Lauro

da Rosa Gonçalves

De riso fácil, Lauro da Rosa Gonçalves viveu intensamente seus 20 anos de Dana, iniciados no distante ano de 1973. Com muita vontade de aprender, o jovem Lauro foi contratado como office-boy e, aos poucos, foi crescendo dentro da empresa.

Nascido em Barra do Ribeiro, Lauro é irmão de outro jubilado, Fernando da Rosa Gonçalves, que por sua vez trabalhou 23 anos como operador de máquina na antiga Albarus. “Somos em 7 irmãos, só 2 não passaram pela empresa”, ri ele. Ficou sabendo da vaga na então Albarus também por uma familiar, a prima Vera Regina Schulz, que trabalhava lá e avisou para o jovem Lauro que a empresa oferecia boas oportunidades de trabalho. “Eu trabalhava numa oficina de chapeação de carros, e ganhava 3 salários mínimos. De início, o salário que a empresa me oferecia não me atraiu – meu pai era viúvo e tínhamos que ajudar em casa, mas era a Albarus, e todo mundo queria trabalhar lá, então resolvi arriscar”, lembra.

Lauro foi contratado como office-boy do Controle de Qualidade da Divisão de Juntas Universais – as cruzetas -, para trabalhar sob a tutela de Otávio Palmas e a secretária do departamento, Sílvia Maria Rodrigues. “Lembro que o Johann Limbacher tinha acabado de ir pra Alemanha quando eu entrei na DJU, e ele foi meu último gerente na empresa também – uma pessoa maravilhosa”, relata.

Ele lembra do seu começo na empresa como “uma grande novidade”. “Eu era um guri do interior, e tudo era muito novo pra mim, fui acolhido por todas as pessoas, que foram muito bacanas ao me ensinar muita coisa – o ambiente da empresa era incrível, era muito familiar”, recorda. Depois de 2 anos e meio de muito trabalho, Lauro foi promovido a Auxiliar de Inspetor de Qualidade – e seu irmão mais novo, Roberto, foi contratado como office boy do Departamento de Qualidade no lugar dele.

“Trabalhávamos bastante, o ambiente era muito bacana. Quando eu entrei, o Cláudio Xavier e o Mário Ferreira eram os líderes do pessoal, e meu líder era o Antônio Carlos Moreira – eu fazia os relatórios de estatística de refugo, que a Sílvia tinha que apresentar nas reuniões”, lembra. Nas horas vagas dos seus primeiros anos na Albarus, Lauro conta que ajudava a limpar e fazer pequenas manutenções nos equipamentos de medição antes mesmo de saber usá-los.

A nova fase foi marcada por muitos desafios e, durante um período de 6 anos, Lauro foi crescendo na empresa – primeiro como Inspetor de nível 1, 2 e 3, depois como Líder, Supervisor e Chefe de Departamento – esta última função em Gravataí. “Ás vezes, era chefe de pessoas com mais tempo de empresa e isso podia gerar desconforto. Mas sempre dizia aos meus filhos: se tu fores o melhor no que tu faz, sempre vão surgir oportunidades, e trabalhei muito para conquistá-las”, resume.

Um período marcante que Lauro lembra foi do grande progresso da empresa na década de 70, com o começo de produção de juntas homocinéticas e seu “estouro” no Brasil. Em 1978, ele lembra que teve que sair da empresa para servir o Exército – mas um ano depois já estava de volta, mas em um novo desafio: implantar o Controle Estatístico de Processo (CEP) na empresa. “Fizemos primeiro a linha de protótipos, nos terminais, mas já era a 5a vez que se tentava implantar o CEP na Dana e tivemos que fazer uma análise do porquê de tantas tentativas frustradas. Após uma análise, notou-se que 80% dos funcionários da fábrica eram analfabetos ou semi analfabetos”, explica. Encontrada a grande dificuldade, iniciou-se um projeto de alfabetização destas pessoas – o Programa de Alfabetização Funcional (PAF) e o Programa de Educação Integrada (PEI) – este último, para que dessem continuidade aos seus estudos depois da alfabetização. Os 2 programas foram implantados pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), que permitiu que milhões de brasileiros fossem alfabetizados no mercado de trabalho. “Começou, então, a história da educação dentro da Albarus – depois, viria a parceria com o SENAI, que tinha uma escola lá dentro, já em Gravataí. Durante 5 anos, trabalhamos na alfabetização e, depois, houve parcerias com escolas técnicas e a Universidade Federal de Pelotas”, conta.

Em 1980, Lauro mudou-se para Gravataí, sabendo da iminente mudança da empresa para a cidade. Nesta época, casou-se com Loraci, estão casados há 35 anos, e tem 3 filhos, Pablo, Juan e Lauro. Juan casou e lhe deu 2 netas: Manuela e Luísa, seus xodós. “Na época em que comprei a casa na Morada do Vale, quis me antecipar para a mudança da empresa, mas esperei mais 5 anos até a mudança ser definitiva”, ri ele.

Em Gravataí, Lauro já era supervisor do departamento, e se lembra desta como uma época bastante de aprendizado – ele fez mais de 30 cursos na Albarus e trabalhou muito nessa época. Seguiu trabalhando na Qualidade até a hora de sair da empresa. “Passei os anos de 90, 91 e 92 trabalhando diretamente com o Limbacher e a empresa investu na minha capacitação com o curso de Gestão da Qualidade, na Unisinos, o que me habilitou para depois trabalhar como consultor de qualidade”, afirma.

Lauro conta que Limbacher foi na sua formatura e deu a dica para Lauro fazer curso no Instituto Euvaldo Lodi para tornar-se consultor – ele tinha acabado de sair da Dana. “No primeiro ano somente, atendi 6 empresas – e sigo até hoje trabalhando com isso, muito feliz”, diz.

Sobre a Dana, empresa onde ele trabalhou dos 14 aos 34 anos, ele diz ter muitas coisas boas na memória. “Eu só cresci dentro da empresa, tenho bastante a agradecer, foi um grande aprendizado. Construí minha família com o que ganhei lá, pra mim foi muito importante o que vivi na empresa”, conclui, emocionado.

Lauro da Rosa Gonçalves

“Fiquei dos 14 aos 34 anos na empresa, e eu só cresci dentro da Albarus, tenho bastante a agradecer, foi um grande aprendizado. Construí minha família com o que ganhei lá, pra mim foi muito importante o que vivi na empresa”.