Charles

Fuersternau

De 1976 a 2011, o engenheiro Charles Fuersternau dedicou-se com paixão ao seu trabalho na Albarus e, depois, na Dana. Ele contribuiu em muitos projetos e atuou em diversas divisões da empresa, sempre com a mesma dedicação e paixão pelo trabalho que desenvolvia.

Charles nasceu em Sinimbu, cidade do interior do Rio Grande do Sul, e formou-se em Engenharia Mecânica pela PUC em 1972. Ouviu falar da Albarus pela primeira vez dentro da universidade, por comentários dos seus colegas. “Eu tinha um colega, o Roberto Carlos Reinhardt, que trabalhava na Divisão de Juntas Homocinéticas, e me indicou para fazer uma entrevista com o Edgar Albarus que, na época, era o chefe de departamento de Métodos e Processos”, conta.

O ano era 1976, e a Junta Homocinética estava sendo fabricada á todo vapor, era um produto de muito sucesso para a empresa no Brasil. “Eu me encaixei bem neste cenário porque, além de ser engenheiro, falava inglês e alemão e, atuando na Albarus, aprendi muito neste sentido também”, afirma.

Charles foi contratado como chefe de departamento, e lembra que a empresa era muito focada em treinamento e melhorias já nesta época, o que era até incomum para aqueles tempos. Na época, já pela Divisão de Juntas Homocinéticas, Charles viajou para a Europa a fim de conhecer as fábricas europeias cujos processos interessavam à empresa. “Depois, as viagens se tornariam mais frequentes, mas nunca esqueço que o gerente na época era o Victor Pinto Vieira e ele me deu a oportunidade de fazer esta viagem, convidado por um fabricante de ferramentas em 1978 para irmos à Suécia, França e Alemanha”, conta. Na época, ele já era casado com Fani e tinha duas filhas pequenas – um bebê de um ano e outro de um mês de idade – e ela ficou com as duas pequenas durante todo o mês de viagem de Charles. “Eram oportunidades, e a gente sabia que tinha que aproveitá-las”, explica.

O trabalho era intenso e Charles diz que se dedicava ao máximo para a empresa. “Na minha opinião, o treinamento é muito importante e tenho uma infinidade de certificados desta época. Tive participação nos Círculos de Controle de Qualidade, que começaram em 1982, uma iniciativa muito bacana para a empresa, foi a descoberta dos japoneses”, conta. Charles também tem uma recordação bastante valiosa: ele relata que o fornecimento da junta homocinética para o Corcel começou através da reposição em 77, porque a Ford tinha uma certa resistência de início com o produto. No mesmo ano, a Albarus já estava fornecendo a junta homocinética para a Fiat.

Isso marcou, para Charles, uma época de expansões dentro da companhia. “Na época, a GKN, que era a detentora da tecnologia, soltava as novidades muito no estilo ‘conta-gotas’, aos poucos porque, na verdade, a Dana e a GKN eram concorrentes”, explica. “A Volkswagen sempre produziu suas próprias juntas homocinéticas – inclusive para o Passat – mas, quando veio para o Brasil, se deparou com o fato da Dana ser a detentora da patente deste produto. Disso resultou uma joint venture da Dana com a GKN, então foi o Passat que deu origem a esta parceria”, relata.

Em 1984, Charles acabou saindo da empresa para trabalhar em São Leopoldo, mas em 1985, estava de volta à Dana. Na época, a empresa estava focada em criar uma área de Engenharia Avançada, capitaneada por Edgar Albarus, gerente de engenharia da época. “O departamento ia se dedicar ao desenvolvimento de novos produtos, uma iniciativa arrojada para a época”, afirma. Charles foi trabalhar nisso, e lembra que a empresa queria dar bastante atenção à área de testes, tecnologia embarcada e aquisição de dados de automóveis..

Em 1988, a Divisão de Juntas Homocinéticas virou a Albarus Transmissões Homocinéticas, e Charles foi promovido a Gerente de Produto. “A partir daí, as questões tecnológicas começaram a fluir de um jeito muito melhor, as evoluções que a GKN tinha nos ajudaram bastante”, avalia. Em 1992, Charles viajou para a Alemanha, onde ficou por um ano no Centro Tecnológico da GKN junto com Paulo Regner. “Minhas duas filhas eram pré-adolescentes e, para elas, foi uma época muito interessante”, relata. Charles diz que estar no Centro de Desenvolvimento Tecnológico da GKN era uma oportunidade única mas ele diz que ainda sentia alguma resistência dos alemães quanto a falar do produto. Logo depois, acontecia a separação entre a Dana e a GKN. “As coisas se consolidaram na dicotomia internacional entre a Dana e a GKN, e houve então esta separação”, explica.

Antes desta separação, Charles lembra que existia a ATH-A, que era a divisão Argentina da fárica e a ATH-C, divisão colombiana de juntas homocinéticas também. “Isso rendia muitas viagens para troca de tecnologias, aprendizado, mas tudo com um limite bem preciso dentro da transferência de know-how”, esclarece.

Charles conta que trabalhar com Paulo Regner era um privilégio, pois ele trouxe muitas inovações para a empresa, como a Forjaria de Precisão e a Divisão de Eixos, em Charqueadas. “Ali, começamos com os eixos tubulares, que marcariam época dentro da Volkswagen”, diz. Em 1995, a separação das duas empresas foi amadurecendo, até culminar na divisão total, em 1999. Nessa época, Charles, que ficou na GKN, foi promovido à Gerente de Qualidade, função que exerceu por cinco anos. “Pra mim, ficar na GKN foi uma coisa quase automática, porque tinha muito expertise em junta homocinética – senti a separação do time que havia na ATH, que foi aquela fase de passagem da Dana para GKN”, afirma.

Charles ficou na GKN até 2011, participando de muitas mudanças marcantes da empresa: o Promecon, o Kanban e Kaizen, o Controle Ambiental, a consolidação das mini-fábricas, a preocupação com limpeza e organização da fábrica… “Tudo isso, e também a pintura dos pisos, eliminação das bandejas das máquinas…. Tudo isso eram tendências que ainda vinham da Dana”, afirma.

Hoje, Charles gosta de ficar em casa, cozinhar, viajar e ficar com a esposa Fani, além de curtir as flhas Marta Cristina e Úrsula Gabriela, além dos dois netos Matheus e Amanda. “Olhar pra todos estes anos de trabalho é muito bom, porque trabalhei com a junta homocinética, um produto que marcou época. Sinto-me grato de ter participado de tudo isso, foi um diferencial de afirmação dentro do mercado nacional, onde a Dana sempre foi expoente, e esse produto ainda hoje é extremamente confiável”, conclui.

Charles Fuersternau

“Olhar pra todos estes anos de trabalho é muito bom, porque trabalhei com a junta homocinética, um produto que marcou época. Sinto-me grato de ter participado de tudo isso, foi um diferencial de afirmação dentro do mercado nacional, onde a Dana sempre foi expoente, e esse produto ainda hoje é extremamente confiável”.