Balsemino

Esteves

42 anos de muito trabalho divididos entre São Paulo e Rio Grande do Sul, muitos deles dentro da Engenharia de Processo com uma certeza: Balsemino Esteves Filho faria tudo de novo, se tivesse a chance.

Sua carreira na Albarus iniciou em 5 de outubro de 1965, após ver um anúncio no jornal buscando por funcionários para a empresa, que ele então conhecia só de passar na frente. “Sou formado como torneiro mecânico pelo SENAI, e comecei minha trajetória profissional trabalhando na oficina de um vizinho, que tinha uma tornearia. “Ele fazia de tudo, até consertar buraco em panela, e ali aprendi uma base ótima para minha carreira, que até então tinha sido fundamentada na teoria que eu absorvia no SENAI”, conta.

Balsemino foi contratado na Albarus para atuar como mecânico de manutenção, cuidando dos serviços de ferramentaria necessários das 14h às 23h, horário que poucos funcionários gostavam de trabalhar, mas ele adorava. “Fiquei um ano nesta função, dentro da fábrica, mas comecei a me destacar porque era aplicado e o Godofredo, muito amigo do Limbacher, começou a notar meu empenho”, diz. Ele relata que ‘namorava’ o trabalho na Mandriladora, uma máquina imensa, e logo foi chamado a trabalhar com ela. “Nessa época, o Slavko Rozman era o Chefe de Ferramentaria e começou a desenvolver um grande trabalho de otimização que minimizaria o grande nível de perda de ferramentas que enfrentávamos. O Marcelino Perlott começou a me consultar sobre isso, na época, e viu que eu tinha ambição de crescer na companhia”, afirma.

Na primeira oportunidade de seleção interna da empresa, Balsemino se candidatou para a vaga de desenhista, mas acabou ficando em segundo lugar. “Na época, a Dana estava implantando essa cultura de promover gente de dentro da empresa e começou a investir pesado nisso, e logo surgiu outro recrutamento, para Inspetor da Qualidade”, relata.

Ele estudou muito, se aplicou e o resultado foi sua promoção para trabalhar neste cargo, subordinado ao então Chefe da Qualidade, Johann Wolfgang Limbacher. E, assim, em 1967, ele juntou-se ao time da Qualidade produzindo amostras de produtos para os grandes clientes que a empresa conquistaria na época (GM e Ford, entre outras empresas). “Cada amostra que era aprovada pelo cliente era uma festa imensa – Limbacher sempre fazia questão de comemorar as nossas vitórias, e bastante”, conta, rindo. Sua admiração por Limbacher é tamanha que ele esculpiu um busto do ex-chefe em madeira num dos tornos da empresa. “Esse era um cara inesquecível, assim como meus colegas desta época, o Cleto Coimba, o Otto Eichler, o Vilmar Nitzke, o José Seberino… Um baita time”, resume.

Alguns anos depois, em 1971, Balsemino começou a ouvir falar de um novo desenvolvimento de produto dentro da fábrica e também a construção de uma nova fábrica, capitaneada pelo engenheiro Slavko Rozman. Tratava-se do Eixo Diferencial, cuja produção seria instalada em Santo Amaro (SP). Balsemino foi logo chamado para trabalhar no projeto super confidencial. Sua missão era fazer as chamadas Folhas de Operação do novo processo produtivo a ser implantado. “Estudei muito o processo, que só conhecíamos pela teoria, entreguei ao Rozman, que me devolveu em seguida pedindo uma enorme revisão. Depois de fazer isso, ele me cumprimentou e disse para ficar atento, já que poderia ser convidado a me mudar de cidade para abraçar o projeto”, explica.

Em 1975, Balsemino foi chamado a conversar com Hugo Ferreira que, naquele tempo, era o Gerente da Divisão de Eixos Diferenciais e precisava de um time de confiança para ajudá-lo a montar a nova fábrica e implantar o novo processo produtivo. “Falei com minha esposa e ela aceitou a mudança, então viemos todos para São Paulo”, diz, “E não foi nada fácil, era outra cultura, outro tipo de operador, sofremos bastante mas, no final, conseguimos deixar a fábrica rodando bem”, relata. Mas Balsemino não se adaptou à São Paulo e pediu para José Domingos Miotti que conseguisse uma vaga para ele na Albarus de Porto Alegre. E assim foi: em 1978, Balsemino voltou à sua terra, com esposa e filhos à tiracolo, para trabalhar na Engenharia de Processos.

E assim ele permaneceu, até outra reviravolta: parecia que seu destino era ficar em São Paulo. “O Paulo Regner assumiu a fábrica de Eixos Diferenciais de Santo Amaro nesta época e, em 1980, a Dana tinha comprado a fábrica de Eixos Diferenciais da Ford, que precisaria ser transferida para Santo Amaro”, relata. Na Engenharia de Processos, Balsemino trabalhava sob a chefia de Geraldo Encke, que recebeu a notícia de que seu subordinado ajudaria nesta mudança e implantação da nova fábrica. Desta vez, ele trabalhava lá durante a semana e voltava para Porto Alegre, mas lembra que, logo, foi promovido a Supervisor do Processo da fábrica de Santo Amaro e mudou-se para aquela cidade novamente.

O que Balsemino não esperava era que, logo, a empresa tinha outros planos para a fábrica, que vivia pleno crescimento: instalá-la em Sorocaba, junto da fábrica de cardans. “Sidney Del Gaudio, então, me chamou para trabalhar neste novo projeto sigiloso, desenvolvendo o novo layout da fábrica. E, em 1989, foi feita a mudança”, lembra. “Minha família ainda morava em Santo Amaro, então eu fazia a viagem todos os dias até Sorocaba para trabalhar”, conta. Depois disso, Balsemino seria demitido, mas ficou poucos meses fora da empresa. “Eu estava planejando me mudar para minha casinha no litoral paulista, em Ilha Comprida, quando recebi o recado de uma vizinha de lá, dizendo que alguém tinha me ligado da Albarus: era Eduardo Pitschenmeister”, afirma.

Balsemino foi para Sorocaba falar com ele, que chamou o ex-colega para ir com ele até a Argentina, onde aprenderiam tudo sobre o Eixo Diferencial para a Sprinter, da Mercedes-Benz. Nesse meio tempo, o filho de Balsemino, Rogério, começou a trabalhar na Dana, onde fez carreira, assim como o pai. “Por volta de 1992, voltei para a fábrica de Eixos Diferenciais em Sorocaba”.

Mais ou menos nesta época, ele conta que a Braseixos Rockwell não queria mais fabricar o Eixo Leve, e a Dana resolveu comprar a parte de longarinas da empresa, que se instalou em Osasco (SP). Eduardo Campaneiro assumiu a fábrica, e Harro Burmann foi designado para cuidar da fábrica de Sorocaba. “Em 2001, fui demitido novamente da empresa, e fui trabalhar num fornecedor que trabalhava com Estamparia, onde atuei por dois anos”, diz.

Sua última parte da carreira na Dana recomeçou em 2003, quando Rubens Chiodi assumiu novamente a fábrica de Diadema e perguntou a Balsemino se ele não gostaria de voltar. “Foram mais sete anos de muito trabalho em Diadema, em que dividi um apartamento com José Losada que era meu amigo de infância, conforme descobrimos naquela época”, lembra, sorrindo. Em 2010, Balsemino saiu da Dana em definitivo, já aposentado. Hoje, ele mora em Sorocaba, ainda perto da fábrica da Dana, mas não trabalha mais na indústria automotiva. “Tudo valeu a pena na Dana – foram 42 anos de muita dedicação, consegui criar meus filhos, dar a eles estudo e ter um pequeno patrimônio. Tenho orgulho de todo o trabalho que dediquei à empresa e tenho certeza de que fiz meu melhor por ela”, afirma.

Casado com Shirley há 49 anos, Balsemino é pai de Rogério e Zuleika, e adora curtir os netos Larissa e Nicolas, para quem vive inventando brinquedos e engenhocas que mostra com o maior orgulho e alegria. “Parado eu não consigo ficar, gosto de estar sempre em atividade”, resume, com entusiasmo juvenil.

Balsemino Esteves

“Tudo valeu a pena na Dana – foram 42 anos de muita dedicação, consegui criar meus filhos, dar a eles estudo e ter um pequeno patrimônio. Tenho orgulho de todo o trabalho que dediquei à empresa e tenho certeza de que fiz meu melhor por ela”.

Balsemino Esteves