José Luiz

Nazario

Quem vê o homem simples cuidando de sua vida no interior de Santo Antônio da Patrulha pode não imaginar, mas José Luiz Nazário trabalhou durante 31 anos na manufatura da Dana, construindo uma carreira longeva e sólida, repleta de conquistas – e também de desafios.

José começou a trabalhar na Dana (então ainda chamada de Dana Albarus) quando tinha apenas 18 anos. Nascido em Santo Antônio da Patrulha, ele morou em Cachoeirinha desde os 6 anos de idade e diz que sua carreira na Dana começou “meio por acaso”. “Eu estava procurando emprego no Distrito Industrial, preenchendo fichas nas empresas e resolvi falar com o vigilante da portaria da Dana, que me informou que eles estavam recrutando e fazendo teste para novos colaboradores”, lembra. Nessa época, ele não tinha nenhuma experiência em fábrica ou manufatura, mas a vontade de aprender era grande.

José diz que passou no primeiro teste para ser admitido para a empresa e, em apenas 2 semanas, foi chamado para fazer um período de experiência na Divisão de Elastômeros, que na época tinha a Área de Qualidade comandada por Carmen Piccini – também veterana da Dana. “Comecei a trabalhar na empresa da mesma forma que muita gente: como Operador de Máquina – fiquei 1 ano na Dana, acabei me afastando da empresa, mas fui chamado para retornar”, conta.

Mas, desta vez, não era para uma vaga na Divisão de Elastômeros – era uma vaga para a Divisão de Forjados. “Lembro muito bem, o ano era 1987 e, quando me chamaram para voltar, disseram que eu ia adorar e que tudo seria diferente. E, assim, retornei para a Dana como Auxiliar de Forjaria, mas jamais pensei que ia ficar 31 anos na empresa”, afirma.

Ele diz que não tinha concluído o Ensino Fundamental e que, na época, abraçou a oportunidade que a empresa dava de estudar e terminou os estudos no supletivo de Ensino Fundamental, Ensino Médio e ainda fez um curso Técnico de Forjador mais 2 anos. “Estive sempre trabalhando com lideranças fantásticas, que incentivavam o nosso crescimento profissional – o Octávio Teichmann, o Paulo Matzenbacher, o Harro Burmann, o Roberto Wolfart, o Rubens Fritsch – todos pessoas notáveis”, diz. Outro colega que José faz questão de citar é Derci Luiz Valim, também jubilado como ele. “Um grande professor a quem devo muito, me ensinou valores de ética e trabalho pelo simples exemplo vivo, de atitudes”, conta.

E todo esse esforço se deu enquanto ele trabalhava no Terceiro Turno, o que tornou as conquistas ainda mais valiosas. “Acostumei muito rapidamente ao horário e entendi que precisava fazer sacrifícios para dar melhores oportunidades aos meus filhos Douglas e Caroline – por isso, a maioria dos meus 31 anos de Dana foram no turno da noite”, explica. “E tudo que fiz na Dana valeu a pena – não me arrependo de nada e, olhando pra trás, eu concluo que só tenho a agradecer. Sou muito grato por tudo que a empresa trouxe na minha vida”.

José também faz questão de ressaltar o aspecto humano da Dana, uma constante durante toda sua trajetória dentro da empresa e também nos momentos de lazer entre colegas. “O pessoal da Forjaria sempre foi muito unido, trabalhávamos num clima ótimo de cooperação, respeito, amizade. Um clima leve, era uma equipe muito boa, uma turma de pessoas verdadeiramente única”, ressalta. Em um determinado momento de sua carreira, José foi promovido a Chefe de Produção e ele viu na prática a importância desses laços – e como eles eram essenciais dentro da fábrica. “Procurava passar pras pessoas que era essencial dar o máximo de si, aprender a não misturar as coisas e mesclar um lado meio psicólogo, um lado amigo, e um lado técnico, focado em atingir os objetivos”.

Em 1999, ele se formou Mecatrônico, uma conquista da qual se orgulha muito, especialmente ao lembrar de que não tinha completado nem o Ensino Fundamental quando entrou na empresa. “Outra coisa que me deixa muito feliz foi que, alguns anos antes, em 1995, foi um dos primeiros Operadores Multifuncionais da Dana. Eu amava o que fazia – não é à toa que, até hoje, eu sonho que estou trabalhando, sonho com os colegas de empresa e ficava muito feliz de ir aos encontros dos veteranos que aconteciam antes da pandemia”, diz.

Outro fator que o marcou muito, ainda quando trabalhava na empresa, era a visão apurada que alguns veteranos tinham do mercado. “Nunca esqueço que, em 1989, fiz um curso de Excelência em Manufatura com Johann Wolfgang Limbacher em que ele simplesmente falou sobre tudo o que aconteceria no mercado automotivo – para minha surpresa, em 2016 e 2017 vi suas ‘previsões’ acontecendo uma a uma com grande assombro. Ele foi um baita visionário!”.

Mas nem só de trabalho ele falou durante este bate-papo sobre sua carreira. “Eu aproveitei cada oportunidade de lazer que a empresa me deu – especialmente o Portas Abertas, quando nossa família visitava a empresa, e os Concertos Dana, quando assisti shows simplesmente incríveis como Zeca Baleiro, Vitor Ramil, os Clássicos do Rock tocados pela Orquestra da ULBRA…”, recorda.

Em 2013, José resolveu se aposentar e, 4 anos depois, decidiu que era a hora de parar de trabalhar na Dana. “Eu planejei muito a minha aposentadoria para não sentir aquele baque horrível e conseguir curtir a vida com saúde e alegria”. Casado com Lisiane há 8 anos, ele resolveu retornar à cidade onde nasceu, Santo Antônio da Patrulha, para curtir a vida no interior e também viajar. “Já estivemos no Nordeste e nosso próximo plano, quando tudo isso acabar, é passar um tempo viajando pela Europa”, diz.

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“Tudo que fiz na Dana valeu a pena – não me arrependo de nada e, olhando pra trás, eu concluo que só tenho a agradecer. Sou muito grato por tudo que a empresa trouxe na minha vida”.

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