Carlos

Caletti

Carlos Caletti lembra com precisão do dia em que começou a trabalhar na Albarus: 18 de janeiro de 1961. Ele tinha 23 anos, e estava vindo de Santo Antônio para buscar uma oportunidade de trabalho em Porto Alegre.

Recém casado, lembra que veio de lá já com a oportunidade garantida para trabalhar no setor de tornearia de capas e mancais, como ajudante de produção. “Meu irmão, Ricardo, trabalhava na Albarus também, e lembro que, no meu primeiro dia, fiquei na portaria esperando ele falar com o Lesco, que era chefe dele. Quando ele chegou na portaria, perguntou: ‘Quem é o Carlos Caletti?’, respondi que era eu, e ele me levou até a enfermaria, me apresentou ao enfermeiro Paulo, e disse: ‘Esse rapaz vai trabalhar comigo lá na fábrica’. Foi assim que foi minha entrevista de emprego na Albarus”, relembra, sorrindo. Nenhuma ficha preenchida, nada. “Com o Ensino Fundamental, hoje, eu não conseguiria nem fazer faxina… Para você ver como era tudo muito mais simples naquela época. Dois dias depois, sem nenhum teste nem entrevista, comecei a trabalhar”, conta Caletti.

A sua trajetória começou na tornearia de capas e mancais, e seu chefe era o Diogo. Durante cinco anos, ficou nesta função, até que, na linha de montagem de cruzetas, conhecida por ser uma linha composta quase que exclusivamente por funcionárias do sexo feminino, surgiu uma oportunidade para ele. E o desafio seria grande: inicialmente, Caletti seria treinado para chefiar a equipe de mulheres que montavam cruzetas. “A novidade era dupla: teria que aprender muito bem o processo e também saber como chefiar um time – e uma equipe que não me conhecia. Confesso que senti receio, sim, mas não podia simplesmente me acomodar onde já estava, queria aprender e agregar à empresa”, relata. O encarregado da época teve que sair da empresa e ele sabia que não seria sem alguma tensão que a transição ocorreria. “Quando o chefe saiu, uma moça chamada Matilde acabou ficando como encarregada do trabalho da equipe – e recebeu a ordem para me treinar em todos os setores da cruzeta, sem saber que eu seria o chefe daquele departamento. Claro que ela não ficou muito satisfeita quando isso aconteceu, mas fazer o quê?”, lembra.

Depois de três meses de trabalho e treinamento, aprendendo a montar roletes, um trabalho muito minucioso, e Caletti já ia sendo treinado para trocar as linhas, os setups das máquinas, de acordo com os pedidos de clientes e com a rapidez necessária…. No final, deu tudo certo e ele assumiu esta nova posição. Na época, a Dana fornecia pra GM, a Ford, a Volkswagen de São Paulo.

Entre as recordações marcantes, Caletti lembra de uma bem especial desta época: deixou de usar o macacão dos operadores de máquina para usar a blusa azul dos encarregados, um grande passo para ele. Outra informação: naquela época, a fábrica tinha apenas um turno: das 7h ao 12h e depois das 13h às 18h. “Era bem menos gente trabalhando nessa época da Albarus na rua Joaquim Silveira – por isso, tive uma grande surpresa quando o Dr. Moura Valle me promoveu como encarregado, com um aumento de R$ 30”, ri ele. Agora, como encarregado da produção, sua responsabilidade era muito maior.

Todos os dias, ele somava as peças que tinham sido produzidas e conferia se tudo tinha dado certo – sua linha era a última antes das peças serem entregas aos clientes. “O controle era manual – usávamos quadros com giz, cadernos para anotar – mas dava tudo certo. Deu tão certo que durou 18 anos”, recorda.

E chegava a hora de mais uma mudança na sua vida – a mudança da fábrica de Porto Alegre para Gravataí. O ano? 1979. “A mudança foi pra fábrica crescer – tanto que, quando me aposentei, percebi a dimensão que a empresa tinha alcançado”. A Forjaria mudou-se para Gravataí, a fábrica de elastômeros e borracha iriam em seguida… Mas, naqueles tempos, “era só mato lá”, ele conta. Muito trabalho depois, a fábrica foi tomando a cara que tem hoje. Aos poucos, as outras fábricas também foram para lá: cruzetas, cardans e eixos, a Forjaria, a fábrica de retentores que era em São Leopoldo… Seu superior era o engenheiro Domingos Miotti, e Caletti foi promovido à Chefe, nesta época, um cargo acima do Contramestre. “Tenho até hoje a memória de quando saí no Boletim, que ficava nos murais naquela época, me senti muito reconhecido”, lembra.

Em 1990, ele aposentou-se. Chegou a ser chamado para ajudar a treinar algumas pessoas em relação à função que exerceu tão bem, mas sabia que sua época na Albarus tinha acabado. Ao todo, foram 33 anos de trabalho árduo. “Fazem 20 anos que saí de lá, gosto muito de ir aos encontros trimestrais dos jubilados, tenho ótimas amizades com o Rozman, o Goron, o Miotti, o Perlott, o Erni…”

Hoje, ele gosta de pescar, jogar bocha, aproveitar a família com Vergelina, sua esposa, com quem é casado há 53 anos. Tem três filhos, Aírton, Celso e o Flávio (já falecido),e quatro netinhos: Vinícius, Bruna, Tiago e Sharon. Gosta de passar a maioria do tempo com eles todos, e adora plantar frutas e cuidar da horta enorme que tem em frente de casa. Dos tempos de Dana, ele fala: “tudo valeu a pena, e sinto que deixei meu nome gravado pelo menos em um pouco da história da empresa, o que me deixa muito grato. Fiz muitos amigos durante meu tempo lá e essa alegria não tem preço”, finaliza.

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Tudo valeu a pena, e sinto que deixei meu nome gravado pelo menos em um pouco da história da empresa, o que me deixa muito grato. Fiz muitos amigos durante meu tempo lá e essa alegria não tem preço