Helmut

Baumgarten

Ele afirma, categórico, sobre os anos de dedicação à Albarus: “eu sempre digo que eu tenho duas famílias: a que constituí com minha esposa e a família albariana”, diz. Foram anos e anos de amor à empresa e um fôlego impressionante para adaptar-se às novas condições de trabalho, quando necessário.

In Memoriam ✩ 30/5/1936 ✝14/02/2019

Antes de encontrar o anúncio de jornal que o levaria até a Albarus, Helmuth trabalhava como autônomo. Recorda com nitidez do dia em que foi fazer sua entrevista para trabalhar como Inspetor de Qualidade. “Vi o anúncio no jornal de domingo, e ele dizia que os candidatos deviam se apresentar na segunda-feira seguinte. Chovia muito nesse dia, e pensei que isso era sinal de sorte: muitos candidatos desistiriam por causa disso. Chegando na Albarus, vi que eu estava certo!”, ri ele. Fez uma rápida entrevista com Carlos Arndt, na época, Chefe da Qualidade (que ele pensou ser alguém de Recursos Humanos – isso o fez ficar tranquilo durante todo o tempo). Mal sabia Helmuth que estava diante de seu futuro chefe – e foi tudo tão bem que foi admitido.

Seu primeiro dia de trabalho na Albarus foi 24 de junho de 1960. Ele conta que a fábrica era absolutamente diferente do que é agora. Foi atuar como Inspetor de Qualidade na Forjaria, a fábrica com processo mais pesado da empresa – a forja ainda era feita a martelo e, para um jovem que nunca havia trabalhado em processos fabris, tudo era novidade. “Naquela época, as coisas eram mais simples e rudimentares. Era assim que as coisas funcionavam, não se tinha ideia de ergonomia, essas coisas”, relata. Helmuth conta que seus grandes parceiros neste início foram os operadores. Com humildade, ele pedia muita ajuda para eles – afinal, o jovem Helmuth trabalhava na Qualidade mas nunca tinha medido peças ou usado um paquímetro, por exemplo. Mais tarde, essa boa relação com os operadores se mostraria fundamental em sua carreira. “Toda hora, os operadores me chamavam para mostrar como eu poderia fazer meu trabalho para ajudá-los – eles me ensinaram a medir, fazer relatórios… Eu era tímido, mas não era burro, por isso aproveitei o aprendizado”, conta, aos risos.

O Chefe da Produção, nesta época, era João Evaldo Ros, um profissional conhecido na empresa por ser muito metódico. Helmuth conta que João tinha uma “caderneta de armazém” onde anotava todos os dados referentes à produção diária da Forjaria. “Era o que, hoje, chamam de engenharia de processo, uma caderneta repleta de dados valiosos! Não tive dúvida: tirei cópia dela e dei para todos os encarregados de produção. Ele ficou louco de brabo”, conta Helmuth, “mas achei que eles tinham que saber tudo o que acontecia dentro da Forjaria por si mesmos, precisavam ser mais independentes”, ressalta. Ele conta que havia uma grande dependência de João Evaldo, pois “era ele quem acompanhava os chefes de produção até a Ferramentaria e dizia qual ferramenta era usada para cada tipo de peça. Ninguém ia com ele, ou perguntava como aprender. Isso tinha que mudar” – e mudou.

A dedicação seria logo recompensada. Depois de 6 meses como Inspetor de Qualidade, Helmuth foi convidado a substituir seu João, que estava saindo de licença naquele período. “Eu não ambicionava aqui, mas o seu Wolff (Zwick), chefe do seu João, achou que eu ia dar conta do recado”, diz. Mais uma vez, pediu ajuda aos operadores para desempenhar a função, e contou com o apoio deles. O que chamou a atenção dele na Forjaria era a união e solidariedade natural que existia entre aquelas pessoas. “Se um deles estava construindo sua casa, o resto marcava de ir lá no final de semana para ajudar na obra – era um grupo muito unido, acredito que pelo processo pesado, desenvolvíamos estes laços de cumplicidade, amizade e solidariedade”.

2 anos depois da licença, seu João voltou, e Helmuth seguiu como Responsável pela Produção, tendo aprendido muito sobre o trabalho com Wolff Zwick – na época, atuando como Chefe da Matrizaria, Forjaria, Tratamento Térmico e Setor de Afiação. Até 1979, quando João se aposentou, Helmuth passou a ser, de fato, Chefe de Produção. Desta época, ele lembra de um desafio marcante: percebeu que o pessoal da fábrica muitas vezes não conseguia parar em feriados ou domingos – e chamou os operadores para uma reunião. Propôs que todos abraçassem o desafio de aumentar o volume de produção, mas de forma que conseguissem passar o precioso tempo livre com a família. “Era uma meta difícil de alcançar, mas eles tinham a melhor motivação do mundo para conseguir: o amor aos seus”. Logo estavam batendo recordes de produção em combinação com jornadas melhor programadas.

Em determinado momento Wolff Zwick adoeceu – e Helmuth foi designado para cuidar do trabalho dele enquanto estivesse fora. “Nunca vou conseguir quantificar tudo que o seu Wolff me ensinou – ele era inteligentíssimo, um autodidata motivado por desafios”, conta, emocionado. Helmuth, então, passou a cuidar da Forjaria, Matrizaria, Tratamento Térmico e Afiação. “Eu disse que aceitava o desafio, mas só se eu fizesse cursos para me ajudar a aprender tudo sobre o processo – quando saí da empresa, contabilizava mais de 120 cursos concluídos, acredita? Por essas e por outras, nunca disse ‘não’ para a empresa”, relata.

E 1979, novo desafio: como a Forjaria estava de mudança da fábrica de Porto Alegre para Gravataí, Helmuth também foi convidado para atuar na nova fábrica. Paulo Regner, porém, avisou que logo outro desafio estava por vir: ele seria designado para trabalhar na fábrica de Elastômeros, uma nova aquisição da Albarus – na época, ainda situada em São Leopoldo. Ele aceitou, mas teve dificuldades pois, como aquela era uma operação recém-adquirida, tinha uma outra cultura corporativa, bastante distinta do esquema da Albarus. Trabalhou com Recursos Humanos por lá, implantando novidades importantes – mesmo encontrando alguma resistência dos funcionários, que logo trabalhariam em Gravataí, para onde a fábrica se transferiria.

Helmuth logo voltaria para Gravataí também, mas desta vez trabalhando na fábrica de Cruzetas. “Minha sorte foi sempre ter uma mente aberta, disposto a aprender e buscar ajuda e orientação”. Esta fase durou um ano, quando Levi Brum, então Diretor Industrial, propôs que ele voltasse para a fábrica de Elastômeros, já transferida para Gravataí, como Gerente. Logo, a exemplo do que havia ocorrido na Forjaria, a fábrica bateria recordes de produção – tanto que Helmuth ficaria durante um ano liderando o time, até que Marcelino Perlott o chamasse para atuar em uma área nova: no Círculo de Controle de Qualidade (CCQ, o berço dos programas de SOPE de hoje em dia), para todas as operações em Gravataí, Elastômeros, Cruzetas e a Forjaria. “Depois me pediram que eu assumisse a parte de Segurança Industrial e Patrimonial – o que fiz, após fazer um curso de supervisor de segurança e treinamento”, relata.

E, como fôlego e disposição para novos desafios eram a marca registrada de Helmuth, logo viriam novas somas à sua carreira dentro da Albarus. Na época, ainda não havia escola do SENAI dentro da empresa, e surgia esta necessidade de oferecer mais treinamento aos colaboradores. Ele se dispôs a voltar para Porto Alegre, agora trabalhando como coordenador do SENAI, mas também acumulando as funções de Coordenador de CCQ, Segurança Industrial e Patrimonial. “Entre as conquistas de que me orgulho nessa época são os cursos de Supletivo que promovemos – muita gente não sabia ler ou escrever, era muito bom poder proporcionar isso a eles”, afirma, “e isso foi fundamental para o sucesso do CCQ na Dana – afinal capacidade de ter ideias não tem nada a ver com escolaridade”, reitera.

Em 1990, Helmuth começou a pensar em parar de trabalhar – já estava completando trinta anos de empresa, e encaminhou sua aposentadoria. Em 14 de maio daquele ano, aposentou-se, mas não chegou a passar dois meses em casa – logo, procuraram-no novamente para que ele voltasse à empresa – mais especificamente, à Albarus Sistemas Hidráulicos, para implantar a escola do SENAI. “Depois disso, acabei ficando como Coordenador e também ligado a Recursos Humanos”, lembra ele. Ainda trabalharia na Qualidade e, depois, Relacionamento com o Cliente. Foram mais sete anos de trabalho na empresa, quando recebeu um “ultimato” dos filhos para que se aposentasse de verdade. Ele é pai de Rosilei, Helmuth e Ângelo, frutos de seu casamento com Iolanda – e tem cinco netos: Bruno, Rafael, Nicolas, Leonardo e Arthur, a quem ele dedica a maioria de seu tempo, nos dias de hoje. “Eu sou office boy dos meus netos, com muita alegria, levo e busco em todos os compromissos deles. Fora isso, eu não gosto de hobbys, nada disso. Eu gosto é da minha mulher”, diz ele, sob o olhar cúmplice de Iolanda. Sobre todos estes anos de empresa, é categórico e afirma: “Tudo valeu à pena na Albarus. A família que deixei lá dentro é de irmãos, de companheiros de jornada e de vida, são muitos nomes a citar. E só tenho a agradecer a todos eles”, conclui.

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“Tudo valeu à pena na Albarus. A família que deixei lá dentro é de irmãos, de companheiros de jornada e de vida, são muitos nomes a citar. E só tenho a agradecer a todos eles.”

Helmuth Baumgarten