Fernando

da Rosa Gonçalves

Toda a carreira de 23 anos de Dana de Fernando da Rosa Gonçalves foi passada em um só lugar: dentro da fábrica. Com muito orgulho de seu cargo de operador de máquina, Fernando é irmão do também jubilado Lauro da Rosa Gonçalves, e saiu da empresa em 2009 mas, “se pudesse, faria tudo outra vez”.

Nascido em Barra do Ribeiro, Fernando mudou-se para Porto Alegre ainda pequeno, e seu primeiro emprego foi como vendedor em uma loja de eletrodométicos. “Depois de 11 anos trabalhando com vendas, descobri que não era um vendedor”, ri ele. Seu irmão, Lauro, trabalhava na Dana, e comentou com Fernando que a empresa sempre precisava de operadores de máquina – especialmente para o terceiro turno. Ele encontrou aí a chance que precisava para entrar na companhia e construir uma carreira de 23 anos.

Fez a ficha e, no dia 8 de fevereiro de 1986, começou a trabalhar como operador de máquina no terceiro turno – mais especificamente, na linha de garfo e flange. “Era um trabalho muito diferente daquele eu estava acostumado a fazer, mas assumi que ia fazer isso pra minha vida e acabei gostando bastante do que fazia”, ri ele.

Fernando diz que trabalhou durante 20 anos na mesma linha e que sua família sempre entendeu o horário de seu trabalho, não muito usual. “Meus filhos ficavam um pouco frustrados, mas minha esposa sempre entendeu, porque dali vinha nosso sustento”, diz. Fernando diz que a certeza do salário no final do mês foi um imenso alívio, depois de muitos anos trabalhando como vendedor comissionado. “Isso é algo pelo qual sempre serei grato – meu salário sempre vinha em dia, e foi o que me possibilitou ter as coisas que tenho”, explica.

Tantos anos de fábrica lhe renderam um apelido: Porquinho. “O Clóvis, que era mecânico, e trabalhava comigo, me dizia que eu parecia um porquinho da índia, então acabou pegando”, ri ele. “Éramos todos muito amigos, era uma família”, diz. Depois de tantos anos no terceiro turno, uma grande recessão fez Fernando sair da empresa – para voltar poucos meses depois. “Naquela época, em 1990, fiquei 3 meses fora da empresa – mas em seguida eu e todos meus colegas fomos chamados de volta, para nossa grande alegria”, afirma.

Fernando retornaria para o chamado “turnão” (das 22h até as 7h da manhã), horário em que trabalhou durante mais 4 anos. “Como eu já era mais antigo na empresa, me integrei bastante com o pessoal de novo – quando descobriram que eu era assador, virei presença confirmada em todos os churrascos, mas pra cuidar da carne”, lembra, aos risos.

No final de 2007, Fernando se aposentou pela Dana, e ainda seguiu trabalhando até 31 de janeiro de 2009. Na empresa, não chegou a conviver com o irmão Lauro, que trabalhava em outro departamento e horário: “nos encontrávamos na portaria, um saindo e outro entrando, mas sempre tivemos boa relação”. Sobre seus 23 anos de empresa, é categórico ao dizer que sente saudade. “As quebras de recorde eram emocionantes, a fábrica em si era um ambiente muito bacana de se trabalhar. O plano de saúde é algo que me ajuda muito até hoje, e sou grato até hoje por ter feito curso de mecatrônica dentro da Dana – acabei me formando pela Universidade Federal de Pelotas na segunda turma da universidade depois disso, quer coisa melhor? Foi uma grande conquista na minha vida”, conclui.

Fernando é casado com Heloísa, com quem tem os filhos Aline, de 37 anos, e André, de 18. Sua grande paixão são as netas Sarah e Giovana. Ele ainda trabalha com serviços de manutenção elétrica e eletrônica, mas sua grande paixão é pescar, acampar e ir para a praia. “Ficar perto da natureza é o que mais gosto”, resume.

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Fernando da Rosa Gonçalves

“As quebras de recorde eram emocionantes, a fábrica em si era um ambiente muito bacana de se trabalhar. O plano de saúde é algo que me ajuda muito até hoje, e sou grato até hoje por ter feito curso de mecatrônica dentro da Dana – acabei me formando pela Universidade Federal de Pelotas na segunda turma da universidade depois disso, quer coisa melhor? Foi uma grande conquista na minha vida”.