José Domingos

Pazzim

Com jeito simples e humildade marcante, ele deixou sua marca durante os 32 anos que atuou na Dana. Operador na retífica de cruzetas, José Domingos Pazzim só tem coisas boas a lembrar dos seus tempos de empresa.

José Domingos Pazzim lembra com precisão do dia em que começou a trabalhar na Albarus, naquele distante ano de 1961. Ele era um jovem rapaz, vindo de Osório para buscar uma oportunidade de trabalho em Porto Alegre. Na época, já era casado com Faustina, e tinha duas filhas: Maira e Mairene. “Trabalhava na roça, a vida era muito difícil e o trabalho era muito pesado. Meu cunhado mudou-se para Porto Alegre e começou a trabalhar na Albarus. Um dia, ele foi nos visitar, e perguntei se ele não teria uma vaga pra mim na empresa”, conta.

Logo, o cunhado pediu para avisá-lo no interior de uma novidade boa: dois colegas haviam sido demitidos e havia lugar para atuar na retífica de cruzetas. No dia seguinte, Pazzim estava na Albarus. “Nem pensei duas vezes. Cheguei na portaria da Albarus, Navair – que me contrataria – avisou pro Josef Massinger, que era o segurança na época, pra me deixar entrar que eu já estava efetivado na empresa. Depois de uma semana é que fui fazer os exames com o Dr. Luiz Manoel Rodrigues”, lembra ele, aos risos.

Seria o começo de uma trajetória de 32 anos de muito trabalho e luta. Pazzim ficou durante estes anos todos trabalhando no chão de fábrica, na Retífica de Cruzetas e Mancais. “Tive vários chefes durante todos estes anos: Getúlio, Diogo, Enir, Miotti, José Santos… E sempre tive uma ótima relação de amizade e coleguismo com todos eles e os colegas também”. Ele recorda que os colegas foram um incentivo quando ele tomou a desafiadora decisão de parar de fumar. “Naquela época, nem sabíamos que fazia tão mal, mas comecei a sentir meu fôlego diminuir. Apostei que pagaria uma caixa de cerveja para todos do setor. Dito e feito, nunca fiquei tão feliz por pagar uma aposta!”, ri ele.

Para quem trabalhou a vida toda na fábrica como Pazzim, é quase automático lembrar-se das muitas brincadeiras e momentos de descontração entre os colegas. “Lembro que um dos supervisores, o seu Ângelo, detestava ver coisas no corredor da fábrica. Um dia, o pessoal da fábrica colocou uma cruzeta dentro de uma caixa de papelão e deixou no corredor, de propósito. Ângelo, ao ver a caixa, tentou chutar ela para longe, mas não conseguiu. O pessoal era fogo”, ri. Pazzim recorda também que, naquela época, faltava muita luz na fábrica. “Era só cair a luz que o pessoal da noite começava a jogar estopas sujas de graxa uns nos outros, só por diversão. Era uma coisa sadia, as brincadeiras eram inocentes”, recorda.

Entre as recordações marcantes, Pazzim diz que nunca esquece do grande aumento de produção que aconteceu nos anos 70, quando a fábrica trabalhava nos três turnos a todo vapor. “Não tinha tempo ruim: todo mundo vestia a camiseta da Albarus, queríamos ver a fábrica crescer. O sucesso da empresa era o nosso sucesso. Nunca vou me esquecer disso e sempre serei grato: tudo o que conquistei foi graças à Albarus”, afirma, emocionado.

Ele também lembra muito da mudança da fábrica de Porto Alegre para Gravataí. O ano? 1979. “A mudança foi pra fábrica crescer – ajudamos todos a pintar o chão da fábrica, a fazer a limpeza, e até mesmo a roçar o mato. Os colegas do meu setor também ajudaram muito a limpar a área onde hoje fica o Galpão Crioulo. Certas coisas a gente nunca esquece”, relata.

Pazzim passou por dois momentos muito tristes na sua vida na década de 80, quando perdeu duas de suas filhas num mesmo ano. “Nunca vou esquecer que a empresa me deu seis meses de licença quando isso aconteceu. Minha filha Maira morava em Nova Iorque e quis levar eu e minha esposa para ficar com ela nesse período. Quando voltei pra Albarus, todos me receberam muito bem, me abraçaram muito. Nunca vou esquecer”, relata.

Em 1993, ele aposentou-se. Hoje, ele gosta de ficar com a esposa, Faustina, com quem é casado há 59 anos e conheceu ainda menino, no interior. Todos os finais de semana, a filha Maira vem de Caxias do Sul especialmente para visitar os pais. O neto, Marcel, tem trinta anos e é jornalista, trabalha na Bandeirantes e sempre visita os avós. Os dois gostam de ir à praia e assistir televisão juntos. Dos tempos de Dana, ele fala: “tudo valeu à pena, e sinto que deixei meu nome gravado pelo menos em um pouco da história da empresa, o que me deixa muito grato. Fiz muitos amigos durante meu tempo lá e essa alegria não tem preço”, finaliza.

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“Não tinha tempo ruim: todo mundo vestia a camiseta da Albarus, queríamos ver a fábrica crescer. O sucesso da empresa era o nosso sucesso. Nunca vou me esquecer disso e sempre serei grato: tudo o que conquistei foi graças à Albarus.”

José Domingos Pazzim