Arnaldo

Marcelino Cardoso

Hoje em dia, é raro encontrar alguém que trabalhou durante 40 anos na mesma empresa mas, para Arnaldo Cardoso, parece que esse tempo todo passou num piscar de olhos. Apaixonado pela Dana, ele insiste que faria tudo de novo, se fosse preciso.

Essa longa história de dedicação profissional começou em 1971. Arnaldo trabalhava numa fábrica de vidros que ficava em frente às antigas instalações da Albarus, na rua Joaquim Silveira, Zona Norte de Porto Alegre. “Trabalhei durante 9 anos lá e, depois de uma daquelas grandes crises, a empresa teve que fechar. Pensei, então, que queria seguir trabalhando ali perto e atravessei a rua e fui pedir trabalho na Albarus”, lembra.

Ficar sem emprego – mesmo que Arnaldo, na época, tivesse apenas 24 anos – assustava nosso ex-colaborador, por isso ele chegou dizendo que faria qualquer tipo de serviço para ter sua carteira assinada pela Albarus. Naquele tempo, a empresa já era uma potência e começava a despontar como uma empresa cobiçada para se trabalhar na cidade. Ofereceram, então, uma vaga na faxina.

Arnaldo abraçou a oportunidade e permaneceu durante 2 anos trabalhando com isso na Albarus, circulando pela fábrica e, claro, aproveitando para absorver e aprender sobre o ambiente e o trabalho dos colegas que já estavam atuando como operadores de máquina. “Penso que, se os colaboradores de hoje em dia vissem como era a fábrica naqueles tempos, não iam nem acreditar”, resume. Para Arnaldo, tudo era novidade: a empresa de vidros em que havia trabalhado anteriormente era familiar, então ele não precisava bater ponto, cumprir horário ou usar uniforme, pré-requisitos básicos para um albariano.

Ele lembra, aos risos, que sempre que algum colaborador da faxina era promovido a operador, os departamentos de dentro da fábrica começavam a disputá-lo, tamanho era o volume de trabalho. “Queriam que eu fosse para a lubrificação, para a cruzeta e para a montagem, mas eu já tinha sido ‘prometido’ para a usinagem, então comecei meu trabalho de operador ali”, conta. Arnaldo diz que os Mestres de fábrica observaram que ele já sabia bastante sobre recuperação de peças e, por isso, seria promovido à retífica de cruzetas.

Depois disso, Arnaldo permaneceu um 1 e 4 meses trabalhando na retífica de cruzetas durante turnos alternados e conta que o início não foi o que se pode chamar de “fácil”. “Quando eu ficava no terceiro turno era um verdadeiro pavor pra mim. As máquinas não tinham o dressador de rebolo naquele tempo, e precisávamos fazer aquele serviço à mão. Falei pro meu chefe que, na época, era o Guaracy Conceição, que queria ir embora porque não ia conseguir”, diz. “O Guaracy me disse pra não ter receio com a dificuldade do processo, apenas ir tentando que, um dia, eu ia ensinar outros colegas a fazer aquilo, ele tinha certeza. Isso me ajudou muito e foi o que, de fato, aconteceu. Se fosse qualquer outro chefe em outra empresa, teria me mandado embora, mas ele me estimulou a ser melhor”, lembra, emocionado.

Depois da fase de turnos alternados, Arnaldo diz que a empresa resolveu criar turnos fixos – primeiro, segundo e terceiro – e ele ficou trabalhando no segundo turno (da tarde até a noite), que sempre foi seu favorito. “Eu entrava na Albarus às 15h20min e ia embora às 23h, um horário bem tranquilo de se trabalhar e, aos sábados, saía da empresa 2 horas mais cedo, era meu horário ideal e rendia muito neste turno – tanto que fiquei nele durante a maior parte da minha carreira na Albarus e Dana”, afirma.

Arnaldo lembra como foi quando a fábrica de cruzetas se mudou para Gravataí, que ele considerava, sem rodeios, “um fim de mundo”. Ele conta, aos risos, que a fábrica em que trabalhava foi a primeira a se mudar para lá, e que os operadores estranharam bastante inicialmente por causa da distância e por toda a natureza que havia no enorme terreno recém-adquirido pela empresa. “Só havia 2 pavilhões pequenos naquela época, e um vestiário e um refeitório – mas claro que a gente acabou se acostumando com a nova realidade”, diz.

Ele conta que sempre foi brincalhão com os colegas e adorava dar apelidos a eles dentro da fábrica mas nunca ganhou nenhum codinome dos colegas. “Era uma forma nossa de descontrair, éramos todos muito amigos e os apelidos surgiam naturalmente, era uma brincadeira sadia”, resume.

Em 1996, Arnaldo se aposentou pela Dana e se apresentou no Departamento de Recursos Humanos para saber se a empresa queria que ele parasse de trabalhar. “O Amin, que trabalhava lá na época, me disse pra ficar tranquilo e trabalhando. E assim o fiz até 2011, quando resolvi que iria descansar um pouco”, resume, com alegria. “Ninguém pode falar mal da empresa, que ajuda muito todos os colaboradores – quem tem vontade de crescer, é estimulado a fazer isso e, quem trabalha sério, é reconhecido”, conclui.

Arnaldo Marcelino Cardoso

“Ninguém pode falar mal da empresa, que ajuda muito todos os colaboradores – quem tem vontade de crescer, é estimulado a fazer isso e, quem trabalha sério, é reconhecido.”

Arnaldo Marcelino Cardoso