João Carlos

Monteiro Guimarães

Com a alegria e bom humor que são suas marcas registradas, João Guimarães relembrou dos seus trinta de Dana contando muitos “causos” de paixão pela indústria automotiva e enaltecendo as muitas amizades e momentos inesquecíveis que viveu por lá.

João começou a trabalhar na então Albarus no dia 10 de novembro de 1978, como projetista. Ele já era formado pela PUC/RS e, antes da Albarus, trabalhava como projetista da elevadores Sür, quando soube através de um conhecido, Sérgio Ludmann, que havia uma vaga na empresa. “Eu queria me transferir para Porto Alegre e vim fazer o teste. Para minha surpresa, quem aplicou meu teste foi o irmão do meu então chefe na Elevadores Sür, Anatólio Burlacenko – então, eu não fiz teste. Bastou um telefonema para saber o motivo pelo qual eu queria sair de lá e estava tudo acertado”, disse, sorrindo.

Na época, iniciou na Divisão de Juntas Homocinéticas que, ele lembra, começou em 1972 quase como uma imposição da Volkswagen. Ele conta que, ao lançar o Passat com tração dianteira, a Volks encontrou na GKN Driveline uma parceira – começava, assim, a história de grande sucesso desta divisão. “Essa fábrica nova dentro da Albarus tinha até portaria própria – nós entrávamos por onde hoje é o estacionamento ao lado do Ginásio… Nos encontrávamos com os colegas no refeitório, éramos uma fábrica separada”, relata. João “Guima”, como era mais conhecido na fábrica, atuou durante cinco anos como projetista, usando os tecnígrafos, mesas gigantescas usadas pelos projetistas da época, e tendo como gerente Edgar Albarus. “Eu sentia vontade de estar mais na fábrica, e pedi uma oportunidade para ele que, então, me colocou como analista de processo de linhas, para minha grande alegria”, relata.

Esta é uma época que ele recorda com certa nostalgia, dizendo que tinha horário para entrar, mas não para sair, da Albarus. “Comecei a conhecer o nosso produto como um todo – quando um colega faltava, substituía-o e aprendia tudo o que podia sobre a junta homocinética. Era um produto totalmente novo, o volume de produção aumentava sempre e não tínhamos alternativa: era fazer ou fazer”, resume. Na época, a indústria automotiva brasileira começou a desenvolver automóveis com tração dianteira e, logo, a Albarus trabalharia a pleno vapor e superando as expectativas de produção para atender à tamanha demanda.

Logo, essa curiosidade e vontade de aprender levaram João a ser Analista de Processo dentro da fábrica – o aprendizado global sobre o produto como um todo seria fundamental para esta nova função. João ficaria neste cargo durante seis anos, quando foi criado o Grupo de Amostras da empresa, uma iniciativa de vanguarda, na época. “Eu chefiava esta turma, que contava com analistas de processo de diversas linhas e tinha o foco de desenvolver amostras para clientes específicos, com foco em novos negócios para a companhia”, explica. Antes disso, para desenvolver produtos, era necessário conseguir turnos de máquinas trabalhando apenas quando era possível para a fábrica (finais de semana, por exemplo), e recrutar pessoas para isto. “Nem sempre as pessoas ficavam felizes em desenvolver produto porque isso não contava nos números finais de produção. O volume de novos negócios justificou a criação deste setor”, relata.

Em maio de 1991, João achou que era hora de buscar uma nova oportunidade profissional, e acabou saindo da Albarus e indo trabalhar como autônomo para a Sandvik, para atuar em vendas. Porém, estávamos no governo Collor e, logo, o país sofreria com o congelamento das poupanças e todos os entraves financeiros que viriam a seguir, gerando uma grande crise. As vendas da empresa despencaram, e João se viu em uma fase complicada. Em janeiro do ano seguinte, estava em visita técnica à fábrica quando um dos então diretores, Gilberto Ceratti, veio conversar com ele, perguntando se não tinha interesse em retornar. “Contando isso até me emociono hoje em dia, porque foi uma grande alegria”, diz.

João voltaria para a empresa em janeiro de 1992, como Analista de engenharia master. Seu novo chefe era Leandro Müller (antes, seu subordinado), mas ele conta que não houve nenhum problema. “O Leandro é padrinho da minha filha, sempre fomos muito, muito amigos”, relata. Começava, então, uma nova fase na carreira de João – segundo ele, uma das mais felizes e recompensadoras. “O grupo de amostras trabalhava muito na vanguarda, era mais conceitual do que qualquer outra coisa e, nesta nova etapa, como Analista Master, eu participava do processo todo: recebia um desenho com o que tinha que fabricar, analisava as medidas, providenciava o ferramental, ajudava na linha de montagem, emitia nota fiscal e, depois, via o carro rodando pelas ruas. Eu nunca havia trabalhado com o produto já desenvolvido e, para mim, ver e fazer parte deste processo, foi uma realização imensa. É como se fosse criar um filho e ver ele recebendo um diploma na faculdade, guardadas as devidas proporções”, ri ele.

Em 1999, a Dana e a GKN separaram seus ativos, mundialmente e, a partir daí, atuariam separadamente. Um ano depois, em 2000, quem estava em crise era a Argentina, que vivia a Era Menem, e a empresa montou um grupo para desmontar uma fábrica de juntas homocinéticas que havia lá, capitaneado pelo engenheiro Edgar Albarus. “Eu fazia parte desta turma e foi um grande desafio para todos nós, desde a retirada das máquinas até sua instalação aqui”, relata João. Nessa época, ele começaria a atuar na Melhoria de Processo, sempre com foco em otimizar as práticas da empresa. “Fiquei com mais autonomia, eu dependia dos meus resultados, e tive a felicidade de atuar em todas as linhas e produtos, então minha visão era global”, explica.

Outra coisa que sempre o alegrou durante sua trajetória profissional é sua capacidade de reunir pessoas, de agregar. “As equipes com quem trabalhei chegavam a estranhar quando não tinha churrasco de comemoração por alguma meta atingida”, ri ele. João também ajudou a criar o Centro de Tradições Gaúchas da empresa, e promoveu até torneio de tênis entre os colegas. “Fora da empresa, nos encontrávamos muito – o Édison Serres, por exemplo, eu via sempre em bailes, o Nelson Tegel, o Valter Pires e outros colegas… Daí tivemos a ideia de fundar um CTG. Eu toco cavaquinho, banjo e gaita ponto, então sempre tinha atividades fora da empresa também”, diz.

João seguiria em carreira na GKN Driveline até 2010, quando chegaria a hora de se aposentar. Mesmo depois disso, seguiu prestando serviços para a empresa como terceirizado. João tratou de ter tantas atividades paralelas à carreira como engenheiro que, quando se aposentou, encontrou dificuldade para conciliar todos os horários do que havia planejado. “Era churrasco num dia, futebol de salão outros dois, as atividades da música… Começou a faltar horas no dia!”, ri ele, bem-humorado.

Hoje, divide seu tempo entre Florianópolis e Porto Alegre, e aproveita a vida com a esposa Tânia Mara, com quem é casado há 34 anos. Tem dois filhos, Aline e Régis, e uma netinha, Martina, que adora o avô brincalhão. Dos tempos de Dana, diz ter muitas boas recordações. “Tínhamos todos uma convivência muito boa, nossas famílias cresceram juntas. Profissionalmente, foi uma grande escola, onde fiz muitos cursos e cresci muito com os grupos do CCQ e outras boas iniciativas”, conclui.

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“Tínhamos todos uma convivência muito boa, nossas famílias cresceram juntas. Profissionalmente, foi uma grande escola, onde fiz muitos cursos e cresci muito com os grupos do CCQ e outras boas iniciativas”.