Luiz Carlos

Alves de Oliveira

Em sua trajetória de 31 anos de empresa, não faltaram desafios e oportunidades – muito mais do que o jovem recém-saído da Metalúrgica Wallig poderia sonhar.

Em 24 de abril de 1962, seria admitido na Albarus – resolveu tentar a sorte na empresa depois de perceber que seria difícil crescer dentro da metalúrgica onde atuava. “O Dr. Luiz Manoel Rodrigues era médico da metalúrgica e da Albarus também, assim como o enfermeiro Paulo, e eles me contavam coisas muito boas da Albarus – comecei a me interessar pela troca”, lembra.

Seu irmão, Telmo Oliveira, já trabalhava na Albarus e o que muitos pensavam que poderia ser um benefício foi quase um obstáculo. “A princípio, me avisaram que eu não poderia trabalhar na empresa porque meu irmão estava lá também – hoje, é um dos jubilados – mas o engenheiro Paulo Regner disse que, se eu passasse no teste, seria contratado, sim”, recorda. Não deu outra: Luiz passou no teste e foi admitido como eletricista de manutenção – na época, ele já era formado pelo SENAI, uma raridade na área de manutenção elétrica, já que havia uma grande escassez de mão de obra qualificada.

Ficou seis meses trabalhando como eletricista com o Mestre José Alves, já falecido. Dali a seis meses, aconteceu a oportunidade de Luiz ser promovido a Contramestre. “Pedi para fazerem uma votação entre os 19 eletricistas que trabalhavam na Albarus na época e, se eles aceitassem, eu seria promovido à chefe deles. Deu 18 votos a um – eu não ia votar em mim mesmo”, ri ele. Luiz ainda lembra que a empresa ficava numa rua de chão batido. “Nos dias de chuva, tudo virava um barro só – vínhamos a pé atrás dos ônibus, acompanhando a marca das rodas para ter um caminho trilhado”, recorda.

Já como Contramestre, Luiz começou a ensinar o pessoal da manutenção a usar instrumentação, porque viu que, por pura falta de conhecimento, isso não acontecia. “Comecei a estimular o pessoal a usar instrumental de eletricista para que eles fizessem medição dos equipamentos, para detectar inclusive se as ferramentas estavam com desgaste ou forçando demais as máquinas e até para calcular o valor das resistências. Nas horas de folga, fazíamos estas pequenas aulas – a dificuldade era grande, tínhamos pessoas trabalhando com boa experiência na prática mas sem qualquer base teórica, e muitos nem sabiam ler”, conta. Luiz lembra que todos incentivavam estes colegas que não sabiam ler ou escrever para que estudassem numa salinha separada, onde ficava o sistema de telefonia, na hora do almoço.

Ele recorda que, por esta época, a Albarus começou a adquirir muitas máquinas novas para a fábrica, já que estava em franca ascensão e crescimento, e ele levava os manuais e mapas de funcionamento deste maquinário para estudar em casa. “Minha esposa dormia, eu abria os mapas e ficava a madrugada toda tentando desvendar como essas máquinas funcionavam e a maneira correta de instalação – no fim, dava certo e era recompensador implantar essas novidades”, diz.

Logo depois, ele ficaria conhecido como sendo o funcionário para quem nunca tinha ‘tempo ruim’ na empresa – atendia a todos os pedidos de ajuda em manutenção, a hora em que fosse. A dedicação era tanta que, mesmo no início da carreira como albariano, já seria convidado a mudar de residência por causa da empresa – e aceitou de bom grado. “Em 1970, ofereceram para eu e minha esposa nos mudarmos para uma casa que ficava junto da Albarus, para que pudesse atender os chamados de manutenção com mais rapidez. Minha casa tinha até um ramal interno instalado para atender à empresa quando necessário. E lá fomos nós, de mala e cuia”, relembra, sorrindo. Moraram nesta casa por anos.

Luiz ressalta que outra coisa importante na Albarus era a união. “Éramos uma equipe liderada por gente com perfil agregador, como o engenheiro Levi Brum, e era com alegria que íamos aos domingos para a empresa para jogar futebol, bater papo…” Destas conversas, surgiu a ideia de criar a Associação de Funcionários da Albarus, a AFA, da qual Luiz seria presidente mais tarde.

Outro momento marcante na sua carreira na Albarus foi quando foi enviado aos Estados Unidos, em 1977. O engenheiro Levi comunicou que a empresa queria instalar um forno por indução para a Forjaria e que, dessa vez, o técnico não viria à empresa instalar o equipamento. Luiz seria, então, enviado para os Estados Unidos para aprender tudo sobre o forno. “No dia 1 de outubro embarquei – o engenheiro Pedroza já estava lá, trabalhando, mas eu não falava nada de inglês e viajei sozinho. Foi uma verdadeira aventura, voltei com muitas histórias pra contar”, relembra ele, aos risos. No final, de tudo certo e ele aprendeu tudo sobre o equipamento durante seus quinze dias de viagem – Luiz também esteve na fábrica das retíficas Bryant, que ficava em Vermont, para buscar soluções para a Albarus também. “Foi uma passagem na empresa que o engenheiro Levi me proporcionou e nunca mais esquecerei – rendeu muitas risadas dentro e fora da fábrica, foram várias “trapalhadas” – e muito trabalho também”, recorda.

Dentro da Albarus, Luiz ainda passaria a Chefe de Departamento, cuidando de toda manutenção elétrica, mecânica, serralheria… E acabaria até por ser chefe do seu irmão, Telmo, que trabalhava na manutenção mecânica da empresa. Ele também recorda da época da mudança para Gravataí, mas conta que não participou diretamente da mudança – ficou ajudando a tocar a fábrica em Porto Alegre, que não podia parar. Somente em 1982, quando se aposentou, foi para Gravataí trabalhar – e ficaria mais onze anos na empresa. Trabalhou até na área de Compras durante dois anos, como comprador, e depois para a Divisão de Anéis, onde atuou por mais três anos. Depois, iria para a fábrica de elastômeros, como chefe de manutenção. Dois anos depois, ele decidiu que era a hora de parar de trabalhar na Albarus. Ainda trabalharia em diversas áreas, mais como forma de se manter ativo do que por necessidade. “Sempre gostei muito de trabalhar, me divertia”, diz.

A melhor coisa de todos esses tempos de dedicação? “Tudo. Tudo foi importante pra mim dentro da empresa. Ela sempre foi uma grande prioridade na minha vida – me preocupava muito em deixar a fábrica trabalhando sempre, não deixar as máquinas paradas”, conclui. “Conheci e convivi com muitas pessoas fantásticas na minha carreira –  impossível citar sem esquecer algum nome, foram muitos. Amigos, ficaram muitos. De ponta a ponta da empresa – do mais alto nível da firma até o pessoal de chão de fábrica. O mais importante é que tudo valeu à pena”, finaliza.

Hoje, Luiz gosta de ficar na companhia da esposa Maria de Lourdes, com quem completou 54 anos de casamento recentemente, e aproveitar os momentos de folga com seus filhos Carlos Alexandre e Dalva Beatriz, o genro Jair e a nora Anelise e, claro, as duas netas, Bruna e Luiza. E sempre procura comparecer aos encontros dos jubilados dentro da Dana para relembrar as inúmeras histórias e rever os amigos.

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Tudo foi importante pra mim dentro da empresa. Ela sempre foi uma grande prioridade na minha vida – me preocupava muito em deixar a fábrica trabalhando sempre, não deixar as máquinas paradas. Conheci e convivi com muitas pessoas fantásticas na minha carreira –  impossível citar sem esquecer algum nome, foram muitos. Amigos, ficaram muitos. De ponta a ponta da empresa – do mais alto nível da firma até o pessoal de chão de fábrica. O mais importante é que tudo valeu à pena.

Luiz Carlos Alves de Oliveira

Em sua trajetória de 31 anos de empresa, não faltaram desafios e oportunidades – muito mais do que o jovem recém-saído da Metalúrgica Wallig poderia sonhar.