Claudio

Donizeti Destro

Aposentado há apenas 10 meses e cheio de energia, Claudio não vê a hora de colocar sua experiência e aprendizado a serviço de outras empresas.

Dentro da escola do Senai o sonho de todo garoto é conseguir uma vaga na indústria ao término do curso. Com Claudio Donizeti Destro não foi diferente. Recém-formado em mecânica geral, o jovem de apenas 17 anos almejava trabalhar em uma grande empresa. A oportunidade não demorou a bater à sua porta e no início de 1985 conseguiu sua primeira colocação no mercado de trabalho como aprendiz em uma das maiores forjarias do país, cuja parte das operações foi adquirida pela Dana em 2017. “Fiquei um ano no centro de treinamento atuando como ferramenteiro de bancada e conheci várias etapas do processo de produção que não tinha visto no Senai. Foi um período importante para complementar a minha formação”, recorda.

Ao término do contrato, Claudio foi efetivado na área de metrologia trabalhando com traçados de forjados, uma espécie de inspeção de qualidade feita durante o processo de forjamento. O que ele não sabia naquela época é que a gestão da qualidade iria permear seu futuro profissional.

A primeira promoção chegou rapidamente, após 10 meses na vaga. “Era 1986 e um engenheiro que eu já conhecia, o Denival Forte, me chamou para trabalhar na engenharia da qualidade fazendo o controle estatístico da produção, uma nova exigência da Ford”, conta. Foi nesse período que Claudio conheceu os meandros da certificação ISO e adentrou no universo das normas regulatórias e padronização dos sistemas de trabalho. O desafio era grande, mas facilmente implantado porque a empresa já possuía uma cultura voltada para a qualidade, ou seja, o que os funcionários já faziam era para fazer melhor. “Eu adorava receber novas solicitações dos clientes porque essas mudanças faziam a gente progredir, buscar soluções para os problemas e superar as dificuldades. Quando você acha que não precisa melhorar, está fadado a morrer”, destaca. Inclusive, a obstinação da empresa na busca pela eficiência foi o que fez Claudio ficar tanto tempo por lá. Ele comenta que um processo novo exigido por um cliente era imediatamente implantado em todas as áreas da empresa, independentemente de qual montadora havia feito a exigência. Isso fazia com que o trabalho fosse sempre dinâmico, resultando em um processo de melhoria contínua.

Passados sete anos, Claudio foi desligado da empresa após seu departamento ser extinto em um processo de fusão. O destino, porém, fez com que ele retornasse depois de um breve período em outra companhia. “Um dia, atravessando a rua no horário de almoço encontrei por acaso um antigo colega de trabalho e pedi para ele ficar de olho caso abrisse alguma vaga por lá. Um dia recebo uma ligação me convidando para trabalhar na auditoria da qualidade. Aceitei e no dia 2 de fevereiro de 1995 voltei a integrar o quadro de funcionários”, diz.

Com o mercado automobilístico extremamente aquecido, a nova temporada começou repleta de demandas e Claudio lembra com carinho dos ensinamentos do parceiro de trabalho Vamberto Coradi. “Foi um grande professor. Sempre paciente, me ensinou tudo o que eu precisava saber para exercer a minha profissão com perfeição”.

Mais sete anos e Claudio é convidado para o cargo de analista da qualidade na engenharia de produto, sendo responsável pelas amostras iniciais e produtos modificados. Na prática, era ele quem fornecia o certificado de nascimento das novas peças, atestando a qualidade dos processos de produção e atuando no desenvolvimento do produto junto com as unidades de forjaria e usinagem e na aprovação do projeto diretamente nas montadoras. “Nessa fase o que mais pesa é cronograma. Quando ganhamos uma concorrência é porque temos um produto de qualidade produzido no menor prazo possível, então não podemos errar. Tudo precisa ser feito para dar certo na primeira vez”, afirma.

Com um novo processo de fusão à vista, Claudio ficou apreensivo com a possibilidade de uma nova demissão, mas dessa vez o processo transcorreu de forma bem tranquila. “Toda mudança causa insegurança na equipe de trabalho, principalmente porque a maioria queria ir para a Dana e a gente sabia que nem todos seriam escolhidos. Por fim, fui agraciado com essa possibilidade e tudo se desenvolveu de forma natural com a diretoria comunicando os clientes e cuidando dos acertos jurídicos.”

Aposentado há apenas 10 meses, Claudio está animado para retomar as atividades de trabalho prontamente. “Quem trabalhou a vida inteira não consegue ficar parado. Logo após a aposentadoria, fui cuidar da saúde, mas agora estou pronto e cheio de energia para recomeçar.” Casado há 28 anos com a Fernanda e pai de dois filhos, a Maria Fernanda e o Danilo, Claudio procura manter-se atualizado sobre as novidades da sua área de atuação e nos dias livres faz alguns trabalhos de voluntariado. Tem muito orgulho dos rumos da sua carreira profissional e é extremamente agradecido por tudo o que conquistou nesses 32 anos de atividades na empresa, principalmente os últimos anos passados dentro da Dana. “É uma empresa diferenciada. Jamais fez qualquer distinção entre os funcionários antigos e os recém-chegados com as aquisições do grupo, além de considerar todos os nossos anos de casa e fornecer os benefícios desse período, inclusive as premiações em dinheiro. Qual é a empresa que faz isso?”, questiona.

A experiência adquirida na Dana será útil para os novos projetos do profissional, uma vez que muitas empresas ainda têm resistência na implantação dos processos de qualidade. “A gente que saiu de uma empresa organizada quando ouve isso fica desesperado. Se elas soubessem a diferença que faz na produtividade e na satisfação dos funcionários e dos clientes não hesitariam um segundo”, acredita. Para ele, o importante é estar na ativa, sentir-se útil e continuar contribuindo para o crescimento de empresas por muitos e muitos anos.

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“Eu adorava receber novas solicitações dos clientes porque essas mudanças faziam a gente progredir, buscar soluções para os problemas e superar as dificuldades. Quando você acha que não precisa melhorar, está fadado a morrer.”