Eduardo

Nunes de Carvalho

Durante 20 anos, Eduardo Nunes de Carvalho trabalhou na Albarus/Dana e participou do desenvolvimento de produtos e fornecedores para componentes para diversos veículos, como Chevette, Passat, Ford Cargo, Kadett, Scania e Mercedes. Ele considera todos estes anos de experiência como um marco em sua vida profissional e conta com orgulho esta trajetória.

Tudo começou com uma troca de cartões em um restaurante de São Leopoldo. Na época, Eduardo já era formado em Mecânica Geral, Cálculo e Desenho Técnico pelo SENAI, e trabalhava na empresa Inpel Transmissões Mecânicas, de Sapucaia do Sul, que atende o segmento de máquinas agrícolas. “Existia um restaurante em São Leopoldo chamado Capri, e um dia, um senhor que eu via muito por lá, bem elegante, me entregou um cartão na mesa em que eu almoçava com meu gerente da época – nem sabia quem ele era”, lembra. Eduardo, então, ao chegar em casa, foi para a casa do vizinho (pois não tinha telefone na época) e telefonou para o número do cartão. O empresário, então, pediu que ele aparecesse na empresa no sábado daquela mesma semana.

O nome da empresa era Sul Brasileira, e ela havia sido adquirida pela Albarus há pouco tempo para o desenvolvimento de sanfonas de proteção da Junta Homocinética, e os Coxins do Motor do Chevette. “O homem que me deu o cartão era Valter Rodrigues de Almeida (mais conhecido como ‘Pato’), que me levou para conhecer a Fábrica I (Produção de Compostos de Elastômeros, com processo através de Caldeira) e a Fábrica II, que ficava a 7,5 km da primeira”, diz. Ele, então, explicou o projeto: a ideia era produzir a sanfona da junta homocinética, que servia como proteção para a peça, e coxins para Suporte do Motor Chevette. “Achei a Fábrica II fantástica pois tinha Estamparia, Usinagem, Ferramentaria e Tratamento de Superfície, resultando num processo de produção bem interessante”, diz.

O ano? 1973. Eduardo, é claro, topou o desafio e começou a trabalhar na Sul Brasileira/Albarus. “Quando comecei, o Valter me apresentou o Emilio Zagorski como Gerente de Divisão – ele veio da Volkswagen, onde trabalhava no Departamento de Engenharia Elétrica. Também fui apresentado ao Gilberto Rodrigues, Gerente de Administração, Ivan Hoffmann, Gerente Químico e grande gênio em formulação de elastômeros – duas pessoas que marcaram minha carreira”, diz.

Mas nem tudo eram flores em seu primeiro dia de Sul Brasileira. “Quando me apresentei para o primeiro dia de trabalho, veio uma decepção: fui informado que trabalharia na Fábrica I, na industrialização de elastômeros, e não na Fábrica II, onde estava a minha especialização”, lembra.

Como Eduardo nunca tinha trabalhado com elastômeros, foi conversar com Valter para informar que não tinha conhecimento sobre os processos em que estava indo atuar. Valter, então, lhe alcançou um livro e disse tudo que precisava saber sobre elastômeros estaria ali “Folheei o livro, que se chamava ‘El Caucho’ e comentei que ele era em espanhol, ao que Valter respondeu alegremente: ‘Viu, além de aprender sobre elastômero, ainda vai falar espanhol’”, conta, entre risos.

Eduardo passou o dia debruçado sobre o livro, dedicando-se a aprender. Ao chegar em casa e falar com seu pai, ele relembra que pensou ter feito uma mancada ao trocar de emprego. “O velhinho disse pra mim que, ao contrário do que eu pensava, aquela devia ser uma grande oportunidade”, lembra. Seguindo o conselho do pai, Eduardo decidiu mergulhar de cabeça na nova oportunidade, e deu tudo certo. “Comecei a estudar muito: aprendi bastante sobre química e borracha e, logo, começamos a participar no desenvolvimento das primeiras ferramentas para fabricar a sanfona de proteção da junta homocinética e ferramentas de estampagem para coxim do Chevette, que eram ainda produzidas pelo esquema de compressão com caldeiras e, como eu era supervisor de produção, precisava estar totalmente envolvido com isso”, explica.

Eduardo conta que, deste processo, surgiu uma inovação tecnológica: foram importadas ao Brasil as primeiras injetoras REP, francesas. “Começamos, então, a desenvolver ferramentas para injeção de elastômero – não mais para compressão – e foi outra época de muito trabalho e aprendizados diários”, avalia. Eduardo conta que, durante esse período, trabalhou com uma série de albarianos que lhe ensinariam muito. “Lembro do Witt, um gênio de Ferramentaria e ser humano maravilhoso, do Adão Kus, mestre de Usinagem de ferramentas, e do Wolf Zwick, com quem tive o prazer aprender os processos de estamparia, foi um grande professor”.

Ele lembra que logo se iniciou o processo de implantação da cultura albariana dentro da Sul Brasileira. “Cerca de 2 anos depois, o Helmuth Baumgarten foi mandado para a Sul Brasileira para atuar como Gerente de Produção – um cara que alavancou minha carreira no sentido de me ensinar sobre produção num contexto total, não só voltada para um produto, foi uma pessoa fantástica para minha carreira”, afirma “além de amigo, psicólogo e professor”.

Eduardo ficou durante 2 anos como Supervisor de Produção. Depois, foi para o Departamento de Planejamento e Controle da Produção (mais conhecido como PCP) trabalhar na implantação do chamado PPCM – Planejamento, Programação e Controle de Materiais. Para esta tarefa, Eduardo recrutou alguns colegas, como Arlindo Ardano da Costa e Edgar Martins, que trabalhavam na produção, para este desafio. “Cabe lembrar outras pessoas que trabalhei nesta etapa: Carmem Piccini, Benedito Santoro, Paulo Lontra, Paulo Rocha, Jorge Scherer, Negrão Brito, Marcelino Motta, Nelci Pacheco, Otalício Maica, Jair Soares, Dona Cenira….e muitos outros aqui não relacionados”, diz.

Depois desta etapa, começariam os movimentos para a mudança da fábrica de São Leopoldo para Gravataí. “Meu amigo Xico Costa e eu fomos os ‘estragadores de sapato’ com aquele barro vermelho que havia na fábrica nesta época – só havia a fábrica de cruzetas e precisávamos caminhar por um bom trajeto até chegar na outra construção”, ri Eduardo. Ele ressalta que Xico foi uma pessoa que lhe ensinou muito sobre metalurgia e tratamento térmico.

Eduardo disse que quem assumiu a Planta de Gravataí nesta época foi Levi de Araújo Brum, hoje já falecido, que começou a “dar a dica” pro pessoal se mudar de São Leopoldo para Gravataí. “Ele explicou que isso serviria como exemplo para que os outros funcionários fizessem o mesmo, e vim pra cá, onde moro até hoje. Na época, já era casado com a Leda e já tinha uma filha, a Tatiana – o segundo filho, Rafael, já nasceu em Gravataí”, explica.

Ele sabia que um grande desafio estava diante dele quando Levi Brum e Fabio Jacques lhe falaram que teria que participar da Hell Week fazendo uma apresentação. E, assim, numa Hell Week de 1981, Eduardo apresentou os resultados de seu trabalho como Chefe do Departamento de Planejamento e Compras da Divisão de Elastômeros. “Eu tremia de nervoso. Segurei o microfone mais pra perto do peito para disfarçar, mas até minha voz saía trêmula. No jantar daquele dia, o Levi, o Helmuth e o Jacques me disseram que eu precisava melhorar minha apresentação e, logo, comecei treinamentos em neolinguística – foi quando melhorei nesse quesito”, comemora.

Daí pra diante, Eduardo trabalhou na Divisão de Forjaria, sob o comando de Carlos Nabinger e João Carlos Nogueira para fazer o desenvolvimento de ferramentas para a Forjaria a quente e a morno. Na área de Suprimentos da Forjaria, ainda aprendeu a negociar com João Carlos Wallau. Eduardo lembra também que atuou no desenvolvimento de Fundidos e Forjados, dispositivos de medição e também em processos de Usinagem e ferramentas especiais.

Depois disso, ele também trabalhou na Divisão de Anéis, com José Domingos Miotti, Marcelo Jardim e Jader Hilzendeger. “Foi minha última etapa na Dana, trabalhei no desenvolvimento de ferramentas para um projeto. Tinha fornecedores em São Paulo, Paraná e no interior do Rio Grande do Sul, por isso viajava bastante”, afirma. Em 1992, saiu da empresa. Mas ficou um dia sem emprego: logo, estava atuando em outro grande desafio. E, mais tarde, virou fornecedor da Dana para Dispositivos de Produção e de Medição, Complementos de Células de Produção e também peças especiais, por indicação de Gilberto Ceratti.

Hoje, Eduardo possui Graduação, Pós-Graduação e MBA como Executivo em Gestão Empresarial e atua como consultor na área de Suprimentos, Desenvolvimento de Células de Produção, de Forjados e de Fundidos, e também dá palestras sobre o Sistema Toyota de Produção e Marketing de Relacionamento. “Os meus 20 anos de empresa valeram demais, tenho uma saudade imensa da Dana e das pessoas que estão lá até hoje. O meu saldo é positivo, a empresa foi maravilhosa pra mim, conheci muita gente incrível”, conclui.

Eduardo Nunes de Carvalho

“Os meus 20 anos de empresa valeram demais, tenho uma saudade imensa da Dana, das pessoas que estão lá até hoje. O meu saldo é positivo, a empresa foi maravilhosa pra mim, conheci muita gente incrível”.