Luiz José

Tessaro

Carisma, seriedade e trabalho árduo: a carreira de Luiz Tessaro na Dana deixou muitas lembranças. Um trágico acidente de trânsito encerrou essa história e queremos homenageá-lo contando um pouco da sua trajetória profissional conosco.

In Memoriam ✩ 30/12/1952 ✝08/01/2000

Luiz José Tessaro começou sua carreira profissional em Porto Alegre, na empresa AJ Renner em 23 de maio de 1966 como Auxiliar Administrativo. Acumulou bastante experiência ali, de onde só saiu para ocupar a vaga de Programador de Produção na Albarus, que assumiu em 2 de agosto de 1971. O que ele não imaginaria é que passaria 30 anos trabalhando na Albarus e depois na Dana, no Rio Grande do Sul e também em São Paulo.

Filho de italianos que vieram para o Brasil imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, Tessaro era um profissional rigoroso, que sabia mesclar retidão com um viés humano. “Como em toda família italiana, um dos filhos homens tem a missão de ser padre… E esse era o papel do meu pai, que chegou a frequentar o Seminário, mas fugiu de lá aos 18 anos”, conta Alexandre, seu filho mais velho, que também trabalhou na Dana, no Departamento de Marketing. Luiz, então, matriculou-se em Administração de Empresas na Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUC/RS) e formou-se.

Começou sua carreira na Albarus no chão de fábrica, um ambiente que adorava e em que se sentia ‘em casa’. Na época, a fábrica onde trabalhava em Porto Alegre, a antiga ATH / Albarus Transmissões Homocinéticas, estava em plena expansão com a iminente conquista de uma série de fornecimentos do produto para as maiores montadoras brasileiras, que estavam prestes a implantar a tecnologia nos veículos que rodavam por esse Brasil. “Meu pai era extremamente justo e dedicado à Albarus. Era aquele tipo de profissional que tinha hora pra entrar, e não pra sair. Mas fazia questão de almoçar em casa conosco, tanto em Porto Alegre como em São Paulo – esses eram os valores sólidos que passou para a gente”, diz Alexandre.

Nesse período de muito trabalho, Luiz já era casado com Benta Silveira Tessaro, que havia conhecido quanto trabalhava na AJ Renner. Tiveram 3 filhos: Alexandre, Adriana e Daniel. Com os 3 ainda filhos pequenos, Tessaro recebeu uma missão que significava mudar com a família para São Paulo. “A fábrica ainda ficava no bairro do Socorro (São Paulo). E, assim, depois de 14 anos trabalhando em Porto Alegre, viemos todos para São Paulo”, lembra Alexandre.

Apesar de acumular cada vez mais responsabilidades, Alexandre lembra que o pai não era de levar trabalho pra casa. “Além de ter essa política de almoçar conosco, ele só levava trabalho pra casa nas chamadas “Hell Weeks”, quando precisava preparar apresentações – mas ele sempre valorizou o tempo conosco”, diz. “Ele era perfeccionista, correto, nos cobrava bastante como todo bom pai, era justo e carismático, muito engraçado também – uma figura única”, completa.

Depois de um período da fábrica de eixos, um novo desafio começava na carreira de tessaro, que foi transferido para a Pellegrino e assim começou a trabalhar no mercado de reposição. Nessa época, a Pellegrino, uma tradicional Distribuidora de Autopeças adquirida pela Dana etinha sede na Vila Pompéia. Tessaro trabalhou ali por 4 anos como Diretor Vice-Presidente, até ser chamado para voltar para a Dana.

Ele ainda iria para a fábrica de Eixos de Sorocaba e de lá para Taubaté, onde trabalhou como Diretor em uma joint venture, a SM / Sistemas Modulares, um período onde os módulos eram a grande novidade no mercado automotivo, período de grandes conquistas para a unidade. Em menos de um ano de operação, a SM conquistou a certificação ISO 9002 e fornecimentos para as principais montadoras de São Bernardo do Campo, tendo como principal cliente a Volkswagen. “Ele tinha muito orgulho de participar da montagem da empresa, com equipamentos herdados do cliente e, em tão pouco tempo, ter resultados tão satisfatórios”.

Alexandre lembra de outro momento marcante na carreira do pai: quando ele próprio se tornou um albariano. “Eu trabalhava na Unilever e fiquei sabendo que o Luciano Pires, então Diretor de Marketing, buscava pessoas para a equipe. Mandei meu currículo, fiz entrevista e não queria que meu pai ficasse sabendo do processo seletivo de forma alguma – e ele não ficou. Quando fui aprovado, avisei meu pai, que ficou feliz. E sempre fez questão de nunca misturar as coisas – uma vez, chamei-o de ‘pai’ numa reunião e ele ficou muito bravo. Puxou-me prum canto e disse: ‘Aqui, é Tessaro’”, contou. Alexandre pôde, então, conhecer também o pai no ambiente profissional: sério, justo e trabalhador, também adorava contar piadas pros colaboradores que com ele atuavam. “Um lado diferente do que víamos em casa, mais descontraído – ele adorava trabalhar na Dana”, resume.

“Ele faleceu num acidente em 2000 e posso dizer que ele estava numa fase muito feliz da vida. Fazia terapia, estava levando as coisas com mais leveza… Meu pai é uma figura que, até hoje, é muito presente na minha vida. Me pego pensando o que ele acharia das coisas que me acontecem, o que ele diria das façanhas dos 4 netos… Ele era um cara único, muito do bem, que ainda vive em todas as histórias e memórias que construiu com todos que conviveram com ele”.

Confira algumas declarações dos colegas que conviveram com Tessaro:

“Quem conviveu com Luiz Tessaro teve oportunidade de conhecer um homem íntegro, brilhante, guerreiro. Era gerente da Sistemas Modulares de Taubaté e tinha potencial para galgar os mais altos postos da Dana. Sua trajetória foi cortada em fevereiro de 2000 num acidente de trânsito quando viajava, em férias com sua família, para Santa Catarina. No ímpeto de socorrer um caminhoneiro acidentado, acabou sendo atropelado por outro veículo. Saudades do amigo Tessaro.”

Gilberto Rodrigues

“Posso falar em primeira mão pois tive a sorte enorme de trabalhar diariamente com ele na Sistemas Modulares. Excelente profissional, grande mentor, amigo que faz falta e ser humano especial.”

Enio Marcello

“Tessaro foi um grande profissional e sempre alicerçou seu desenvolvimento profissional nos seus próprios méritos e acumulou inúmeros exemplos de ajuda aos seus colegas (em vez de atacá-los) bem como a outras pessoas que mesmo não as conhecia demonstrando genuína generosidade até seus últimos minutos de vida. Tessaro foi e sempre será um exemplo a ser seguido como profissional e como pessoa.”

Gilberto Ceratti

“Ele era uma pessoa belíssima de corpo e alma. Pena que sua trajetória foi curta. Nos deixou o legado de como é importante ser humano e simples, sendo assim nada impede de sermos um grande profissional e um grande homem ao mesmo tempo… Por isso deixou tantas saudades.”

Cida Fortes

“Luiz Tessaro era uma pessoa muito bacana, um excelente profissional que tratava os subordinados e colegas com muita educação.”

Eliana Leal

perfil

Luiz Tessaro conquistou amigos entre seus colegas da Albarus de Porto Alegre, São Paulo, Sorocaba e Taubaté – e marcou a empresa com seu carisma e profissionalismo.

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