Ivo

Noll

29 anos de dedicação à Albarus e à Dana resumidos de um jeito simples e irreverente: Ivo Noll se define como um “carregador de piano” – aquele profissional que faz de tudo nos bastidores para o espetáculo acontecer.

O dia em que sua trajetória começou na empresa? Está na ponta da língua – 3 de março de 1978. A divisão era a ATH, a antiga Albarus Transmissões Homocinéticas, que estava em expansão na época e precisava de um chefe de manutenção – o setor precisava ser melhor estruturado. Recém-saído de São Paulo, Ivo estava se mudando para garantir mais qualidade de vida à filha, Gisele, e encontrou na Albarus a oportunidade que buscava pra sua recolocação profissional. “Era uma quebra de paradigmas – um chefe de manutenção que não era engenheiro mecânico, e sim engenheiro elétrico. Era um período de muita produção, logo começou a transferência da operação de cardans para Gravataí”, relembra. Ivo recorda que ele e os colegas levavam os filhos todo sábado pela manhã para tomar café da manhã na empresa – depois, os pequenos ficavam pelos escritórios, desenhando, e muitos filhos de colaboradores ainda mantém vínculos de amizade criados nesta época. “Fazíamos muito “serão”, trabalhávamos aos sábados, sem qualquer tipo de reclamação”, diz.

Na mudança da fábrica de Porto Alegre para Gravataí, ele foi designado a ajudar Slavko Rozman neste complexo processo. A equipe aproveitou para pensar em melhorias de ambiente que poderiam ser implantadas na nova fábrica. Ivo recorda uma história desta época que parece até inacreditável. “Decidimos várias melhorias com o arquiteto na época, João de Deus, como janelas mais baixas para aumentar a ventilação e, entre estas mudanças, telhas translúcidas. Inauguramos a fábrica no dia 22 de janeiro de 1985 e, naquele ano, o verão foi tão intenso que os operadores tiveram que usar chapéu de palha para trabalhar! A solução foi pintar as telhas”, conta ele.

Após a instalação da fábrica e todo o trabalho de transferência das máquinas para Gravataí, Ivo foi designado para cuidar do departamento de manutenção de toda a fábrica do Cardan. Durante três anos, ficou responsável por tudo que dizia respeito à análise de máquinas. Depois desta etapa, ele ficou por mais dois anos no segundo turno.

Em seguida, um grande desafio estava diante dele: a implantação de uma nova fábrica, um novo produto, um projeto sigiloso. Á frente do time de 7 pessoas escolhidas, estava Domingos Miotti – e o resultado seria a Divisão de Anéis, uma referência de modernidade para a época. Ivo foi designado para ir até Houston, nos Estados Unidos, aprender com o time o processo todo de fabricação de anéis. A fábrica de anéis foi construída com os conceitos mais modernos, com inovações que perduram até hoje – as áreas de descanso e fumódromos, por exemplo, a pintura no chão, a fundição como um processo mais limpo… “Tenho orgulho deste projeto, foi a primeira fábrica montada inteiramente para atender a reposição, todos de jaleco branco – era a etapa final de quem visitava a empresa”, diz.

Em 92, Gilberto Ceratti assumiu a gerência do Cardan e precisava de alguém para cuidar do terceiro turno da Dana. Ivo abraçou o desafio – ficaria três anos nesta posição, e sairia no dia do seu aniversário, em 5 de outubro. Chegada a data, foi para os EUA fazer dois cursos. Após este período, assumiria a chefia da Linha Leve. Mas não sabia que começava uma época que iria marcar tanto a sua trajetória profissional – e a Dana em Gravataí como um todo.

Junto com outros profissionais – como Carmen Piccini – era responsável pela retomada da autoestima de quem trabalhava na fábrica, empoderamento do time e implantação de melhorias. Áreas comuns de descanso, de comunicação, churrascos de comemoração quando a produção ia além do esperado… E o resultado?

Quebras de recordes de produção, um atrás do outro, que acabaram ficando na memória das pessoas como exemplos de superação, de união, de trabalho de equipe. “Começamos ali o Programa 5S, o Controle de Qualidade (que mais tarde viraria o SOPE de hoje), o Programa de Ideias, a ginástica laboral… E churrasco nos três turnos, sempre com a presença das chefias – isso fazia a diferença”, relembra. Até 95, ele ficou no Cardan – e cada vez mais envolvido com processos de qualidade.

Os tempos mudavam e uma iniciativa global de Qualidade – que inicialmente foi chamada de DQLA, o Dana Quality Leadership Award (Prêmio de Liderança em Qualidade) foi lançada, onde o mapeamento de processos passava a ser usada como uma poderosa ferramenta de gestão. Baseado no Prêmio norte americano Malcolm Baldridge, este foi um divisor de águas para as operações globais e nacionais da Dana.

Como ficou claro que a Qualidade não podia ser um Prêmio, mas um Processo, o programa evoluiu para DQLP, Dana Quality Leadership Process. E Ivo foi parte deste grupo que implementou na América do Sul o processo, composto por auditorias, feedbacks, melhoria contínua, disciplina, método e muito benchmarking.

Iniciava assim um momento histórico para a Dana no Brasil – a busca do reconhecimento com o Ouro no DQLP. Primeiro, veio o bronze em 1997 – e em 2001, foi a vez da medalha de ouro.

Antes disso, após trabalhar com Melhoria Contínua, em 99 ele recebeu uma nova missão: ir aos Estados Unidos aprender sobre a “Dana U” (ou Universidade Dana), que estava sendo expandida mundialmente. Era chegada a hora do Brasil ter “supervisores certificados” Dana, uma iniciativa que buscava alinhar os niveis de conhecimento do corpo de liderança da empresa, possibilitando o crescimento pessoal e profissional para exercer de forma mais eficiente uma posição de liderança, como a gestão de ativos, resolução de problemas e finanças, com igual ênfase para o auto-conhecimento.

Logo após a instalação da Dana U no Brasil, era chegada a hora de expandir horizontes e levá-la para a Argentina, Uruguai, Venezuela e México. “O incentivo, dentro do Brasil, começou a partir das próprias lideranças, que viram como o curso era completo e formava líderes de acordo com as diretrizes da Dana – isso foi decisivo para a ideia ser implantada com sucesso”, recorda. Ivo, ajudado por José Ceccon e Amauri Rhoden, levaria a iniciativa para toda a Dana Brasil, capacitando cada vez mais pessoas. “Lembro que, certa feita, na fábrica de San Luis, na Argentina, em uma pequena província, fomos implantar o Kaizen. No momento do check-in no hotel, me deram um rodo, para secar o banheiro após tomar banho – o hotel era 1/2 estrela, como brinquei na época, mas tudo valeu à pena”, conta.

Após estes anos à frente da Dana U no Brasil, era a hora de auxiliar na implantação de Kaizen nos fornecedores da Dana, para que eles fossem certificados e atendessem a uma série de requisitos. “Foi uma iniciativa importante para que os fornecedores reduzissem desperdícios e para que, assim, tivessem mais lucro, crescendo conosco”.

Em 2007, era a hora de Ivo aposentar-se. Montou a sua consultoria, em que trabalha até hoje tratando de temas como gestão e alta performance. Seus hobbys? A leitura, pesca, culinária – e o tênis, esporte que pratica há anos. É casado com Noemi Ceratti há 10 anos, e pai de Gisele e Guilherme. Gisele já lhe deu 2 netos: Leonardo, de 7 anos, e Eduardo, de 2 anos e meio. Ivo trabalha como voluntário na Fundação Casa dos Sonhos, como outros jubilados da Dana e, sobre sua trajetória na empresa, diz: “Trabalhamos muito, e tudo valeu a pena, foram projetos muito bons de executar e que consolidaram muitas coisas dentro da Dana – faria tudo de novo, se preciso!”, conclui.

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Trabalhamos muito, e tudo valeu a pena, foram projetos muito bons de executar e que consolidaram muitas coisas dentro da Dana – faria tudo de novo, se preciso!