Hairson

Pacheco Figueiredo

53 anos, 9 meses e 21 dias – com muitos mais, provavelmente. Este é o tempo de trabalho de Hairson Pacheco Figueiredo na Albarus e na Dana, onde atua até hoje com a mesma empolgação do office-boy que iniciou sua trajetória profissional na rua Joaquim Silveira.

Respeitado pelos colegas, Hairson é uma verdadeira autoridade no assunto auditoria e também transmite sua vasta experiência profissional neste campo para seus alunos da universidade São Judas Tadeu.

Hairson  começou a trabalhar na Albarus por intermédio de sua mãe, Francisca Pacheco Figueiredo. Ela ficou viúva muito jovem e com três filhos pequenos, e buscou emprego na Albarus, onde foi admitida na montagem de cruzetas. Em 1962, quando Hairson concluiu o Ensino Fundamental, Francisca viu ali uma oportunidade de indicar o filho para começar a trabalhar no mesmo lugar que ela.

Mesmo sem experiência prévia, Hairson agarrou a oportunidade com todas as forças e, em 22 de março de 1962, foi contratado como office-boy da empresa. Dedicou-se tanto e era tão rápido na entrega dos documentos que ganhou rapidamente um apelido na fábrica: “Expressinho”. Como ele ajudava no sustento da família, conseguiu dispensa do serviço militar obrigatório  e, para sua imensa alegria, não perderia o emprego na Albarus. “Eu gostei desde o início de trabalhar lá – meu primeiro chefe foi o Riograndino Dias Soares e, logo, fui promovido a datilógrafo  do Planejamento, Programação e Controle de Materiais – mais conhecido como PPCM”, explica.

Numa das crises que atingiu a empresa, sua mãe acabou  saindo do emprego, mas seguiu trabalhando em casa, “por conta”, como se dizia naquela época. Hairson tinha mais responsabilidade ainda de ajudar a pequena família e, depois disso, seria transferido para o Departamento de Controle de Qualidade, Contabilidade, Área Financeira e Auditoria. Formado em Ciências Contábeis, ele sempre teve aptidão para trabalhar com números e controles em geral. “Quando fui trabalhar em Auditoria, fiquei estagiando na fábrica por seis meses junto com o seu Enio Moura do Valle, que era uma enciclopédia e um profissional muito humano, e trabalhava demais – às vezes, virava a noite trabalhando”, ri.

Hairson ressalta que, nessa época, todo este trabalho era totalmente manual, o que tornava os controles mais complexos e demorados de fazer. “Era tudo mais burocrático, havia muitas ordens de serviço, horas extras, e tudo era registrado manualmente. Imagine fazer controle de horas, de serviços, tudo na caneta. Sem sistema algum, era complicado”, afirma. Quando trabalhou com Auditoria, Hairson lembra que atuava com mais seis colegas, viajando por todo o Brasil durante duas semanas para fazer o trabalho. “Com a informatização, fazíamos o mesmo serviço em uma semana apenas”, diz.

Em 1974, tanta dedicação foi recompensada: Hairson foi promovido a Controller da Divisão de Juntas Homocinéticas, mais conhecida como ATH. Não por acaso: 1974 foi o ano em que a Dana conquistou o fornecimento deste tipo de junta para o recém-lançado Passat, que teve um sucesso estrondoso de vendas naquele mesmo ano e nos subsequentes. “Eu ficava duas semanas no Brasil, e as outras duas, viajando. Conheci a Dana Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela, México, Espanha e Estados Unidos – tudo isso trabalhando com auditoria”, relata.

Depois de ser o primeiro Controller da ATH, Hairson foi transferido para São Paulo, trabalhar como Controller no Eixo Traseiro. O ano era 1980, e ele nem sonhava que lá conheceria Maria Helena e Almeida, sua esposa até hoje. Hairson viveu cinco anos lá, trabalhando incessantemente numa série de desafios.

Quando voltou à Porto Alegre, trabalhou como Gerente da Contabilidade, em 1985. Dois anos depois, foi novamente alçado ao cargo de Controller, mas agora da Divisão de Cardans e em Gravataí. Em 1988, começaria sua trajetória com Auditoria e o período longo de viagens – que faz com que, até hoje, ele tenha ojeriza por aeroportos e aviões. “Neste momento, minha esposa está em Portugal e foi sozinha”, ri ele, “nem mais para São Paulo eu viajo. Eu adorava meu trabalho na Dana, mas os deslocamentos constantes me cansaram bastante, acho que por isso não penso mais em viajar hoje em dia”, completa.

Em 1994, uma nova mudança estava prevista: Hairson foi trabalhar em Sorocaba, como Controller da fábrica de Eixo Traseiro, onde ficou um ano morando. Mas, dessa vez, foi com a esposa e a filha, Helaine, que na época estava com dez anos. Em 1996, a Dana investiu em auditoria interna, um setor que passou a ser tratado com a máxima importância dentro da empresa. Seria o começo de uma longa jornada de Hairson trabalhando com a Lei Sarbanes-Oxley, ou simplesmente SOX. A lei visa garantir a criação de mecanismos de auditoria e segurança confiáveis nas empresas, incluindo ainda regras para a criação de comitês encarregados de supervisionar suas atividades e operações, de modo a mitigar riscos aos negócios, evitar a ocorrência de fraudes ou assegurar que haja meios de identificá-las quando ocorrem, garantindo a transparência na gestão das empresas. “Buscamos savings gigantescos para a Dana e tentamos, ao mesmo tempo, desmistificar essa coisa de auditor ser o vilão, o policial, o cara que aponta os erros dos outros. Nós não apontávamos erros – dávamos às pessoas novas opções de trabalho, com muito tato”, lembra. “O Paulo Born uma vez me disse que a Dana era a primeira empresa em que ele ouvia elogios para o auditor interno”, ri. Seguiu-se também um dos períodos mais cansativos da carreira de Hairson: as viagens incessantes.

Em 2007, a Dana decidiu, num movimento global da companhia, terceirizar o trabalho de Auditoria. Um ano antes, Hairson já tinha dito que estava cansado das constantes viagens e que, em 2007, se aposentaria. Numa visita ao México, pediu que a empresa encontrasse alguém para substituí-lo. “Conversando um dia sobre isso com a Carmen Piccini ela disse que queria que eu ficasse na empresa e que não precisaria mais viajar. Iria trabalhar na parte de Controles Internos e Auditoria, posição que ocupei até 2010”, explica.

Em novembro de 2010, ele se aposentou – mas, claro, não parou de trabalhar. Abriu uma empresa, a H Figueiredo Assessoria e Representações e Ltda, e segue como prestador de serviços para a Dana até hoje. “Sou muito respeitado dentro da empresa, e as pessoas sabem dos documentos que preciso, e me entregam tudo com confiança e respeito”, diz. “Não tem dinheiro que pague o que sinto em relação à Dana. Eu costumo dizer que só quero da empresa a confiança de entrar na empresa na hora em que eu quiser. Isso é importante. Só quero poder visitar a turma lá, conversar, ir almoçar… No fim, sou o mesmo guri que pescava nos fundos da Albarus”, emociona-se.


Há 21 anos, Hairson dá aula na Faculdade São Judas Tadeu, e quase todos os anos, é o professor homenageado das turmas de formatura ou o paraninfo. Nos finais de semana, a gurizada da faculdade se reúne na casa dele pra fazer churrasco e conversar. “Muitos alunos meus trabalham hoje na Dana ou na GKN – os que se destacavam, eu levava pra dentro da empresa”, diz.

Para descansar da rotina corrida, Hairson vai ao litoral pescar – geralmente na plataforma de Tramandaí – e curte muito os dois filhos – Marco Antônio, do primeiro casamento, e Helaine, fruto da união com Helena.

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Não tem dinheiro que pague o que sinto em relação à Dana. Eu costumo dizer que só quero da empresa a confiança de entrar na empresa na hora em que eu quiser. Isso é importante. Só quero poder visitar a turma lá, conversar, ir almoçar… No fim, sou o mesmo guri que pescava nos fundos da Albarus.