Henrique Antônio

Plentz

37 anos de carreira dedicadas à Engenharia e Ferramentaria tornaram “Chumbinho” (apelido pelo qual é conhecido na empresa) uma verdadeira autoridade dentro da Dana – e ele tem muito a relembrar e celebrar de todos estes anos. 

Filho de um albariano que também é Jubilado, Antônio Afonso Plentz, cresceu vendo o pai trabalhar na empresa mas, sendo bem sincero, não sonhava em trabalhar na fábrica. “Quando comecei a trabalhar na Dana, eu já tinha curso de técnico mecânico/desenhista mecânico e inglês intermediário, e meu intuito era trabalhar com projetos. Mas, quando abriu uma vaga de estágio na empresa, meu pai me avisou e resolvi me candidatar – mas jamais imaginei que ficaria tanto tempo ali”, conta. Ele entrou na antiga Albarus no dia 1 de agosto de 1982 na Divisão de Juntas Universais, cuja fábrica ficava em Porto Alegre, para trabalhar como estagiário auxiliar de produção na fábrica.

Depois de 2 anos de trabalho, seguiu como estagiário mas com uma função um pouco diferente: a partir de 1983, passou a ser Setapista de Produção – ou seja, ele é quem preparava as máquinas para os operadores trabalhar. No ano seguinte, foi efetivado como funcionário na engenharia de processos. “Minha primeira função foi fazer folhas de operação baseadas na documentação americana – como eu tinha inglês em nível intermediário, assim como o Otto Zwick, que trabalhava comigo, ficamos responsáveis por fazer esta mudança nessas folhas de operação”, relata. Como também tinha curso de desenhista mecânico, ele ajudava a desenhar nestas folhas de papel vegetal, que foram feitas numa força-tarefa que parecia um trabalho de formiguinha – mas deu tudo certo no final.

Em 1985, “Chumbinho” (o apelido que herdou do pai albariano), foi transferido para nova fábrica de Gravataí para ajudar na mudança da divisão de Cardans para nova fábrica de Gravataí. “Lembro que, na época, o pessoal do bairro Sarandi tinha várias reclamações de ruído solicitando pra tirar a Forjaria de Porto Alegre e nós fizemos toda a mudança aos poucos, já que a fábrica não poderia parar de produzir. E era uma mudança enorme, muitas máquinas e precisávamos respeitar o layout da fábrica, os desenhos feitos pela Engenharia…”, conta.

Seu próximo desafio durou de 1986 até 1988, quando ele assumiu o cargo de Analista de Ferramentas e também o desenvolvimento de ferramentas para usinagem das peças para Toyota. “A ideia era fornecer para a primeira Hillux da Toyota, e havia uma grande dificuldade para usinar estas peças – lembro de virarmos noites trabalhando no projeto, mas aprendi pra caramba nessa época”, resume, com o bom humor costumeiro.

Em 1989, ele foi promovido a Chefe de Ferramentaria – oficina e presets, liderando uma equipe com 55 pessoas. “Fiquei nessa função até 1990 e, apesar de ter vários cursos dentro da Dana, a liderança mesmo eu aprendi ‘na marra’, no dia-a-dia”, afirma.

Também nesta época, o setor fabricava peças para manutenção de máquinas, peças de reposição para os dispositivos e também para os projetos da Engenharia. “Passamos bastante trabalho para usinar peças da Mercedes, que eram peças com aço ligado com cromo – e, novamente, tivemos que usar nossa criatividade internamente para usinar as peças”, conclui.

Pouco tempo depois, em 1991, foi transferido novamente para a Engenharia, onde atuou como Analista de Ferramentas Senior e ficou responsável pelos projetos de ferramentas da Divisão de Cardans e também pela avaliação de fornecedores de ferramentas para o departamento de Compras. “Foi uma época de muitas visitas a fornecedores, aprendi muito nessa época com eles viajando por todo o Brasil”, diz.

Em 1994, se viu diante de um dos maiores desafios de sua carreira dentro da Dana: foi designado para coordenar a implantação da ISO 9000 na Engenharia de Processos. “Era o começo desses processos de luta por certificação na empresa, algo que era essencial para nosso negócio seguir fluindo e fornecendo para as grandes montadoras, que passaram a exigir a ISO para que novos negócios se concretizassem. Neste ano viramos várias noites
para deixar tudo pronto para a Auditoria. No dia em que conquistamos a cerfificação, choramos de alegria”, recorda.

Como sempre foi um profissional metódico e conhecia muito dos procedimentos da Engenharia de Processos, foi promovido em 1995 como chefe de Engenharia de Processos, cuidando de uma equipe de umas 30 pessoas. “O Clóvis Krás era nosso gerente e participamos do desenvolvimento de várias séries SPL da DANA de peças pesadas e leves. Em 1996, o Clóvis pediu para eu viajar para Dana nos Estados Unidos, fiquei 5 semanas conhecendo as fábricas que tinham equipamentos para aplicação de glidecoat, pois estávamos construindo um equipamento no Brasil e a idéia era transferência de conhecimento”, afirma.

Durante o período de 2001 até 2006, “Chumbinho” foi transferido para Engenharia de Produto, onde atuou no desenvolvimento de cruzetas para o Mercado de Reposição utilizando forjado a frio em parceria com os colegas Jorge Monteiro e Francisco D’Ávila – que também integram o time dos Veteranos Dana.

Nesta época, começou a cursar faculdade de Matemática na FAPA (na época, vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS) – e chegou até mesmo a dar aula, fato que poucos colegas conhecem. “Dei aula num bairro bem humilde de Viamão para pessoas com histórias de vida bastante difíceis, foi algo bastante recompensador pra mim”, diz.

De 2007 até 2011, ele foi coordenador técnico de manutenção do contrato Comau, a empresa de manutenção terceirizada que contava com 102 colaboradores. “Como toda manutenção estava na mão de terceiros e como eu já tinha conhecimento de fábrica, o Plant Manager Paulo Granja me pediu para sair da engenharia para coordenar este contrato. Foi uma parceria muito bacana, mais uma época de muito aprendizado e trabalho com bons parceiros como Antônio Santarém”, diz.

Seu próximo desafio, 2011 até 2019, foi trabalhar como Coordenador dos Presets (dispositivos e ferramentas, uma equipe de 30 pessoas) e coordenador do contrato ISCAR. “Com o término do contrato da Comau, a manutenção foi internalizada pela Dana e o Juarez Costa me pediu para cuidar dos projetos de ferramentas da engenharia. Como eu já tinha conhecimento em coordenação de contrato de terceiros, ele também pediu para eu coordenar a ISCAR, que tinha uma equipe de 10 pessoas. E, também nessa época, o gerente de engenharia me pediu também para cuidar dos presets”, lembra.

Em 2019, “Chumbinho” se aposentou em maio e saiu da Dana em novembro de 2019 depois de 37 anos de muito trabalho e dedicação. “Eu me sinto realizado por tudo o que fiz na empresa, é uma história de vida que vivi ali dentro e me sinto abençoado por ter conseguido realizar isso. Sou católico apostólico romano praticante e sei que tudo isso são bênçãos que se manifestaram em minha vida”, conclui. Henrique é casado com Márcia há 35 anos e tem 2 filhos: Marina, de 33 anos, e Pedro Henrique, de 24 anos. Seu maior hobby é viajar de moto – esteve recentemente fazendo uma roadtrip por Foz, Bonito e Chapada dos Guimarães e agora, planeja uma viagem para o deserto do Atacama para o final de 2019 – sempre com disposição e a alegria costumeiras.

“Eu me sinto realizado por tudo o que fiz na empresa, é uma história de vida que vivi ali dentro e me sinto abençoado por ter conseguido realizar isso. Sou católico apostólico romano praticante e sei que tudo isso são bênçãos que se manifestaram em minha vida”.

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