Geraldo

Pereira Nunes

Falante e bem-humorado, relembrou com carinho os 35 anos de sua carreira e os desafios de ingressar em uma grande empresa vindo do interior da Paraíba.

In Memoriam ✩ 01/10/1957 ✝ 02/10/2019

Para quem estava acostumado a passar os dias no campo, à primeira vista o ambiente fabril não pareceu nada acolhedor. Mas a impressão inicial do paraibano Geraldo Pereira Nunes, recém-chegado a Sorocaba, logo deu lugar ao orgulho de estar empregado em uma grande empresa com muitos benefícios e plano de carreira. “No dia que me aposentei definitivamente, eu disse para os diretores: onde eu for, vou levar o nome da Dana porque é uma empresa que cumpriu exatamente tudo o que me prometeu”, conta. Foram 35 anos de uma parceria construída à base de muita determinação e oportunidades de crescimento muito bem aproveitadas por ambas as partes.

Ao deixar sua terra natal aos 22 anos e já casado com a Maria, Geraldo não tinha ideia da profissão que iria seguir na nova cidade. Tinha planos de fazer faculdade, mas sabia que o trabalho deveria vir em primeiro lugar para dar sustento à família. Sem pestanejar e feliz por ter conseguido um emprego rapidamente, aceitou a vaga de ajudante geral no setor de pintura da então Albarus. “Nunca tinha visto uma fábrica antes e não sabia nem o que eu ia fazer ali dentro, mas procurei ser estratégico, focando em aprender cada etapa do processo de montagem, principalmente o que os outros não gostavam de fazer. Aí fui ganhando a confiança da chefia e apenas cinco anos após ter sido contratado já ocupava um cargo de liderança”, recorda. Geraldo credita a rápida ascensão dentro da Dana à sua facilidade de relacionamento com as pessoas e por sempre usar a liberdade que recebeu com muita responsabilidade.

Outro fator que pesou a favor de seu crescimento foram os constantes desafios recebidos. Ele ainda recorda do primeiro que recebeu. Foi em 1984, quando seu chefe pediu dedicação total da equipe para conquistar um importante cliente: a Mercedes-Benz. “Fazia dez anos que eles estavam negociando e nós conseguimos fechar o contrato”, destaca, lembrando que os primeiros eixos cardan da MB, foi ele quem pintou. “É uma honra saber que a montadora é um dos maiores clientes da marca até hoje e que eu fiz parte dessa história.”

Com o tempo, Geraldo conquistou não só a admiração da diretoria, mas também a de seus funcionários. Seu maior trunfo era entender os desejos dos gestores e saber transmiti-los de forma motivadora para a equipe. “Cargos de liderança exigem jogo de cintura. A gente precisa saber a hora de ponderar e a hora de cobrar”, analisa. Uma das mudanças mais marcantes que Geraldo presenciou em seus longos anos de Dana foi justamente na área de gestão de pessoas. “No início, o modelo era bem tradicional: o chefe mandava e a gente obedecia. Mas depois, a empresa adotou o conceito de trabalho em equipe, onde tudo é feito e resolvido coletivamente. Foi um importante salto de qualidade, com ótimos resultados em produtividade e melhora no relacionamento das equipes.”

Em 1996, Geraldo recebeu sua segunda promoção, passando a ocupar o cargo de encarregado. Mas a grande mudança de sua carreira não aconteceu por conta das novas atribuições, mas sim pela mudança de cidade da sua unidade de produção. Por questões de espaço físico, a área de montagem da fábrica de Sorocaba foi transferida para Gravataí, no Rio Grande do Sul. Além do novo cargo de supervisor, Geraldo precisou adaptar-se novamente a um estilo de trabalho e de vida totalmente diferente do que conhecia até então, a começar pela grandiosidade da fábrica que então contava com cerca de 3.600 funcionários, além dos hábitos culturais dos gaúchos e as baixas temperaturas do Sul do país. “Tudo o que eu ganhava, gastava em roupa para as crianças”, brinca. Mas o que mais pesou na mudança foi a distância dos irmãos. “Sou de uma família grande e muito unida. No Sul era eu, minha esposa e meus dois filhos, o Edson, com 9 anos, e a Andrea, com 3. Nos almoços de domingo a gente se abraçava e chorava de saudade, mas logo nos acostumamos e quando fui transferido de volta, depois de oito anos, as crianças não queriam voltar”, comenta.

Ir para Gravataí foi o trampolim na carreira. A maior proximidade com a diretoria o fez compreender os meandros da companhia e ajustar o seu estilo de trabalho, isso sem falar no desafio de liderar uma equipe com cerca de 120 profissionais. “No começo eles ficaram um pouco reticentes por eu ser de fora, mas aos poucos fui conquistando a turma. No fim, viviam brincando comigo e até me apelidaram de ‘Paragaúcho’, uma mistura de paraibano com paulista e gaúcho”, diverte-se.

De volta a Sorocaba, em 2003, Geraldo assumiu o cargo de facilitador de produção. Aposentou-se em 2005, mas continuou na empresa por mais 10 anos. Nos últimos dois anos de trabalho passou a dar treinamentos para os recém-contratados e a coordenar a montagem das novas linhas. “Gostei de trabalhar com a gurizada, eles são bem preparados em termos de conhecimentos, mas falta um pouco de maturidade e responsabilidade, fato que a Dana entendeu muito bem e foi sensata ao formar equipes com profissionais novos e veteranos. É o equilíbrio entre o mundo analógico e o digital”, observa.

A aposentaria oficial veio em 2015 e foi cuidadosamente planejada com intuito de manter o estilo de vida da família. Geraldo ainda trabalhou um ano na empresa de um amigo, mas há dois anos decidiu que era hora de parar definitivamente para cuidar da saúde e curtir a família, principalmente a netinha Luna. “Posso dizer que sou uma pessoa realizada e todos na minha família têm orgulho por tudo o que eu conquistei dentro da Dana”, garante.

Homem de palavra, Geraldo não economiza nos elogios à Dana. Faz questão de destacar a gratidão que sente pela empresa seja pelos benefícios recebidos ao longo dos anos, como assistência médica e cesta básica, até o programa de veteranos. “Olha o que eles estão fazendo para nós, convidando para encontros, dando crachá para entrar na empresa a hora que a gente quiser. Fico pensando se na época em que eu trabalhava lá, se eu realmente sabia o quanto era importante para empresa. Não tem como não ficar emocionado”, conclui.

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“Olha o que eles estão fazendo para nós agora, convidando para encontros, dando crachá para entrar na empresa a hora que a gente quiser. Fico pensando se na época em que eu trabalhava lá, se eu realmente sabia o quanto era importante para empresa. Não tem como não ficar emocionado.”