Guaracy

Batista Conceição

Uma partida de futebol com os amigos foi o que levou Guaracy Conceição a trabalhar na antiga Albarus, onde iniciou sua carreira em 1963, ao lado de outros veteranos como Byron Matissek, José Domingos Miotti, Raimundo Castro e Wolf Zwick – um time que faria história dentro da empresa.

In Memoriam ✩ 25/10/1935 ✝27/05/2019

Guaracy era conhecido por seus ex-colegas como um cara tranquilo, paciente e um chefe incentivador do crescimento dos subordinados. Antes da Albarus, Guaracy trabalhava na Metalúrgica Wallig, e os colaboradores das duas empresas costumavam jogar futebol juntos. Quando ele saiu da Wallig, um colega de partidas de futebol deu a dica para ele aparecer na Albarus e pedir emprego. Só não imaginava que teria uma carreira de quase 30 anos de empresa.

Ele iniciou essa trajetória em 11 de novembro de 1963, como Inspetor de Qualidade, trabalhando com Raimundo Castro – ele ocupou este cargo durante 5 anos. “Eu era formado pelo SENAI como torneiro mecânico e aceitei a vaga na hora, mesmo que fugisse um pouco da minha especialidade. Eu era um guri de 28 anos que só queria aprender”, afirma. Guaracy conta que, quando entrou na Albarus, Johann Wolfgang Limbacher era estagiário e que os dois logo desenvolveram uma grande amizade. “Ele vivia aqui em casa”, ri Guaracy.

Para ele, tudo foi novidade neste começo de trabalho na Albarus. “No meu emprego anterior, eu era responsável pelo meu trabalho e pelo de mais ninguém. Agora, eu teria que lidar com pessoas e fazer o controle do trabalho deles, o que sempre é meio delicado”, explicou. Mas ele tirou de letra com sua gentileza e carisma característicos. Guaracy trabalhava diretamente dentro da fábrica, circulando entre os operadores, e também no Laboratório Dimensional. Seu chefe era Raimundo Castro e, depois, Johann Wolfgang Limbacher, duas pessoas com quem ele diz que tinha um excelente relacionamento.Ele também lembra com carinho de conviver com Wolff Zwick (hoje, já falecido): “dentro do meu coloradismo e do gremismo dele, a gente se dava muito bem”, conta, aos risos.

Em 1968, Guaracy foi promovido a Contramestre na sessão de Retíficas. “Foi uma decisão da chefia, me adaptei logo porque, como Inspetor, já conhecia todo o pessoal da produção e fui bem recebido por eles, não houve qualquer tipo de rejeição também porque eu já tinha um tempinho de casa e experiência”, explica. E, neste cargo, ele ficaria a maior parte da sua carreira dentro da Dana.

Guaracy conta que foi promovido em 1968 a Contramestre justamente numa época em que a explosão deu um salto – que duraria toda a década de 70 – e, por isso, fazia muita hora extra para que a empresa conseguisse dar conta da imensa demanda produtiva. “Foi quando, também, eu comecei a trabalhar no terceiro turno e fiquei vinte anos nesse horário”, afirma.

Em 1969, depois de seu primeiro ano atuando como Contramestre, foi eleito o Operário Padrão de Porto Alegre por unanimidade, algo que o enche de orgulho até hoje. Além disso, ele também se alegra ao contar que, num curso de Aperfeiçoamento de Chefia dentro da empresa, destacou-se com nota máxima na avaliação do desenvolvimento das habilidades quando foi julgado por diversos grupos.

Outra coisa interessante sobre Guaracy é que, durante duas décadas, de 1961 até 1981, ele teve uma carreira paralela: a de músico.  Ele era saxofonista no conjunto Maratá, que tocava em vários bailes de Porto Alegre naquela época e se apresentava também no programa “Antigamente era assim”, do antigo canal 5 de televisão. “Aos 20 anos, incentivado por um amigo que tocava trompete, comecei meus estudos de música – hoje, só toco quando alguém pedir pra eu tocar”, relata, com o bom humor característico. E como ele conciliava as duas carreiras? “Com uma energia que só gente jovem tem”, ri.

Antes de ser promovido a Mestre, em 1982, Guaracy conta que ficou 1 ano fora da empresa, depois da grande crise de 1981. “Fui trabalhar em uma loja e, um dia, o Diogo Haro apareceu por lá, me chamando para retornar para a empresa a pedido do gerente de produção daquela época, o José Domingos Miotti, outro grande amigo meu gremista”, conta. Guaracy diz que voltou com todo o gás e que Miotti o realocou para ser Contramestre na recém-aberta fábrica de Aneis de Pistão, a Perfect Circle, menina dos olhos da Albarus na época. “De anel, só conhecia aqueles que vão nos dedos (risos), então comecei trabalhando no turno normal, para aprender sobre aquele produto e seu processo de fabricação, e depois passei pra a noite”, explica.

Ele seguiu trabalhando no terceiro turno e não demorou a ser promovido a Mestre. “A gurizada mais jovem não gostava de trabalhar à noite, então fui crescendo ali e, durante o terceiro turno, se você tinha um cargo de chefia, tinha que decidir sozinho, não podia esperar a outorga de outra pessoa”, relata. Foi uma época em que ele conta que foi muito feliz.

Logo, no começo da década de 90, acabaria sua carreira de 27 anos na empresa, mas ele diz que só tem coisas boas a lembrar. “O que ficou deste tempo da minha vida são só coisas boas, fiz grandes amigos, cheguei a ser chefe mas não era durão e volta e meia, o pessoal albariano entra em contato e isso é muito bacana”, conclui. Guaracy é casado há 60 anos com Neuza, com quem teve quatro filhos: Alcenir, Cleonir, Cleonice e Andréa. Hoje, o casal tem seis netinhos – Natalie, Arthur, Lauren, Audrey, Joyce e Luiza e um bisneto, Leo. Sua paixão é a família e ele adora ouvir música.

Guaracy Conceição

“O que ficou deste tempo da minha vida são só coisas boas, fiz grandes amigos, cheguei a ser chefe mas não era durão e volta e meia, o pessoal albariano entra em contato e isso é muito bacana.”