Derci Luiz

Valim

De riso fácil, Derci lembra de muitas histórias dos seus 41 anos de Dana e afirma que, se pudesse, estava lá até agora tamanha paixão pela trajetória profissional e pelos muitos momentos bons que viveu na empresa.

Derci começou a trabalhar na empresa em 11 de janeiro de 1973 e, desde então, mantém a energia jovial e o mesmo hábito de acordar às 5h30min da manhã (mesmo tendo se aposentado em 2014). Antes de entrar na antiga Albarus, ele havia trabalhado na Ziv Hércules e também em algumas obras. “Quando eu casei, saí da Zivi e fiquei um tempo desempregado, então fui bater na Albarus”, disse. Ele lembra que, devido ao desemprego, tinha emagrecido e o recrutador informou que só havia vaga na Forjaria – Derci sentiu ali que o funcionário da Albarus achou que ele não “aguentava o tranco” que era o trabalho pesado daquele setor.

Quando Derci estava saindo da empresa, o recrutador chamou-o novamente: reconheceu o jovem de um trabalho que tinha feito numa obra de construção civil da empresa anos antes, em 1968. “Ele me disse que tinha um serviço, então, mas que era bem difícil. Levaram-me pra conhecer a Forjaria com o Helmuth Baumgarten que era o chefe da época, e me assustei mas pensei ‘se esses homens estão trabalhando aqui, eu também vou conseguir’. Pior do que eu estava, não ia ficar e falei que encarava”, conta, aos risos. O que Derci nem imaginava era que só sairia da Forjaria 42 anos depois, no dia 14 de outubro de 2014, para se aposentar e à pedido da família – se fosse pela vontade, ele ainda estaria lá.

Derci tinha 23 anos e começou trabalhando na Forjaria num tempo em que o forjamento era à martelo e havia uma fábrica muito mais rudimentar do que era hoje. “As coisas aconteciam, como a gente mesmo dizia, na base da ‘mão grande’, e isso acabou tornando o pessoal daquela fábrica muito unido, muito amigo porque era um trabalho difícil – mas bastante recompensador”, avalia. Derci trabalhou 6 meses como Forneiro e, depois, atuou como Marteleiro. “Durante toda a minha carreira, trabalhei como Forneiro e Marteleiro na empresa, e muito feliz”, resume.

Deste seu começo na Albarus, Derci lembra de uma história emocionante que envolve o também veterano Helmuth Baumgarten, seu chefe na época. “Eu não tinha 3 meses de empresa ainda, portanto, não tinha direito a ganhar os tickets de compras de supermercado que a Albarus dava pros funcionários. Meu sogro marcou de vir me visitar e eu não tinha nada pra oferecer pra ele. Sabe o que é nada? Nada mesmo. Não sei como, a conversa chegou nos ouvidos do Helmuth, que conseguiu um talão de tickets no RH e trouxe para mim. Até hoje, essa história me engasga e me emociona muito. Quando meu sogro chegou, deixamos todas as portas dos móveis da cozinha abertos pra ele ver como tínhamos fartura. Foi muita alegria”, recorda.

Derci conta que a fábrica da Forjaria era de chão batido naquele início e que acha graça ao ver o pessoal reclamando da fábrica como é hoje em dia: “parece uma padaria de tão limpa, tudo bem sinalizado, colorido!”, brinca ele, que tinha o apelido de “Véio” no final da carreira. “Isso porque a gurizada nova pegava no meu pé, mas vinha se aconselhar comigo bastante”, diz.

Depois destes primeiros anos, Derci foi transferido para o Terceiro Turno, horário em que trabalhou por 20 anos. “Não que eu amasse trabalhar no turno da noite, é que eu fazia qualquer coisa pra evitar o Segundo Turno”, ri. Derci aposentou-se em 1996, e seu plano era trabalhar na Dana até 1997. “Mas o Harro Burmann não me deixou – ele sempre gostou muito de mim e achava que a empresa não podia perder a experiência dos funcionários mais antigos. E acabei ficando até 2014 na empresa”, afirma Derci.

Derci decidiu sair por vontade própria, porque queria curtir a família, mas sente saudades de todos os anos de fábrica e das muitas amizades que deixou na empresa. “Foram anos de compreensão, união e bom serviço. Saí de lá de cabeça erguida e, se quisesse, acho que estava lá até hoje. Eu praticamente morava dentro da Dana e agradeço à empresa por tudo. Quando eu saí, fizeram uma homenagem pra mim e o Taffarel disse que não sabia o que dizer porque, se dependesse dele, eu ficava ali pro resto da minha vida. Isso, pra mim, vale mais do que ouro”, resume.

Casado com Luiza Beatris Estevam Valim desde 1971, os dois tem uma filha, Marilene, que lhe deu um neto, João Vitor, de 13 anos, que acompanhou toda a entrevista ao lado dos avós. E qual o segredo deste casamento tão longo? “Hoje eu vejo que as pessoas não se aturam – num relacionamento, tem que ter amor, companheirismo e saber relevar o que não é tão fácil assim. A vida é pra ver vivida e pra ser boa”, resume, sorridente.

Derci Luiz Valim

“Foram anos de compreensão, união e bom serviço. Saí de lá de cabeça erguida e, se quisesse, acho que estava lá até hoje. Eu praticamente morava dentro da Dana e agradeço à empresa por tudo.”