Cenira

da Silva Silveira

Uma pessoa extremamente simples que tratava seu trabalho com muita seriedade, Cenira da Silva Silveira fez história na Sul Brasileira e na Dana trabalhando na Pesagem da Divisão de Elastômeros e tornou-se uma verdadeira autoridade no assunto.

Ela diz que começou a trabalhar na Sul-Brasileira em 1974, quando seu marido, Aristides, avisou que havia vaga por lá. “Meu marido trabalhava numa fábrica de pentes que ficava no bairro Sharlau, aqui em São Leopoldo, e ficou sabendo que havia vagas na Sul-Brasileira, que ficava ao lado”, relata. Na época, o casal estava com 4 filhos pequenos e Cenira cuidava deles em casa, mas eles precisavam aumentar sua renda mensal de qualquer forma. Ela arriscou: num sábado, foi disputar vaga com 500 pessoas. Num ato de ousadia, ela viu o pessoal do RH da empresa em frente à toda essa gente e jogou sua carteira de trabalho na direção deles. “Vi que nunca ia chegar perto deles de tanta gente que estava buscando vagas e, por sorte, eles me chamaram pra fazer a entrevista”, comemora.

Cenira já havia trabalhado com pesagem de produtos químicos quando era solteira, e isso contou pontos a seu favor na Sul Brasileira. “Achei que não ia dar em nada minha entrevista, mas meu marido disse que tinha certeza que ia dar certo – e assim foi: logo fui chamada a comparecer na empresa”, diz. Ela disse que iniciou lá no dia 6 de março de 1974 e deixou os filhos na casa de diferentes vizinhos, que cuidaram das crianças. “No primeiro dia, já fiz horas extras: fiquei até as 20h trabalhando direto na pesagem de produtos químicos pois a empresa tinha que botar esse serviço em dia. Pra mim, isso era bom pois precisava muito daquele dinheiro”, conta.

Logo, Cenira estava adaptada à empresa e feliz por estar de volta ao mercado de trabalho. Foi contratada como Auxiliar de Produção e trabalhava no turno do dia. Os filhos mais velhos iam pra escola e ficavam em casa e a filha menor ficava na vizinha. “Um dia, entraram na minha casa e roubaram tudo, fizeram uma limpa – fiquei tão abalada que pedi pra sair da empresa. Ainda bem que me convenceram a ficar trabalhando – e a empresa me ajudou muito nessa época com doações de roupas e utensílios para que nossa família se reerguesse”, conta, emocionada.

Durante 6 anos, Cenira trabalhou em São Leopoldo – a empresa foi comprada pela Albarus 6 meses depois dela ser contratada mas, em 1980, a fábrica estava de mudança marcada para Gravataí. “Nem pensei em desistir de trabalhar na Albarus, eu já amava a empresa e ela era muito boa pra mim, então encarei a distância. Durante os primeiros 5 anos, a empresa forneceu ônibus para as pessoas de São Leopoldo que quisessem continuar em Gravataí e, depois disso, nos organizamos em caronas solidárias”, explica.

Em Gravataí, Cenira virou autoridade dentro da Divisão de Elastômeros, como era chamada a fábrica de derivados da borracha e, com o tempo, acabou virando também “mãezona” dos colegas mais jovens que iam entrando na empresa. “O pessoal pedia conselhos profissionais, pessoais, acabei ficando conhecida dentro da empresa e acho que era porque era uma das funcionárias mais antigas e acabei ficando conhecida por isso”, diz. Ela tem muito carinho pelo então gerente da Divisão de Elastômeros, Vicente Motta (hoje, também Veterano da empresa). “O Motta não deixava cair nenhuma poeirinha em mim, sempre gostou do meu trabalho e da seriedade com que eu encarava a empresa e me respeitava demais”, afirma, emocionada. “Nunca pensei que alguém de cargo mais alto tivesse tanta consideração e carinho por mim, ele era uma pessoa muito humana”, diz.

Um outro momento que marcou Cenira foi quando a Dana conquistou a conta da Fiat. “O Benedito Santoro chamou eu e um outro colega da Injetora para assinar o contrato junto com eles, foi uma grande honra e um momento emocionante demais, me senti prestigiada”, relata.

Em Gravataí, Cenira permaneceu durante 33 anos trabalhando no mesmo setor – somados aos 6 anos de São Leopoldo, ela totaliza 39 anos de Dana. “Quando entrei na empresa, jamais imaginei que passaria 39 anos da minha vida ali dentro. Sou muito grata à companhia e tudo o que tenho devo à ela, inclusive os muitos amigos, que me telefonam sempre pra saber notícias da família. Sempre tive bom relacionamento com meus colegas e isso também é uma das riquezas que a Albarus me deixou”, conclui.

Cenira conta com muito orgulho que a maior conquista do seu trabalho na Albarus não foi para ela nem para o marido: com alegria, ela mostra as fotografias dos seus filhos, todos formados na universidade. “Não foi fácil, mas sinto muito orgulho de todos terem estudado”, emociona-se. Ela se aposentou em 2009, mas conta que, até hoje, sonha que está trabalhando na empresa.

Casada com Aristides Corrêa da Silveira há 55 anos, ela adora ir aos encontros dos veteranos da empresa com a amiga Elke Brecht. Ela é mãe de Altemir, Adroaldo, Marinês e Cristina, e avó de Débora, Jéssica, Pedro, Felipe, Rodrigo, Taís, Cindy, Gustavo e Dylan. Ela tem 3 bisnetos: Rafael, Ícaro e Miguel. Ela gosta de passear com a família e reunir todos em casa. Aposentada há 17 anos, ela diz que não pode nem olhar os bilhetes que o pessoal lhe deu de presente quando se aposentou. “Começo a chorar, tenho muito carinho por esses quase 40 anos de empresa e pelos amigos que fiz lá”, afirma.

Cenira da Silva Silveira

“Quando lembro da Dana, confesso que começo a chorar, tenho muito carinho por esses quase 40 anos de empresa e pelos amigos que fiz lá”.

Cenira da Silva Silveira