José Ademar

Estevam

Nascido e criado no interior do Rio Grande do Sul, José trabalhou durante 35 anos na Dana e guarda memórias inesquecíveis e muitas amizades que construiu em todos seus anos de Forjaria – a fábrica onde sempre trabalhou.

José Ademar Estevam nasceu na Barra do Ouro, região que pertence à Maquiné, uma cidade de pouco mais de 6 mil habitantes conhecida por suas belezas naturais. De família do campo, sua vida era trabalhar sol a sol para ajudar a família na luta diária. Por isso, quando completou 21 anos, decidiu que era hora de tentar uma vida menos sofrida na cidade grande para ajudar seus pais e, cheio de saúde – e sonhos – mudou-se para Porto Alegre.

Seu primeiro trabalho na indústria foi na antiga Zivi Hércules, hoje Mundial, mas durou apenas 3 meses pois era uma jornada muito intensa e o salário não compensava. “Foi então que meu cunhado Derci Valim, que já trabalhava na Albarus, me avisou que haviam aberto vagas lá. Comecei esse movimento pra trocar de trabalho e o Derci fez de tudo pra me indicar”, lembra.

E assim foi que iniciou essa longa carreira dentro da Dana – em 19 de setembro de 1984, José foi contratado como Auxiliar de Forjaria quando o processo de forjamento ainda funcionava com Martelos. “Era difícil se acostumar ao barulho mas, como tudo na vida, a gente acaba se adaptando. E já no início conheci colegas muito bacanas, que viriam a se tornar bons amigos. Encontrei alguma resistência do pessoal mais velho, que sempre resistiam a nos passar os Martelos para operar, mas eles viram que eu aprendia rápido e, em 1 mês, já estava operando”, diz.

Deu tão certo que 1 ano e meio depois, José já era o líder dos Martelos. Ele trabalhou durante toda sua carreira dentro da fábrica, passando por diversos equipamentos – “fiquei 10 anos nos Martelos, depois passei pras prensas, onde fiquei por 25 anos – eu sempre gostei muito de trabalhar nisso, adorava o processo em si e acho essencial a gente trabalhar fazendo o que gostamos, faz a diferença com certeza”, afirma.

E não pense que foi uma trajetória fácil – dos seus 35 anos de empresa, 31 deles José Ademar ficou trabalhando no Terceiro Turno, que era sempre de madrugada, e os 4 restantes no Primeiro Turno, durante o dia. “A gente acaba se acostumando mas é um turno inverso ao que as coisas acontecem com a sua família, na sua casa, é puxado”, diz.

Ele lembrou inclusive de uma história engraçada que aconteceu no começo da sua adaptação ao turno da madrugada. “Quando comecei no Terceiro Turno, ainda morava nos fundos da casa do Derci. Fui trabalhar no meu primeiro dia normalmente mas cheguei em casa da empresa e não dormi nada naquele dia. No outro dia, voltei do trabalho novamente, deitei e dormi… Até a manhã do outro dia! Perdi o horário e aprendi a lição: nunca mais fiquei sem descansar depois de um turno de trabalho”, conta, aos risos.

José Ademar conta que era uma equipe muito unida e que a “fama” da Forjaria de ter uma equipe consistente e muito amiga é verdadeira – tanto que alguns dos jubilados que fazem parte deste projeto, como Derci Luiz Valim e Adão Martins, foram colegas de José durante todos estes anos de trajetória. “O pessoal ‘pegava junto’ e nos dávamos muito bem – toda semana tinha um churrasco de confraternização e, todos os anos, mantivemos um amigo secreto que existe até hoje, 30 anos depois”, comemora.

Tanta amizade e companheirismo com os colegas de empresa rendeu a mesma medida de carinho quando ele decidiu parar de trabalhar. “Vou te dizer que a Forjaria praticamente ‘parou’ pra se despedir, foi um momento bem emocionante e, pra mim, o essencial foi sair de cabeça erguida, orgulhoso de ter dado o meu melhor pelo meu trabalho. Tenho só a agradecer pelo tempo que eu fiquei ali dentro, por todas as amizades e conquistas”, conclui.

Casado com Lorena Cunha Estevam há 33 anos, que também trabalhou na Dana mas na Divisão de Elastômeros, é pai de Letícia, de 26 anos, e Gabriel, de 26. “Eu e minha esposa inclusive nos conhecemos trabalhando na Dana, eu dançava no grupo do Departamento de Tradições Gaúchas da empresa e nos conhecemos ali dentro”, relata. Hoje, ele gosta de curtir a casa que tem em Atlântica Sul, no Litoral Gaúcho, e também aproveitar a companhia de Nicolas, o netinho de 5 anos. Além disso, José Ademar adora pescar e jogar bola – e sua grande paixão é estar junto da natureza, onde reabastece as energias.

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“Para mim, o essencial foi sair de cabeça erguida, orgulhoso de ter dado o meu melhor pelo meu trabalho. Tenho só a agradecer pelo tempo que eu fiquei ali dentro, por todas as amizades e conquistas”.

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