Caubi Manoel

Luiz

Com emoção e respeito, Caubi Manoel Luis relembrou todos os 28 anos de dedicação à Albarus, onde começou sua carreira como caldeireiro. Entre um “causo” e outro, não fez questão de conter as lágrimas em agradecimento à empresa onde trabalhou a maior parte da sua vida.

Caldeireiro formado pelo SENAI, Caubi já havia trabalhado neste cargo na Metalúrgica Fallgater durante quatro meses e também na Metalúrgica Staiger, por mais dois anos. Um dos colegas da Staiger, que era desenhista, saíra da empresa para trabalhar na Albarus em 1962, e comentou que era uma empresa muito boa. “Ele falou de mim por lá, e fui chamado para fazer um teste – havia uma vaga para mecânico de manutenção”, relembra Caubi. Ele passou no teste, pediu demissão da metalúrgica e começou sua carreira na Albarus.

Caubi diz que seus primeiros meses na Albarus foram repletos de novidades. “O tamanho da fábrica, o ruído do forjamento, o processo produtivo… Tudo era novo pra mim. Sempre fui muito aplicado no trabalho – já tinha cinco filhos na época – e não podia errar. Queria ser um operário exemplar”, afirma. Ele conta que o chefe da Manutenção Mecânica era Nereu Moura, o Encarregado era Pedro Alexandre, e tinha um ótimo relacionamento com eles e os colegas. E também trabalhou com Luis Carlos Oliveira. “Esse é uma das pessoas mais ilustres que já passou pela minha vida. Uma das melhores pessoas que conheci, considero um ser humano exemplar”, emociona-se.

Caubi ainda cita outros colegas que marcaram sua trajetória: Diogo Haro, Cláudio “Coxinha” Vasconcellos, Valdoci Nogueira, Alceu Albuquerque, Wolff Zwick e até José Carlos Bohrer, que foi presidente da companhia durante muitos anos. “Eu tinha certeza de que ele tinha simpatia por mim, sempre foi muito cordial”, explica. Caubi ainda relata que, antes de entrar na Albarus, já havia conhecido duas figuras-chave da empresa: Edgar Albarus e Johann Wolfgang Limbacher. “O Limbacher conheci quando era estagiário na Staiger – ele estava iniciando sua carreira na indústria e, como eu já era caldeireiro profissional, ensinei o que sabia para ele”, afirma.

Entre as situações mais prazeirosas e desafiadoras que Caubi enfrentou na Albarus, cita o lançamento da Trizeta, peça que fica na extremidade do semi-eixo e conecta-se ao câmbio do automóvel. “Na época, fomos pioneiros no lançamento desta peça no Brasil, e lembro de eu e o Volmir Montemaior fresarmos as primeiras 200 amostras numa máquina à manivela, medindo as peças uma a uma – a medida era de 15 milésimos, lembro até hoje – e a fresadora era da Tos”, recorda. Ele fala que a trizeta era uma “coisa linda de se ver”, cheia de ângulos internos, furos e inclinação. “Tínhamos que fresar a peça e, à medida que fazíamos um tópico, o desenhista técnico redesenhava as peças para adaptá-las à perfeição. Ela foi e voltou para os desenhistas inúmeras vezes, até ficar pronta definitivamente, pronta para conquistar o mercado”, diz, “dentro da minha pouca escolaridade técnica, foi uma grande conquista”.

Caubi trabalhou 21 anos como fresador e, por isso, passou a ser referência no assunto dentro da empresa. “Qualquer problema de qualidade neste setor, passava por mim, mesmo que informalmente”, relata. Tanto que, quando chegou perto da aposentadoria, em 1979, Caubi foi convidado a voltar a trabalhar na empresa como terceirizado, cargo que ocupou por mais 11 anos de sua vida. “Acho que gostavam do meu estilo porque era sério – a fábrica não era ambiente de brincadeiras – e comprometido. Eu amava trabalhar, e dei o meu melhor pela Albarus”, resume.

Ele é casado com Herna, com quem mora em Porto Alegre, há 62 anos, e eles tem cinco filhos: Levi, Edi, Davi, Neide e Eden. Os quatro primeiros também trabalharam na Albarus – dois, inclusive, também figuram na lista de veteranos da empresa, com mais de 25 anos de casa. Herna e Caubi tem 14 netos e 16 bisnetos, e a alegria deles é reunir toda a família. Emocionado, conta que nasceu em Morro dos Conventos, no litoral sul, e passou muita necessidade quando era criança. “Passei fome extrema, fome de desmaiar”, conta, “por isso, me considero um privilegiado nesta vida. Criei minha família com dignidade, e eu sou o xodó deles, que me amam demais. Esta é a riqueza que estou levando”, conclui.

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“Acho que gostavam do meu estilo porque era sério – a fábrica não era ambiente de brincadeiras – e comprometido. Eu amava trabalhar, e dei o meu melhor pela Albarus.”