Divino

Buratto

Uma vida toda de paixão pela fábrica – e também pela fotografia, que acabou virando trabalho. Divino Buratto é conhecido na Dana por ser um profissional destas duas áreas. Durante seus vinte e quatro anos de carreira dentro da fábrica, dedicou-se com afinco para desvendar novos processos e cultivar um bom relacionamento com os colegas. E, até hoje, fotografa e registra em vídeo diversos momentos da empresa – mas, agora, como fornecedor.

Essa história teve início na década de 70. O jovem Divino trabalhava na Wotan Máquinas, em Gravataí, como operador de uma máquina que afiava a serra circular. Na época, uma função nova, que poucas pessoas faziam. Divino saiu da empresa numa crise forte, e começou a buscar uma nova oportunidade de trabalho. “Eu pegava três ônibus pra chegar na empresa e, como tinha que estar lá no turno dois, acordava às quatro da manhã. Então, já estava na hora de ter uma oportunidade melhor”, diz.

Foi quando Mauro Blume, da Matrizaria da Albarus, comentou que, na empresa, tinham uma máquina semelhante àquela que Divino operava – era uma máquina nacional, ao contrário da alemã que ficava na Wotam, mas Divino decidiu tentar a sorte. A Albarus, claro, contratou-o imediatamente e a Wotan não queria deixar o funcionário ir embora então, durante um mês, Divino trabalhou nas duas empresas. Mas, logo, estabeleceu-se somente na Albarus – uma aposta pra vida toda que iniciou em 1974. “Eu adorei porque, logo de cara, fiquei na Matrizaria e a sala era cheia de janelas e, de lá, eu via tudo o que estava acontecendo na fábrica – ao contrário da sala fechada onde eu estava antes, então achei que foi uma baita melhora de perspectiva”, explica.

Aos poucos, Divino conta que, além de afiar a serra circular, começou a ‘abraçar’ outros serviços: limpeza de máquina, ajuda no ferramental, auxílio aos colegas. “O engenheiro Octávio Teichmann ficou impressionado, pois nunca nenhum colaborador da empresa tinha pedido mais serviço a ele – eu comecei a pedir o que podia fazer mais, já que só a afiação das serras não ocupava todo o meu tempo”, ri Divino. “Com humildade, perguntava para os colegas se queriam ajuda, e acabei ficando um cara conhecido na fábrica – na época em que passou o contrato de experiência, fui contratado”, relata.

Logo, Divino estaria também afiando as navalhas da linha de retífica. Em seguida, o pessoal de Porto Alegre trouxe para Gravataí a Divisão de Mecânica (mais conhecida como DEMEC), e Divino estava prestes a receber uma promoção, que havia até sido anunciada em reunião. “Mas o Collor assumiu e congelou todo o dinheiro. Podia batalhar para promovido mas ficar na berlinda devido à crise, ou ficar na mesma posição em que estava, mas seguro do meu emprego. Escolhi a segurança”, diz.

Divino também lembra dos desafios de produção que eram lançados naquele tempo. “O Nabinger aparecia com uma meta de produção pra gente forjar uma quantidade ‘x’ de peças e lançava aquilo como um desafio. Aquele pessoal fazia milagre, todo mundo se esforçava demais! E depois, como recompensa, tínhamos os famosos churrascos de quebra de recorde. Era muito bom”, recorda.

Outra característica que ele ressalta na turma da Forjaria e Matrizaria é a parceria entre colegas – nas horas boas e ruins. “Se alguém estava com algum problema, logo chegava nos ouvidos de todos para que pudéssemos nos mobilizar e ajudar. Fazer uma rifa, comprar um rancho, ajudar alguém que estava com problema de saúde… O importante era estarmos unidos em torno de uma causa”, diz.

E as brincadeiras também aconteciam bastante, especialmente entre uma turma tão unida. Divino já tinha máquina fotográfica e, numa determinada data, fez uma foto de grupo com toda a turma que fazia parte de um setor – menos um dos funcionários, o Batista, que não compareceu naquele dia da fotografia. “O Batista pediu que eu tirasse um retrato dele individual, então, para depois ser colocado na foto. Combinei com os colegas que subissem numa sacada que ficava em cima do relógio-ponto e, claro, fiz o sinal pro pessoal largar os baldes. Bati duas fotos: uma da água caindo na cabeça dele, outra dele me xingando”, conta, aos risos.

O desafio seguinte da carreira de Divino foi trabalhar com retífica, já que a Matrizaria havia adquirido uma máquina que precisava de peças retificadas. “Como afiação e retífica são coisas afins, encarei esta e fui passar uma semana em Porto Alegre para aprender bem a função”, explica. Quando chegou a máquina nova, Divino trouxe algumas fotos do equipamento que operava na Wotam antes de entrar na Dana. “Perguntaram-me, então, se eu era quem havia tirado aquelas fotos, e se tinha equipamento fotográfico. Diante da resposta afirmativa, pediram para que eu levasse o equipamento pra a empresa no dia seguinte”, diz. Divino não suspeitava, mas ali iniciaria mais uma longa parceria sua com a empresa.

Ele conta que, de início, trabalhava em troca de filmes fotográficos (outros tempos…) e, assim, ele ia ficando conhecido na fábrica como fotógrafo. “Até que um dia, o Paulo César Oliveira, que era gerente de Recursos Humanos, me disse que eu podia investir num equipamento bacana pois, daquele dia em diante, seria fornecedor da Dana para fotografia”, afirma. A esposa de Divino, Rejane, estava insatisfeita com o trabalho de professora, e a família começou a cogitar esta alternativa de trabalho. O resultado: hoje, eles trabalham juntos na Dino Produções, que faz vídeo, fotografia e também eventos.

Inicialmente, eles filmavam e fotografavam as visitas que a fábrica de Gravataí recebia e, depois, também eventos internos, como a comemoração dos aniversariantes. Desde 1992, quando abriram a Dino Produções, seguem firmes no fornecimento para a Dana. Em 1998, Divino pediu sua aposentadoria e, somente em 2008, saiu de dentro da fábrica para assumir de vez o lado de fotógrafo.

Sobre seus tempos de Dana, é taxativo ao dizer que tudo valeu à pena. “Desde quando eu entrei na Dana, percebi que a empresa era boa e decidi que era nela que eu ia me aposentar. Eu acreditei nisso, me esforcei e, depois de passar muita dificuldade, consegui”, conclui.

Divino é casado com Rejane há 34 anos e é pai de Charles e Enzo, e avô da pequena Isabela, de 6 anos, o xodó da família. Para seu (raro) tempo livre, gosta muito de ler, ouvir música, ver televisão e viajar.

Divino Buratto

“Desde quando eu entrei na Dana, percebi que a empresa era  boa e decidi que era nela que eu ia me aposentar. Eu acreditei nisso, me esforcei e consegui”.