo, desde o começo. Aquela empresa era minha segunda casa. Ás vezes, a gente não tinha final de semana tranquilo, e só me lembro de ter tirado 30 dias de férias uma vez. Mas tudo era feito com tanto amor que valia à pena.”

Marciano Skieresji