José

dos Santos

Orgulhoso de sua trajetória profissional, José dos Santos sequer poderia imaginar que sua dedicação total ao trabalho o levaria tão longe.

Entre as inúmeras lembranças que guarda na memória, José dos Santos recorda em detalhes da noite de quinta-feira em que pegou o trem na estação de Olímpia rumo à Jundiaí para tentar uma vaga em uma das maiores forjarias da cidade, hoje incorporada pela Dana. Era 1978 e o rapaz de 23 anos jamais tinha saído de sua cidade natal. Além do frio na barriga , trouxe na bagagem uma porção de sonhos e uma enorme vontade de vencer na vida.

O primeiro emprego de José dos Santos foi ao lado do pai na lavoura de algodão. Ao buscar uma posição melhor na cidade, arrumou trabalho na única forjaria de Olímpia. Foi lá que um amigo indicou a empresa de Jundiaí. “Ele tinha mudado recentemente para a cidade para cuidar do pai adoentado e disse que de onde vinha a empresa era maior, o salário melhor e oferecia chances de crescimento”,   conta. A tentativa deu certo e José foi contratado no mesmo dia em que chegou na nova cidade. Voltou para Olímpia apenas para pedir demissão e despedir-se da família.

A adaptação não foi fácil. Morando em uma pensão e longe dos amigos e dos parentes, concentrou todos os esforços no trabalho. Começou na forjaria como ajudante de equipe, mas já almejava voos mais altos. “Eu fazia o meu trabalho, mas sempre de olho nas tarefas dos outros colegas. O encarregado percebeu meu interesse e foi me ensinando outras tarefas”, lembra. Aprendeu rápido e a promoção para meio oficial veio um ano após a contratação. O processo foi evolutivo e um novo cargo não tardou a chegar, dessa vez na função de operador de martelo, forjando virabrequim, manga de eixo e comando de válvula. “Era uma produção acelerada. Eu trabalhava bem, algumas pessoas sentiam desconforto com a temperatura alta, mas eu vinha de uma cidade com calor de 40 graus, então para mim era normal”, diz.

Depois de cinco anos na empresa, José já tinha alcançado a faixa salarial máxima da sua função e pensou que não teria mais chances de promoção até chegar o convite para ocupar um cargo ainda inexistente na produção: preparador de ferramenta. “Acho que meu grande diferencial foi ter aproveitado todos os cursos oferecidos pela empresa. Eles investiam bastante em treinamento e eu me inscrevia em todos”, conta. Uma vez chegou a fazer um deles em seu período de férias. “Era o curso de soldagem e como eu estava trabalhando na recuperação de ferramentas precisava daquela formação”, recorda. Os colegas não gostaram muito do precedente e chegaram até a criticá-lo. “A opinião dos outros não me interessava. Fazia os cursos porque era importante para a empresa, mas o conhecimento é seu para sempre”, destaca.

Ocupar um cargo de liderança, então, não acontecia nem nos melhores sonhos do profissional. Por isso, a promoção para líder e, posteriormente, para encarregado foi uma grande surpresa. “Meu lema era não levar problema para o chefe, então fazia de tudo para resolver os imprevistos durante o meu turno”. A veia perfeccionista herdada do pai foi o pano de fundo durante toda sua carreira e extremamente importante para a empresa conquistar importantes certificações de qualidade, como ISO 9.000, ISO 14.000, ISO/TS, CCQ, Método Taguchi e 5S. “O ambiente de trabalho mudou completamente. Antes a gente nem enxergava o chão debaixo da sujeira, depois ficou tudo limpinho, as máquinas brilhando, uma beleza para trabalhar.” O momento foi celebrado com uma visita dos familiares à empresa.

Mudar o comportamento da equipe para adequar-se aos novos tempos não foi fácil, mas José sempre teve um bom relacionamento com os funcionários. “Eu era uma pessoa muito presente, no início do turno eu passava de máquina em máquina cumprimentando as pessoas. Só de olhar eu já sabia se um colaborador estava com algum problema e teve época que eu comandava cerca de 200 pessoas”, reforça. Aliás, esse é um dos motivos de orgulho do profissional que diz ter deixado a empresa sem fazer inimizades. Boa parte desse sucesso ele atribui a uma técnica de gestão usada por ele, que era não deixar a pressão da diretoria por resultados chegar até a equipe.

Depois de 27 anos na empresa, José aposentou-se, porém continuou a exercer o mesmo cargo até 2008. “Quando entrei na empresa jamais poderia pensar que teria essa ascensão profissional. Não tem nada melhor para um profissional do que ter seu trabalho reconhecido”, comenta. Por isso, guarda até hoje as quatro carteiras de trabalho com todos os apontamentos e promoções que recebeu.

José casou “tarde”, aos 40 anos. Depois da morte dos pais ficou responsável, mesmo que a distância, pela tutela e sustento das irmãs.: uma com doze anos e a outra de apenas 8 anos. Quando a mais nova completou a maioridade entendeu que era hora de pensar no próprio futuro. Sua esposa conheceu por meio de um amigo de trabalho, hoje seu cunhado. José e Irene estão casados há 25 anos. O filho Paulo Vinícius está na segunda faculdade. Dinâmico e cheio de energia, José pensa em voltar a trabalhar o mais rapidamente possível. Acha a vida de aposentado tranquila, mas prefere a correria e a agitação do dia a dia dentro das empresas.

Recentemente, José visitou as unidades da Dana em Jundiaí e Campinas. Ficou impressionado com o novo processo de produção, muito mais automatizado do que na época em que trabalhava na empresa. Também adorou ingressar no programa de veteranos. “Foi uma grande surpresa, não pensei que teria esse reconhecimento. Esse gesto significa que são agradecidos pelo nosso trabalho e pelas ideias que foram implementadas ao longo da história da companhia”, comemora.

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“Quando entrei na empresa jamais poderia pensar que teria essa ascensão profissional. Não tem nada melhor para um profissional do que ter seu trabalho reconhecido”