Arthur

Villagrande

Durante 35 anos, ele foi a referência em assuntos jurídicos na Albarus e depois na Dana. Nesta entrevista, ele retoma sua trajetória e cita alguns dos “mestres albarianos” que o ajudaram, relembrando mudanças importantes que aconteceram na empresa neste período.

Nascido em São Gabriel, Arthur começou a trabalhar na antiga Albarus no dia 12 de setembro de 1973, cursando o primeiro ano da faculdade de Direito. Casado com Gleci, a madrinha dela era amiga do Chefe do Departamento Pessoal da Albarus, Ênio Garcia. “A Albarus já era considerada uma ótima empresa para se trabalhar, e eu estava tentando uma colocação no mercado, o que não estava sendo muito fácil. Fui falar com o seu Ênio, levei meu currículo e ele achou que eu era muito qualificado para a vaga que ele tinha – auxiliar administrativo”, relata. Arthur, precisando de uma oportunidade, disse que aceitava a vaga pois sabia que tinha oportunidade de crescer. Dito e feito: logo foi promovido a Encarregado de Setor.

Arthur atuaria, então, como encarregado da folha de pagamento – que, na época, era um serviço totalmente manual e, portanto, muito trabalhoso. Um dia, Dr. Luiz Manoel Rodrigues, que era o Diretor de Relações Industriais da Albarus, lhe perguntou se não gostaria de retomar os estudos de Direito – a empresa subsidiaria 50% da mensalidade – com a condição de que, além da folha de pagamento, ele atuasse como “preposto” da empresa. Preposto é o profissional de Direito que representa o titular do negócio, que nem sempre podia participar de forma efetiva nos eventos administrativos da Albarus. “Falei pra ele que tinha interesse mas que precisaria de ajuda na equipe para exercer estas funções”, diz Arthur. O Dr. Luiz, então, propõs um desafio ao jovem estudante de Direito: se ele passasse em todas as matérias, a Albarus pagaria seu curso universitário e, caso reprovasse em alguma, o estudante pagaria. “Aceitei o desafio – e a Albarus pagou 100% da minha faculdade de Direito na Unisinos”, conta.

Ele conta que também teve outro “padrinho” nessa história: Ennio Maurel, que era ex-diretor administrativo da Albarus e ainda trabalhava para a empresa. Conta Arthur que Ennio andava descontente com o trabalho prestado pelo preposto anterior da Albarus e, um dia, resolveu levar Arthur junto à uma audiência trabalhista da empresa. “Me preparei adequadamente e ele gostou de me ver trabalhando e, algum tempo mais tarde, soube que ele entrou na sala do Dr. Luiz Manoel e disse ‘eu só quero esse guri, agora, pra justiça do trabalho’”, ri o advogado.

Arthur se formou em 1977 e, ao fazer isso, foi conversar com o Diretor de Relações Industriais da empresa pois queria atuar como advogado, e não mais como encarregado da folha de pagamento. “Ele me disse, então, que eu assumiria o Departamento de Segurança do Trabalho e também cuidaria da Justiça do Trabalho da empresa. A diferença é que, quando eu comecei atuando na justiça do trabalho como preposto, o Ênio ia comigo – a partir do terceiro ano, eu já ia sozinho e fazia todo o processo da Justiça do Trabalho, então já tinha uma boa experiência”, relata.

Ele lembra que, nesta época, o departamento da Segurança era responsável até mesmo pelo restaurante da empresa, além da segurança. “Logo, o Dr. Luiz me chamou e disse que eu passaria a fazer parte do time liderado pelo Tito Lívio Goron, como Chefe do Departamento Administrativo, até que ele conseguisse montar o Departamento Jurídico da Albarus”, explica. Iniciava, então, uma nova etapa na carreira de Arthur, em que ele era subordinado diretamente a Flávio Möller, então Gerente da Contabilidade. Ele conta que a experiência lhe deu uma boa base de contabilidade, que ele utilizaria mais tarde na advocacia tributária.

Quando o Departamento Jurídico foi estabelecido na empresa, tendo Arthur a frente como advogado – e assessorado por Ênio Maurel, prestador de serviços jurídicos para a Albarus. “Foi então que comecei a ter um contato maior com a diretoria. Na época, a Albarus era uma sociedade anônima de capital aberto, e havia muitas assembléias, das quais eu elaborava a ata”, conta. Arthur participou de muitas reuniões em que se fazia previsões de produção e muitas análises, e foi outra época de muito aprendizado. “Éramos pessoas muito apaixonadas pelo trabalho e pela empresa. Acho que eu nunca conheci um homem com a capacidade de previsibilidade industrial e comercial como o Zeca Bohrer – não é à toa que ele era tão respeitado como administrador, um visionário”, relata. Arthur menciona outra referência na sua carreira: Ênio Moura Valle, “um dos homens mais inteligentes e humanos que já conheci”, afirma.

Arthur se aposentou em 30 de setembro de 2008, cheio de boas histórias e amizades. “É até difícil elencar os nomes de tantas amizades. Era uma família, no tempo da Albarus. Quando penso no passado, sinto saudades. Eu adorava a Albarus”. O relacionamento jurídico que tive com outros colegas dentro da empresa no Brasil também foi bastante intenso.

Hoje, Arthur aproveita para curtir a família – é pai de Arthur Júnior e de Lisiane, os dois advogados como o pai – e tem quatro netos: Clara, Martina, Pedro e Valentina. Casado com Gleci há 39 anos, os dois gostam de viajar para a praia e para sua casa de campo em São Gabriel.

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” A empresa era uma família, no tempo da Albarus. Quando penso no passado, sinto saudades por um simples motivo: eu adorava a Albarus”.