Leonardo Rabassi

Leonardo

Rabassi

Vindo do interior do Paraná, Leonardo Rabassi construiu uma carreira de sucesso na metalúrgica de Jundiaí e adotou a cidade como sua terra natal

Na década de 1970, no pequeno município de Marialva, no Paraná, corria solta a história sobre a oferta de fartas vagas de emprego nas fábricas de Jundiaí, no interior de São Paulo. Naquela época, para a maioria dos moradores locais mudar de cidade significava deixar de lado a vida no campo para buscar oportunidades de crescimento profissional longe das plantações de café. Casado há dois anos com a Cleide e com a filha Ligiane de apenas um ano, Leonardo Rabassi via vários conhecidos partirem sem retornar, sinal de que os relatos transmitidos no boca a boca tinham grande chance de serem verdadeiros. Consciente de que a viagem seria um caminho sem volta, decidiu investir tudo o que tinha no novo projeto de vida. “Não foi um ato de coragem, na verdade foi pura falta de opção porque o sítio onde a gente morava não tinha condições de sustentar a minha família mais a dos meus dois irmãos”, conta.

A nova cidade rapidamente entregou o que prometeu. Em apenas um mês, Leonardo conseguiu a tão sonhada vaga de emprego na forjaria, que teve suas operações adquiridas posteriormente pela Dana dentro do processo de recuperação judicial. A experiência como motorista no campo foi essencial para o início de carreira. “Comecei a trabalhar na empresa em julho de 1977 como tratorista transportando as peças da forjaria para a usinagem e da usinagem para a inspeção”, recorda. A adaptação ao novo emprego não foi fácil, seja pela mudança brusca das plantações para um sistema fabril, seja pela distância da família. “Três meses após a minha chegada minha mãe faleceu, logo depois minha esposa perdeu um sobrinho de apenas 9 anos. É difícil estar longe da família numa hora dessas”, lamenta.

Com foco total no trabalho, Leonardo foi rapidamente conquistando a confiança da chefia e assumindo novas responsabilidades. Poucos meses após sua contratação, passou a dirigir as empilhadeiras que abasteciam o depósito de peças, além de cobrir as faltas dos colegas nos mais diversos setores da empresa. Posteriormente assumiu o cargo de motorista de caminhão carregando as rebarbas das peças. “Foi um período de muito trabalho e dedicação, queria sair do aluguel. Consegui comprar um terreno com dois irmãos e fazer os primeiros cômodos da minha antiga casa”, diz.

Logo percebeu que uma maior qualificação seria bem-vinda para conseguir uma promoção e decidiu fazer um curso de ferramentaria no colégio Duque de Caxias. Já de olho em novas oportunidades, soube de uma vaga na matrizaria e após conversar com o pessoal de recursos humanos conseguiu uma entrevista com o chefe do setor. “Fazia quatro anos que estava na empresa. Entrei na sala e vi que era o Walter. Ele passava por mim todos os dias no fim do expediente e sempre me via trabalhando ou limpando o caminhão. Quando me reconheceu nem fez a entrevista, foi logo assinando a papelada e consegui a transferência.”

O trabalho como ajustador exigia novas habilidades manuais e esforço físico. No início Leonardo montava caixas de enxerto. “Às vezes tinha que pegar a empilhadeira para colocar o enxerto dentro da caixa e depois bater a marreta, mas aos poucos os enxertos foram substituídos por novas formas de produção, bem mais confortáveis para os funcionários”, lembra. Ao ser transferido para a bancada, passou a cuidar do acerto das estampas. “Essa seção também passou por algumas transformações. Na minha época pra gente colocar um pino na matriz, o processo de dilatação da peça era feito em altas temperaturas, um calor danado. Hoje é tudo por resfriamento, com gelo seco, mas eu não cheguei a pegar essa mudança”, destaca.

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Além do curso de ferramenteiro que fez por conta própria, Leonardo terminou o ensino fundamental nas aulas oferecidas pela empresa. “Era uma espécie de supletivo e todos os funcionários precisavam fazer para se capacitar, mas foi muito bom porque é um conhecimento que a gente leva para a vida toda.”

Após 21 anos de casa e com a ajuda da área de recursos humanos, Leonardo foi atrás da comprovação dos anos de trabalho no campo. Conseguiu atestar mais cinco anos de atividades e entrou com o pedido de aposentadoria em 1998. Mesmo aposentado ficou na empresa por mais quatro anos. “Sai de lá em 2001. Eu gostava muito do meu trabalho e tenho muito orgulho da minha trajetória profissional. Com o que ganhei ali fiz a minha primeira casa, depois comprei outro terreno e construí essa casa que moro até hoje. É uma empresa muito boa para trabalhar.”

Leonardo ainda foi convidado a voltar para a empresa três vezes. No primeiro pedido tinha acabado de firmar uma sociedade com um amigo para construir casas e não podia abandonar o serviço sem finalizar o processo. Na segunda vez, estava ajudando a filha a cuidar de uma loja de roupas e, por último, tinha acabado de comprar uma van para ingressar no ramo de transporte escolar, atividade que exerce até hoje. “Eu queria muito voltar, mas cada vez que eu iniciava uma empreitada aparecia um convite. Na última vez, o gerente da área, veio até minha casa para falar comigo. Acho que não era para ser.”

Além da filha Ligiane nascida no Paraná, Leonardo é pai de Rafael, engenheiro mecânico, que trabalha na Siemens da Alemanha, e tem quatro netos: Sofia, Lucas, Clara e Yasmin. A esposa Cleide lembra com carinho das festas de fim da ano na empresa. “Era uma alegria só. A gente visitava a fábrica, depois tinha lanche e as crianças ganhavam ótimos presentes. A gente esperava por esse evento o ano inteiro.” Outra boa lembrança da família são as comemorações de 7 de setembro. “Como eu era motorista, a empresa cedia a gente para a prefeitura para dirigir os carros alegóricos durante os desfiles. Eles eram largos, difíceis de manobrar, mas era divertido demais fazer esse trabalho.”

Ainda hoje, Leonardo mantém contato com alguns colegas de trabalho, mas o horário corrido de entrada e saída das crianças nas escolas, muitas vezes o impede de participar dos encontros de veteranos. “Por conta do trabalho só consigo ir nos eventos de fim de semana, mas quando posso não perco um. É muito bom rever os amigos e ver de perto a evolução da empresa”, ressalta. Nas horas de folga, Leonardo gosta de participar das atividades voluntárias da igreja. No momento está na última etapa do caminho neocatumenal e o próximo passo é ir até Jerusalém para a confirmação do batismo no rio Jordão. Também pretende em breve visitar o filho na Alemanha. “Não sei se vai dar certo, mas esses são os meus planos para o futuro.”

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“Tenho muito orgulho da minha trajetória profissional e de tudo o que conquistei com o meu trabalho. Fui convidado três vezes para voltar para a empresa, mas sempre tinha algo que impedia. Queria muito que tivesse dado certo.”

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