José

Odone Braga da Silveira

Nascido no interior de Santo Antônio da Patrulha, veio direto da lavoura pra dentro da Forjaria, onde permaneceu trabalhando por 37 anos.

Odone, como era mais conhecido dentro da fábrica, começou sua trajetória na antiga Albarus trazido pelo irmão, Osvaldo, que trabalhava como operador de prensa. “Eu nunca havia trabalhado em fábrica antes, e fui contratado como forneiro pela Albarus, quando a fábrica ainda era na rua Joaquim Silveira. Meu irmão foi num final de semana pra Santo Antônio e me trouxe pra Porto Alegre, pra tentar a vida aqui na cidade”, lembra.

Odone começou sua carreira morando numa pensão, junto com o irmão. “Eu não tinha dinheiro pra pagar o primeiro mês, meu irmão me ajudou naquele início. Eu só tinha uma malinha de roupa e uns trocados e vim para Porto Alegre – era melhor do que trabalhar na roça”, relata. Ele conta que a pensão ficava na Joaquim Silveira e que diversos albarianos moravam ali, na “Dona Nair”.

Ele foi contratado em 27 de novembro de 1973 para trabalhar nos fornos à óleo da Forjaria que, naquele tempo, ainda era à Martelo. “Confesso que, no começo, pensei em desistir. Achei que não ia aguentar, era muito diferente da minha realidade e eu era apenas um guri do interior. Mas meu irmão me convenceu a ficar e disse que a empresa era boa – o resultado? Só saí da Dana aposentado”, ri Odone.

Ele ficou durante 5 anos trabalhando como Operador de Máquina e lembra que, com muito esforço, conseguiu comprar um terreno, que pagou em 72 prestações. “Eu tinha muita vontade de ter minha casa, mas sabia que, até isso acontecer, teria muito chão pela frente – as minhas roupas sujas da Forjaria era eu quem lavava, juntava cada moedinha que podia e só comia na empresa”, lembra, emocionado, “tudo foi muito batalhado, mas faria tudo de novo, se fosse preciso”.

Depois disso, Odone foi promovido a Preparador de Máquinas. “Eu tinha muita vontade de crescer na empresa, e ia trabalhar sempre que precisavam de mim, até mesmo em horas extras, nem que fosse pra limpar forno e bater marreta – e, assim, fui caindo nas graças das chefias”, diz. Logo em seguida, foi promovido a Encarregado de Produção e, depois, a Mestre. “Eu gostava mesmo era de trabalhar com o pessoal da fábrica, e sempre me dei bem com todo mundo, nunca tive inimigos na empresa”, afirma.

Enquanto isso, ia fazendo cursos – a Albarus sempre incentivava seus colaboradores a estudar e, assim, Odone fez 78 cursos dentro da empresa, de diversos temas. “Foi assim que fui promovido a Supervisor – as pessoas começam a notar quem tem interesse em trabalhar melhor e, naturalmente, essas coisas vão acontecendo”, explica. Ele diz que procurou sempre ser um chefe que promovia a liderança através do exemplo. “Procurava auxiliar o pessoal, não ser aquele chefe que só cobra. Eu colocava a mão na massa junto com eles”, explica.

Odone lembra com carinho da união que sempre teve com os colegas de Forjaria, dos inúmeros recordes de produção que quebraram, e também das festas que faziam em família na empresa, especialmente nos finais de ano. “Pra um cara que só tinha a quinta série do Ensino Fundamental, cada conquista era como se fosse a melhor do mundo e tentava valorizar sempre as pessoas que estavam subordinadas a mim, para que também se sentissem parte daquilo”, relata.

Odone trabalhou nos 3 turnos da empresa, mas acabou ficando mais tempo no Terceiro Turno – ao todo, cumpriu esse horário durante 20 anos. Ele gostava do silêncio e da tranquilidade de trabalhar neste turno e, durante todo o restante da sua carreira, atuou no mesmo cargo: Supervisor de Produção. “Se eu tivesse estudado mais, talvez tivesse tido outros cargos”, lamenta.

Ele se aposentou em 1995, mas seguiu trabalhando na Dana até 2009. “Eu tinha a Dana como se fosse minha – não admitia desleixo dos funcionários que estavam trabalhando comigo: dizia a eles que a empresa tinha que ter lucro porque, um dia, os filhos deles poderiam trabalhar ali dentro também. A Dana é uma ótima empresa e só tenho a agradecer por todos estes anos de trabalho que vivi lá. Foi meu ganha-pão durante 37 anos e eu gostava muito de trabalhar ali”.

Hoje, ele curte os filhos Veridiana e Antônio e, especialmente, os netos Julio, Natália, Adriane e Rafaella. Odone e sua esposa Maria Terezinha também tem um sítio em Santo Antônio da Patrulha, onde criam gado, e uma casa na praia, onde passam os meses mais quentes do ano.

José Odone Braga da Silveira

“Eu tinha a Dana como se fosse minha – não admitia desleixo dos funcionários que estavam trabalhando comigo: dizia a eles que a empresa tinha que ter lucro porque, um dia, os filhos deles poderiam trabalhar ali dentro também. A Dana é uma ótima empresa e só tenho a agradecer por todos estes anos de trabalho que vivi lá. Foi meu ganha-pão durante 37 anos e eu gostava muito de trabalhar ali”.

José Odone Braga da Silveira