Byron Cláudio

Matissek

Um dos jubilados mais conhecidos da empresa, Byron sempre foi considerado uma autoridade dentro da fábrica e conhecia como ninguém os processos produtivos da Dana, permanecendo por mais de 40 anos na empresa.

In Memoriam ✩ 23/09/1937 ✝ 4/8/2013

Nascido em Rivera, Uruguai, ele fez seu curso técnico de mecânico ainda por lá, antes da família vir ao Brasil para tentar uma vida melhor. Aos 15 anos, mudou-se para Porto Alegre com os pais, Emílio e Alda, onde começou a se aperfeiçoar na sua área de atuação, fazendo uma série de cursos técnicos e administrativos. Ainda bastante jovem, iniciou sua carreira profissional, trabalhando em diversas empresas da cidade antes de entrar na Albarus.

Sua trajetória na empresa iniciou em 24 de abril de 1957, quando foi admitido na empresa como Torneiro Mecânico. 2 anos depois disso, a empresa iniciaria sua produção de cardans, e Byron foi então promovido a Encarregado de Produção. Outro jubilado, José Domingos Miotti, trabalhou com Byron nessa época e lembra perfeitamente deste início de Albarus. “A fábrica estava ainda em instalação, não tinha os departamentos todos – o que havia era a produção, o almoxarifado, a manutenção e alguns escritórios, que ainda eram na parte antiga da construção, era um ‘ajuntamento’”, lembra ele. Miotti lembra da dedicação dos colegas – Byron já era conhecido pela sua alta produtividade e por saber liderar dentro da produção. “Estávamos começando mas em plena expansão – a fábrica funcionava, mas ainda se havia muito por fazer. Nessa época, a Albarus estava se mudando da rua Paraíba para a Joaquim Silveira, que era ainda de chão batido. Não era fácil para os caminhões que faziam a coleta e entrega da produção. Foi uma fase de muito trabalho e Byron foi essencial como colega e encarregado de produção”, conta.

Em 1960, Byron assumiu uma nova promoção, passando a Contra Mestre e assumindo ainda mais responsabilidades. Neste mesmo ano, ele casou-se com Luiza Maria, com quem teve 3 filhos: Henrique, Ana e Ivone. Henrique conversou conosco para falar sobre o pai que, mesmo depois de sair da empresa ainda considerava-se albariano. “Meu pai era um profissional extremamente dedicado à Dana, apaixonado pelo seu trabalho e também conhecido por ser exigente com quem trabalhava com ele – isso vinha da sua criação e também do fato de levar a Albarus muito à sério, como se o crescimento da empresa representasse o seu crescimento”, explica.

Em 1964, foi promovido a função de Mestre, quando ficou responsável pela linha de Usinagem do Cardan. Em 1968, passou a acumular a função anterior com a de responsável pela linha de Montagem do Cardan, tendo então sendo promovido a Mestre Geral. Ele trabalhou neste cargo até 1973. Em entrevista ao jornal O Pinhão na ocasião dos seus 25 anos de Albarus, Byron comentou: “estes eram os Anos Dourados da empresa, em que trabalhávamos muito num período de expansão da indústria automobilística brasileira – estávamos no lugar certo, na hora certa. E, por mais que nosso objetivo fosse produzir, a Albarus nunca deixou de acreditar que o colaborador é seu maior ativo e que, apesar das dificuldades para se empreender no Brasil, a empresa desejava prosperar para que pudéssemos todos juntos fazer o mesmo”, explicou na época.

Neste ano, a empresa convidou-o para viajar até a Alemanha. O motivo? Aprender tudo sobre o processo de fabricação da junta homocinética, produto que a empresa lançaria em breve – e com muito sucesso. Byron viajou, então, com um time de colegas – Gibrail Posenato, Edgar Bertschinger, Adroaldo Pereira, Fábio Jacques, Helmuth Domadilde e Luis Lauer e Wolfgang Johann Limbacher, que foram para Offenbach, que faz parte da região de Hessen, na Alemanha. Eles estabeleceram-se na empresa Lobro, onde fizeram um trabalharam e estudaram durante 6 meses, adquirindo muito conhecimento técnico para implantar a fabricação deste produto na Albarus.

De lá, a equipe visitava fábricas e enviava orientações e desenhos de maquinário – cada um foi para a Alemanha com uma missão diferente e o objetivo era montar uma fábrica que atendesse à demanda da fabricação de juntas homocinéticas. “Foi uma época de muita dedicação e não foi fácil pro meu pai deixar a família e os filhos pequenos no Brasil – sem dúvida, minha mãe teve um papel importante no sucesso deste projeto, digo sem rodeios”, afirma Henrique, filho de Byron.

Henrique Matissek também diz que o maior orgulho do pai foi ter trabalhado neste projeto. “Não é exagero dizer que foi o maior sonho de todos eles, a missão mais importante – ele ficou extremamente feliz quando a fábrica abriu”, relata. Depois de um período de testes, a novíssima fábrica de Juntas Homocinéticas (mais conhecida como DJH) foi inaugurada em 1972.

Ao fim desta viagem e do estágio, a equipe voltou ao Brasil e foi toda realocada para esta nova fábrica da empresa, e Byron foi promovido a Supervisor de Produção. Era daqueles colaboradores que não tinham hora pra chegar e nem hora pra sair da empresa e conviveu intensamente com os colegas, envolvendo-se em diversas atividades dentro e fora da Dana. Byron também trabalhou na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e como dirigente da Associação de Funcionários da Albarus Porto Alegre e também na Cooperativa de Crédito da Albarus – e jogava basquete com os colegas nas horas vagas.

“Lembro que, quando a empresa completou 35 anos, meu pai completou 25 anos de Albarus – isso mostra como a história dele e da Albarus e Dana se fundem. Eu me candidatei em 1986 para trabalhar na Albarus e ele fez questão de me dizer que não ia ter nada a ver com isso e que eu ia começar de baixo, como qualquer operário”, ri hoje o filho Henrique, bem-humorado. “Eu brinco contando isso mas a verdade é que essa informação diz muito sobre o caráter e postura profissional do meu pai”. No decorrer dos anos, Henrique trabalhou em diversos departamentos da Dana como Compras, Qualidade, Controle Estatístico de Processo e Manutenção – mas nunca diretamente com o pai.

Byron atuou durante os mais de 40 anos de Albarus em diversas fábricas e sempre chefiando os processos de Manufatura da empresa. Entre os colegas que o citaram como uma referência neste assunto nas entrevistas para o projeto Jubilados estão João Carlos Ramires, Paulo Nelson Regner, Sérgio Costa, Luis Carlos Ludmann, Sérgio Oliveira, Roberto Haro, Jorge Sanginetto e Alceu Albuquerque.

Depois que se aposentou, Byron seguiu trabalhando como Consultor na área de Produção – ele era uma verdadeira autoridade e conhecia os processos da Dana do começo ao fim.

Confira algumas declarações dos colegas que conviveram com ele na Albarus/Dana:

“Quando iniciei minha carreira dentro da Albarus, caí direto na Produção e posso dizer que trabalhei em 80% daquelas máquinas, inclusive o Martelo da Forjaria. Aí, começou um grande aprendizado. Estagiei sob a tutela do Byron Matissek orientando-me e aprendi muito com ele, um homem de postura admirável e um profissional dedicado”.

Eduardo Pichsenmeister

“Eu e o Byron trabalhamos muito juntos, já que sempre estivemos envolvidos com Manufatura. Dois gênios fortes e dois profissionais dedicados, não era à toa que batíamos de frente às vezes. Mas tudo no âmbito profissional e sem perder o bom coleguismo, afinal, dependíamos muito do trabalho um do outro e o nosso objetivo máximo era sempre o crescimento da empresa. Um profissional sério, extremamente competente e deixou uma grande marca na história da companhia”.

Paulo Nelson Regner

“Uma partida de futebol com os amigos foi o que me levou a trabalhar na Albarus – eu era apenas um guri quando comecei a trabalhar lá em 1963, ao lado de outros veteranos como Byron Matissek, José Domingos Miotti, Raimundo Castro e Wolf Zwick – um time de craques. Aprendi muito com o Byron, um chefe que liderava por exemplo, de forma bastante eficiente. Pra muitos de nós, ele era um paizão, uma figura de autoridade que nos guiava de forma firme mas empática”.

Guaracy Conceição

“Iniciei minha trajetória na empresa como Auxiliar de Fábrica, e meu chefe era Ataíde Lessa – o supervisor geral, naquela época, era Byron Matissek. Eu só tinha 23 anos, e o Byron me disse que, se a empresa fosse bem, tínhamos chances de crescer, também. Aprendi com ele a ‘vestir a camisa’ da Albarus de uma forma como hoje é difícil de se ver. Acreditávamos muito na empresa”.

Diocarino Nunes dos Santos

“Trabalhei com o Byron em diversos momentos da minha carreira desde 1978, quando comecei na fábrica de Juntas Homocinéticas. Sempre considerei ele um dos meus gurus – quando fui promovido a Líder de Qualidade da Albarus Transmissões Homocinéticas, vi a alegria e orgulho nos olhos dele, como um verdadeiro pai. Anos depois, retornei ao chão de fábrica e trabalhamos juntos novamente. Byron me chamou para ser Supervisor de Produção na linha da Montagem. Aí, desenvolvemos um trabalho muito bonito – eu era meio troglodita, o sangue espanhol me subia bastante, tinha meus rompantes e seu Byron e o Dr. Luiz Manoel Rodrigues me ajudaram muito nesse aspecto. Os dois diziam: ‘tu és igual ao teu pai, mas ele não dá mais mais arrumar’”.

Roberto Haro

Perfil

Em seus mais de 40 anos de empresa, Byron era daqueles colaboradores que não tinham hora pra chegar e nem hora pra sair da empresa e conviveu intensamente com os colegas, envolvendo-se em diversas atividades dentro e fora da Dana e deixando sua marca na história da Manufatura da empresa.