Ivanir

Martens Alves

Ivanir começou a trabalhar na Dana em julho de 1994, como estagiário – ele cursava Engenharia de Produção na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e viu que a empresa procurava estagiário nesta área através de um anúncio veiculado no jornal Zero Hora. “Mandei meu currículo pra lá e recebi uma cartinha da Albarus para fazer a entrevista com a Cida, no Recursos Humanos e o Paulo Rocha, que seria meu chefe direto na Divisão de Elastômeros”, diz.

Ivanir começou, então, sua carreira na Divisão, ajudando Paulo Rocha diretamente na fábrica. “Eu fazia follow-up – isso foi bem na época de chamam de ‘segundo milagre brasileiro’, quando o real foi lançado como moeda e isso catapultou o PIB do país, então tínhamos muito trabalho na empresa e precisavam de alguém para fazer follow-up”, explica.

Ivanir diz que seu cargo só existiu por causa desta grande demanda por parte das montadoras, que precisava de enormes quantidades de matéria-prima. “A entrega destes insumos era, na época, destinada a quem cobrava mais e melhor. Às vezes, um cardan deixava de render faturamento pra empresa por causa de um retentor que custava 10 centavos – não podíamos correr esse risco de prejuízo sem sentido”, resume. Ivanir trabalhava diretamente com Paulo Ely e Luiz Luderitz, do setor de Compras, nessa busca pelo fornecimento de matéria-prima para a Dana – mais especificamente para a Divisão de Elastômeros, já que o chefe direto de Ivanir era Paulo Rocha, gerente daquela divisão. Não raro Rocha e Ivanir precisavam ir pessoalmente até alguma empresa que atrasara o fornecimento de matéria-prima – “tudo para não parar a fábrica de forma alguma”, diz.

Ivanir atuou por 1 ano e 2 meses nesta função, até ser efetivado, mas com um novo cargo: atuando na Engenharia de Métodos e Processos da Divisão de Elastômeros. “Esse foi um dos dias mais felizes da minha vida – o Fernando Bohrer e o Ivan Bucão me chamaram na sala e me deram a informação de que eu seria efetivado nesta nova vaga e oportunidade, que agarrei com todas as forças”, relata.

Ele iniciou na Engenharia como Analista de Processos Trainee, depois passou para Júnior e Sênior, de acordo com o plano de carreira da empresa. Ivanir trabalhava muito dentro da fábrica auxiliando no desenvolvimento de produto, analisando amostras e determinando padrões de processo junto com os operadores e em sintonia com o pessoal da engenharia. “Eu também ajudava a resolver os problemas dos operadores, era uma função bem investigativa de que eu gostava muito”, afirma. Seu chefe era Airton Medeiros, e Ivanir disse que esta foi uma função em que aprendeu muito, já que tinha formação em mecânica e nunca havia trabalhado com a borracha como matéria-prima.

Depois dessa fase de pouco mais de 1 ano, ele foi convidado a trabalhar na Engenharia de Produto, sob a tutela de Roseane Campos. “Eu tinha essa formação na área mecânica, e precisavam de alguém para ajudar no laboratório de testes de durabilidade dos coxins, fui convidado a atuar ali”, lembra. Em seguida, Ivanir se tornou responsável por cuidar de uma carta de clientes – entre eles, a Divisão de Cardans da Dana e as montadoras GM, Ford e, durante algum tempo, também cuidou da Divisão Dana da Argentina. “Éramos uma turma de 7 analistas – fui colega da Sheila Castro nessa época, do Thiago Borges, do Henrique Schertel, do Rodrigo Mozman, do Aquiles Priester… Uma turma muito boa pra se trabalhar junto. Foi uma fase muito boa, lembro com carinho dessa época, com saudades”.

Como cuidava dos clientes da empresa, Ivanir lembra que viajava bastante nessa etapa da sua carreira, para acompanhar os testes de produto. “Por exemplo, como eu acompanhei a etapa de desenvolvimento da alavanca de câmbio da F250, fui até a pista de testes andar com o piloto para nos certificarmos da qualidade do produto até aprovarem a peça – fazíamos bastante este tipo de trabalho até ajustar os nossos produtos de acordo com as necessidades dos clientes da Dana”, explica. Ivanir explica que, muitas vezes, nem mesmo os clientes tinham as especificações exatas que precisavam e, por isso, os produtos finais eram uma construção contínua e conjunta entre a Dana e seus principais clientes, o que era muito recompensador.

Desta época, ele também lembra de um problema social que acabou gerando uma série de testes nos clientes: as enchentes no Rio de Janeiro. “O nosso cardan era usado nos ônibus urbanos do Rio e ficava rodando debaixo d’água. Por isso, o mesmo rolamento e mancal que nós desenvolvemos na Divisão de Elastômeros pro cardan funcionava no Brasil todo – menos no Rio. Em parceria com a Mercedes e a INA Schaeffler, desenvolvemos um rolamento especial e fizemos diversos testes”, relata. Ivanir lembra de viajar ao Rio de Janeiro várias vezes para analisar o desempenho dos mancais da Dana. “Foi muito recompensador quando deu certo, foi um processo longo e muito trabalhoso”.

Ivanir ficou na Engenharia de Produto por 7 anos, até voltar para a Engenharia de Métodos e Processos. “Isso aconteceu durante a transferência da Stevaux de São Paulo pra Gravataí e, como tinha muita estamparia e mecânica e o Airton Medeiros, que já tinha sido meu chefe, me convidou para trabalhar nessa área”, afirma. Ele destaca que foi uma época de grande aprendizado, em que ele ajudou a cuidar de vários aspectos da transferência da fábrica como ferramental e layout, numa operação bastante complexa. Depois disso, atuou com desenvolvimento e testes dos produtos e ficou por 5 anos nesta área.

Em 2009, Ivanir saiu da empresa. Mas ele ressalta que o saldo final é mais que positivo. “A Dana é uma família, tu crias vínculos com as pessoas que trabalharam lá. Essa amizade fica. A Dana tem essa característica familiar. Trabalhei em diversos lugares depois, mas em nenhum se formava essa comunidade forte e esse sentimento de amizade – só na Dana mesmo. O sentimento é de amor e gratidão e sonho muito durante a noite que estou trabalhando na empresa”, diz.

Ivanir é casado com Alessandra há 21 anos e é pai da Kemili, de 15 anos, e do Ivan, de 10. Hoje, ele atua com construção, investimento e compra e venda de imóveis.

Ivanir Martens Alves

“A Dana é uma família, tu crias vínculos com as pessoas que trabalharam lá. Essa amizade fica. A Dana tem essa característica familiar. Trabalhei em diversos lugares depois, mas em nenhum se formava essa comunidade forte e esse sentimento de amizade – só na Dana mesmo. O sentimento é de amor e gratidão e sonho muito durante a noite que estou trabalhando na empresa”.